Mestrado Marketing Digital e E-commerce
Módulo - Direcção Financeira
Trabalho Final
Estudo do Caso
Paulo Sérgio de Souza
Setembro - 2022
Trabalho apresentado na ENEB - Escola de Negócios de Barcelona - Espanha
(Adaptado pelo autor para ser publicado neste blogger)
INTRODUÇÃO
Esse trabalho foi desenvolvido após o estudo dos oito capítulos que constituem o Bloco de estudos chamado Direcção Financeira do curso de Mestrado em Marketing Digital e E-commerce. Ao longo deste bloco de estudos, foram abordados e trabalhados profundamente sobre: Os contínuos projetos de investimento e financiamento que ocorrem na atividade empresarial; A estrutura econômico-financeira de uma empresa; Como selecionar os projetos de investimento; Como planejar os movimentos; O significado do autofinanciamento para a empresa.
1. CAPITAL DE GIRO
O capital de giro é um montante de recursos financeiros que a empresa necessita para que ela continue funcionando e explorando a sua atividade. Ele é o responsável por manter as operações de um negócio.
Para Brigham (1999), capital de giro é investimento da empresa em ativos de curto prazo. Já para Marques (2004), capital de giro tem participação relevante no desempenho operacional das empresas, cobrindo geralmente mais da metade de seus ativos totais investidos.
É importante ressaltar que, quando uma empresa ou organização entra em em funcionamento, o gestor financeiro deve observar e trabalhar com muita atenção ao capital de giro, devido a sua relevada importância, porque a maioria das empresas que vem a falir ou deixar de existir, é por falta de controle nas entradas e saídas de caixa na empresa. É relevante observar que o capital de giro não é igual a rentabilidade, porque a rentabilidade da empresa pode esperar por uma recuperação de lucros, no entanto, o capital de giro não pode esperar, ele é prioritário, pois, sem capital de giro a empresa desaparece.
1.1 – Enunciado 01
Uma empresa tem um ativo de 225.000€ e a quantia dos seus capitais permanentes é de 170.000€. O ativo circulante equivale a 65.000€.
Com os dados fornecidos indique o montante do capital de giro (ou capital líquido circulante) da empresa.
Resposta:
Para calcular o capital de giro, deve primeiro obter o montante do passivo a curto prazo (passivo circulante) por diferença entre o valor do ativo total (que será igual ao passivo total) menos os capitais permanentes (passivo não circulante). Depois de ter obtido o montante do passivo circulante, é preciso aplicar a seguinte fórmula:
- CG = Ativo circulante - Passivo circulante.
Dados:
- Ativo = 225.000€
- Capitais Permanentes = 170.000€.
- Ativo Circulante = 65.000€.
- Capital de Giro = ?
Capital de Giro (CG) = Ativo circulante (AC) – Passivo circulante (PC)
PC = Activo total – Passivo não Circulante (CP) :
PC = 225.000€ - 170.000€ ⇨⇨⇨ PC = 55.000€
Logo: CG = AC 65.000€ - CP 55.000€ ⇨⇨⇨ Capital de Giro é 10.000€
2. RENTABILIDADE
A rentabilidade é o valor de remuneração de um investimento expresso em percentual. Ou seja, representa a porcentagem que uma empresa recebeu ou receberá ao investir em determinada alternativa, seja ela de renda, fixa ou variável.
Bruni (2010) afirma que a análise da rentabilidade é um dos tópicos mais importantes dentro os que estão associados ao estudo das demonstrações contábeis, já que quanto maior a rentabilidade, maiores serão as possibilidades de criação de valor. Conforme Martins et al. (2014), sem rentabilidade a continuidade da organização estará comprometida. Para Padoveze (2009), a análise da rentabilidade talvez seja a melhor dentre as que podem ser obtidas a partir dos demonstrativos contábeis, tendo em vista que “uma rentabilidade continuamente adequada é o maior indicador da sobrevivência e sucesso da empresa”.
2.1. Enunciado 2
A mesma empresa obteve uma rentabilidade das vendas de 22% e a rotação do seu capital total foi de 1,5 vezes. Indique qual foi a sua rentabilidade econômica.
Resposta:
ROI = Margem Comercial X Rotações
ROI = 22 x 1,5
ROI = 33%
Obs: ROI é uma métrica financeira baseada na relação entre o dinheiro ganho e o dinheiro aplicado em um investimento. ROI significa “Return over Investment”, ou “Retorno sobre Investimento”.
3. PRAZO MÉDIO DE MATURAÇÃO (PMM)
O PMM é o período de tempo que decorre desde que a empresa investe uma unidade monetária para obter matérias-primas, força de trabalho e outras despesas gerais de fabricação até que seja recuperado como resultado do processo de venda e do pagamento do produto. É o tempo que a empresa demora para recuperar o dinheiro investido para lidar com as necessidades cíclicas do seu processo de produção. ( ENEB, P 15 – Direcção Financeira)
O período médio de maturidade (PMM) são os dias que uma empresa leva para recuperar o dinheiro que gastou desde a compra inicial da matéria-prima, ou seja, é o ciclo de vida operacional de um produto. É também conhecido como período médio de maturidade econômica.
3.1. Enunciado 3
Conhecemos os seguintes dados da empresa Filados S.A.:
A- Comprou e consumiu para a fabricação do seu produto 100.000€ em matérias-primas e, em média, manteve um nível de estoque das mesmas no armazém de 8.550€. Calcule o período médio de estocagem.
Resposta:
Matérias – primas (MP) = 100.000€
Armazenagem (A) = 8.550€
Ano = 365 dias
PMa = ?
Rotação Na = MP/A
Rotação Na = 100.000€ /8.550€ ⇨⇨⇨ Na = 11,7€
PMa = 365 / Na
PMa = 365/ 11,7€ ⇨⇨⇨ 31,2 dias
O período médio de estocagem é de 31,2 dias
B - O valor da sua produção anual é de 216.000€ e o valor médio dos produtos em processo de elaboração é de 13.000€. Calcule o período médio de fabricação.
Resposta:
Valor anual da produção = 216.000€
Valor médio dos produtos em processo = 13.000€.
Período médio de Fabricação (PMf) = ?
Rotação nf = 216.000€/13.000€ ⇨⇨⇨ 16.6 vezes
PMf = 365/16.6 ⇨⇨⇨ 22 dias
O período médio de fabricação é de 22 dias
C - Tendo em conta que a empresa vendeu exclusivamente toda a sua produção anual e que o valor médio do seu estoque no armazém de produtos acabados foi de 17.000€, calcule seu período médio de venda.
Resposta:
Dados:
Valor anual de produção = 216.000€
Valor médio do seu estoque no armazém = 17.000€,
Período médio de vendas = ?
Rotação Nv = 216.000€/17.000€ ⇨⇨⇨ 12.7 vezes
Período médio de vendas = 365/12.7 ⇨⇨⇨ 28,7 dias
O período médio de vendas é de 28,7 dias
D - Supondo que a empresa vendeu sua produção por um montante de 320.000€ e que os clientes tiveram em média uma dívida com a empresa de 16.000€, calcule o período médio de cobrança.
Resposta:
Dados:
Venda da produção = 320.000€
Média de vendas = 16.000€
Período médio de cobrança = ?
Rotação Nc = 320.000/16.000 ⇨⇨⇨ 20 vezes
Período médio de cobrança 365/20 ⇨⇨⇨ 18,25 dias
O período médio de cobrança é de 18,25 dias.
E - Com os dados obtidos nos pontos anteriores, calcule o período médio de maturação econômica de Filados S.A.
Resposta :
O prazo de maturidade econômica resultará da soma dos quatro sub prazos: PME = PMa + PMf + PMv + PMc
PMe = 31,2 + 22 + 28.7 + 18,2
PMe ⇨⇨⇨ 100,1 dias
O período médio de maturação econômica de Filados S.A é de 100,1 dias
4. MÉTODO DO CUSTEIO DIRETO OU DIRECT COSTING.
O método do custeio direto visa dar maior flexibilidade à determinação dos preços de venda e do lucro da empresa, separando as despesas fixas de fabricação, de vendas e de administração (que são debitadas diretamente à conta de lucros e perdas) dos custos diretamente variáveis com a produção.
Já nos seus primordios, de 1892 a 1902, a literatura especializada da contabilidade de custos mencionava a prática de debitar as despesas gerais de fabricação à demonstração de lucros e perdas. Autores norte-americanos voltaram ao assunto na década de 1930, mas foi, principalmente, nos períodos de freqüentes variações da atividade econômica que ocorreram no mundo inteiro desde 1950, que ficou patente a vantagem de determinar os custos independentemente de critérios de absorção direta das despesas gerais de fabricação.
O têrmo "custeio direto" foi, pela primeira vez, empregado por JONATHAN N. HARRIS em 1936, em um trabalho publicado no "N.A.C.A. Bulletin".
O sistema do custeio direto tem contribuído muito para:
• aumentar o poder competitivo da empresa;
• planejar melhor seu resultado econômico;
• determinar preços em função da capacidade instalada de produção e, ao mesmo tempo, das condições vigentes no mercado.
4.1. Enunciado 4
A empresa 2ManyShoes S.A. fabrica botas e sapatos. No mês passado teve 750€ de custos fixos e produziu 55 unidades de botas e 70 de sapatos que vendeu imediatamente a um preço unitário de 40€ e 35€, respectivamente. No início do mês, não tinha estoque de produtos em curso de fabricação nem acabados e os custos variáveis do período foram os da seguinte tabela:
|
|
Botas |
Sapatos |
|
Matérias-primas Mão
de obra variável Combustível Matérias
auxiliares |
300 195 77 77 |
445 195 92 121 |
|
Total
custos variáveis |
649 |
853 |
Analise a estrutura de margens desta empresa pelo método do direct costing.
Resposta:
Dados:
Custo fixo = 750€ mês
Produção/mês de botas = 55 unidades Preço Unitário = 40€
Produção/mês de sapatos = 70 unidades Preço Unitário = 35€
CUSTOS VARIÁVEIS UNITÁRIOS
CVU = Custos variáveis / Unidades produzidas
Logo:
CVU ( botas) = 649/55 ⇨⇨⇨ 11,80 €
CVU ( Sapatos ) 853/70 ⇨⇨⇨ 12,19 €
Custos Totais das variáveis = 11,80€ + 12,19€ = 23,99 euros
MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA
Margem de contribuição Unitária = Preço de Venda Unidade – Custos
Logo:
Botas = 40€ -11,80€ ⇨⇨⇨ 28,20€
Sapatos = 35€ - 12,19 € ⇨⇨⇨ 22,81€
MCU somadas = 28,20 + 22,81 = 51,01€
MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO TOTAL
MCT = Margem contribuição Unitária x Unidades Vendidas
Logo:
Botas = 28,20 X 55 ⇨⇨⇨ 1.551,00€
Sapatos = 22,81 X 70 ⇨⇨⇨ 1.596,70€
MCT = 1.551,00 + 1.596,70 ⇨⇨⇨ 3.147,70€
MARGEM DE LUCRO
ML = Margem de contribuição Total - Custos fixos Logo:
ML = 3.147,70 – 750,00 ⇨⇨⇨ 2.397,70€
LIMIAR DE RENTABILIDADE
LM = Custos fixos / MCU
Logo:
LM = 750 / 51,01 ⇨⇨⇨ 14,70€
O resultado da analise a estrutura de margem desta empresa realizado utilizando o método Direct costing mostra que o Limiar de rentabilidade é de 14,70€
5. MÉTODO DOS RÁCIOS
Segundo Conso (1975) “ O interesse dos rácios reside essencialmente no facto de permitirem comparações intertemporais e inter-empresas” (pág. 181).
Para Neves (1995) podem “construir-se inúmeros rácios, mas a utilização vai depender sobretudo dos objectivos da análise: qual a natureza dos fenómenos que pretende revelar ou medir…” (pág. 73). A natureza dos fenómenos pode ser financeira, económica, económicofinanceira, de funcionamento ou técnica.
5.1 Rácio de Liquidez
Os rácios de liquidez, são rácios financeiros que medem o nível de liquidez de uma empresa, ou seja, a sua capacidade de fazer face aos compromissos de curto prazo. Estes rácios fazem uso de variáveis obtidas dos seus documentos contabilísticos, nomeadamente do seu Balanço. Geralmente, quanto mais elevados os rácios de liquidez, maior a capacidade da empresa de satisfazer os seus compromissos (no curto prazo).
5.2 Enunciado 5
O chefe de finanças da empresa THF S.A. deseja conhecer a sua situação em relação ao setor industrial ao qual pertence. Para isso dispõe da seguinte informação referida ao setor:
- O rácio de liquidez geral é de 1,65; o rácio de liquidez reduzida (também chamado quick ratio ou acid test) é de 1,15 e a relação entre o disponível e o passivo circulante é de 0,75.
- O rácio de endividamento é de 0,45. A margem sobre vendas é de 19%. A rotação do investimento é de 1,35 vezes.
- A rentabilidade econômica está em 22% e a financeira em 27%.
Os dados referentes à empresa (em milhares de €) são os seguintes:
|
Ativo |
Passivo |
||
|
Ativo
fixo (líquido) |
200 |
Capital |
135 |
|
Existências
de prod. acabados |
80 |
Reservas |
75 |
|
Clientes |
130 |
Recurso
alheios l/p |
155 |
|
Caixa e
bancos |
110 |
Créditos
bancários c/p |
105 |
|
|
|
Fornecedores |
50 |
|
Total
Ativo |
520 |
Total
Passivo |
520 |
Além disso, sabe-se que:
- O volume de vendas é de 550.000€, realizadas a crédito e cujo custo direto é de 275.000€.
- Amortização de 120.000€.
- As dívidas a longo prazo geram juros de 9%, os créditos bancários a curto prazo de 7% e a partida de fornecedores não gera juros.
- O tipo de Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas é de 25%.
Calcule os rácios de liquidez, rácio de liquidez reduzida (acid test), endividamento e compare-as com os dados do setor. Calcule também a rentabilidade econômica e financeira e a margem sobre vendas e rotação do investimento, fazendo uma comparação entre a empresa e o setor.
Resposta:
RÁCIO DE LIQUIDEZ GERAL
RLG = Activos circulantes / Passivos circulantes
Logo:
Rácio de Liquidez Geral = AC 320 / PC 310 = ⇨⇨⇨ 1,03
RÁCIO DE LIQUIDEZ REDUZIDA OU ACID TEST
Acid Test = Ativo Circulante – Existências / PassivoCirculante
Rácio de Liquidez Reduzida = 320 – 75 / 310 = ⇨⇨⇨ 0,79
RÁCIO DE ENDIVIDAMENTO
Rácio de Endividamento = Divida Total / Capital Próprio
Rácio de Endividamento = 320 / 210 = 1,52
RENTABILIDADE ECONÓMICA
Rentabilidade Econômica = Lucro Econômico / Ativos Totais.
Rentabilidade Económica RE = 275 / 520 = ⇨⇨⇨ 0,52 = ⇨⇨⇨ 52%
RENTABILIDADE FINANCEIRA
Rentabilidade Financeira = Lucro líquido / Recursos próprios. (Entendendo por Lucro líquido o LAJIDA - Juros - Impostos.)
Logo:
L L = 275.000 (Lajida) – 13.950 (juros lp 9% ) – 7.350 (juros cp7% ) – 68.750 (IRPJ 25%) = Logo: Lucro Líquido = 184.950
Rentabilidade Financeira = 184.950 / 210.000€ = 0,88 ⇨⇨⇨ 88%
MARGEM SOBRE VENDAS
Margem sobre as vendas = 275.000€ / 550.000€ = 0,50 = ⇨⇨⇨ 50%
ROTAÇÃO DO INVESTIMENTO
Rotação do Investimento = Margem Comercial x Rentabilidade Econômica
Rotação de investimento = 0,50 X 0,52 = ⇨⇨⇨ 0,26
COMPARAÇÃO ENTRE A EMPRESA E O SECTOR
|
|
|
Sector |
Empresa |
|
1 |
Rácio de liquidez |
1,65 |
1,03 |
|
2 |
Liquidez reduzida |
1,15 |
0,79 |
|
3 |
Rácio de endividamento |
0,45 |
1,52 |
|
4 |
Rentabilidade económica |
22% |
52% |
|
5 |
Rentabilidade financeira |
27% |
88% |
|
6 |
Margem sobre vendas |
19% |
50% |
|
7 |
Rotação de Investimento |
1,35 |
0,26 |
6. PAYBACK – RETORNO DOS INVESTIMENTOS
Payback significa “retorno” em inglês, é usado para medir quanto tempo leva para recuperar o valor investido em um determinado projeto ou aplicação.
Por meio desse cálculo, é possível identificar qual é o período necessário para que o lucro acumulado se iguale ao investimento inicial.
O payback pode também ser usado para interesses diferenciados, como por exemplo:
Uma Empresa que precisa saber em quanto tempo conseguirá recuperar o dinheiro investido em um novo equipamento, implementação de uma tecnologia ou abertura de uma nova filial... Para poder avaliar se vale a pena esperar pelo retorno e seguir com o projeto ou se vai demorar muito para recuperar o custo, a ponto de comprometer seu caixa.
Para um investidor que queira saber em quanto tempo a empresa vai dar o retorno esperado a partir da aplicação, para analisar se compensa injetar dinheiro nesse negócio ou se é melhor procurar outro com um payback mais rápido.
Por isso, é fundamental este cálculo antes de investir em qualquer projeto para alocar os recursos do negócio de maneira mais produtiva e vantajosa.
6.1 Enunciado 6
Temos os seguintes dados sobre dois investimentos analisados pela nossa empresa.
|
Projetos |
Desembolsos iniciais € |
Fluxos de caixa em € |
|||
|
|
|
Ano 1
|
Ano 2 |
Ano 3 |
Ano 4 |
|
A |
3.000.000 |
900.000
|
2.100.000 |
200.000 |
200.000 |
|
B |
3.000.000 |
1.000.000
|
1.900.000 |
600.000 |
4.000.000 |
Qual investimento é preferível para a empresa de acordo com o critério do prazo de recuperação? Justifique a sua resposta.
|
Projeto A Ano 1
|
|
Fluxos de caixa em € |
|
|
Desembolso |
|
Ano 1 |
Ano 2
|
|
Desembolso Inicial |
3.000.000 |
900.000
|
|
|
Pay Back 1° ano |
|
Pago 30 % do desembolso inicial
3.000.000/900.000 = 3,33 anos
|
|
|
Projeto A Ano 2
|
|
Fluxos de caixa em € |
|
|
70% do Desembolso inicial remanescente para Ano 2 |
2.100.000 |
|
2.100.000 |
|
Pay back 2° Ano |
|
|
Pago os 100% do remanescente do Desembolso inicial 2.100.000/2.100.000 = 1
ano |
Observa-se que o valor do desembolso inicial do Projecto A é realizado a recuperação ao final do segundo ano.
|
Projeto B Ano 1
|
|
Fluxos de caixa em € |
|
|
Desembolso |
|
Ano 1 |
Ano 2
|
|
Desembolso Inicial |
3.000.000 |
1.000.000
|
|
|
Pay Back 1° ano |
|
Pago 33 % do desembolso inicial
3.000.000/1.000.000 = 3 anos
|
|
|
Projeto B Ano 2
|
|
Fluxos de caixa em € |
|
|
67% do Desembolso inicial remanescente para Ano 2 |
2.000.000 |
|
1.900.000 |
|
Pay back 2° Ano |
|
|
Pago os 100% do remanescente do Desembolso inicial 3.000.000/1.900.000 = 1,05
anos Ou 1.900.000/2.000.000 = 0,95 95% do remanescente é pago no 2°ano restando 5% do desembolso
inicial a ser pago no Ano 3. |
Observa-se que o valor do desembolso inicial do Projecto “B” somente pode ser realizado os 100% de recuperação no terceiro ano.
Assim, comparando os projectos “A’ e “B”, observa-se que o projeto B obteve bom desempenho nos anos 3 e 4, porém baseando-se especificamente com o critério de recuperação/Payback, o Projecto “A” mostra uma pequena vantagem, pois o Payback conclui-se no 2° ano, enquanto que o Projecto “B” somente pode concluir o Payback no 3° Ano. Logo, baseado neste critério, o projeto “A” é o melhor investimento.
7. TAXA INTERNA DE RETORNO (TIR)
Taxa Interna de Retorno (TIR) é uma taxa de desconto hipotética, calculada a partir de uma projeção de fluxo de caixa (previsão de receitas geradas por um investimento ao longo de determinado período) quando consideramos que seu Valor Presente Líquido (VPL) é igual a zero. Na prática, ela é usada por investidores para indicar se um projeto é viável ou não.
N prática não há como saber ao certo com precisão quais as receitas que o investimento vai gerar no futuro, no entanto, não quer dizer que a Taxa Interna de Retorno – TIR (ou o VPL, que também é baseado em suposições) seja inútil.
As expectativas sempre serão incertas, mas é muito importante tê-las.
Sendo assim, recomenda-se traçar mais de um projeção, pelo menos três: uma pessimista, uma otimista e uma intermediária. Essa maleabilidade favorece o planejamento de estratégias para lidar com cada cenário possível.
7.1 Enunciado 7
Conhecemos os seguintes dados de um investimento feito pela empresa:
Desembolso inicial de 2.500.000€ que gera ganhos e pagamentos nos anos sucessivos da sua duração que aparecem na seguinte tabela:
|
Anos |
Ganhos
(€) |
Pagamentos
(€) |
|
Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 |
4.000.000 5.500.000 6.000.000 4.000.000 |
3.500.000 4.500.000 5.500.000 3.000.000 |
Indique para que tipo de desconto é realizável ou não este investimento. Justifique o seu critério.
Resposta:
|
Ano |
Fluxo |
|
Investimento
inicial |
-2.500.000 |
|
Ano 1 |
500.000 |
|
Ano 2 |
1.000.000 |
|
Ano 3 |
500.000 |
|
Ano 4 |
1.000.000 |
|
TIR |
7,19% Calculado na planilha do Excel |
Se o retorno exigido for menor que 7,19%, o projeto será viável. Caso seja maior que 7,19%, o mesmo deverá ser rejeitado.
8. VALOR PRESENTE LIQUIDO - VPL
O valor presente líquido, também conhecido como valor líquido atual, ou VPL é um instrumento que traz para a data zero os fluxos de caixa (positivos e negativos) de um projeto de investimento.
8.1 Enunciado 8
Um investimento requer um desembolso inicial de 3.500.000€ e a duração do projeto é de 2 anos, no primeiro dos quais gera um fluxo líquido de caixa de 2.500.000€ e no segundo de 4.700.000€.
A- Calcule o Valor Presente Líquido do investimento, sabendo que a taxa de inflação é de 3% anual cumulativa e que a rentabilidade requerida em ausência de inflação é de 8%.
Resposta:
r = k + g + (K*g)
r = 0.03 + 0.08 + (0.03*0.08)
r = 11, 24 %
r = 11%
-A + Q1 / (1+r) + Q2 / (1+r)2 = 0
-3.500.000 + 2.500.000 / (1+0,11) + 4.700.000 / (1+0.11)2 = 2.573.390,46
VPL = 2.573.390,46
B- Calcule a Taxa Interna de Retorno do investimento anterior.
Resposta: TIR = 56,97%
9. ENUNCIADO 9
Um investimento requer um desembolso inicial de 450.000€ e gera os seguintes fluxos líquidos de caixa: 100.000€ no primeiro ano, 175.000€ no segundo, 220.000€ no terceiro e 80.000€ no quarto ano. A rentabilidade anual requerida para este investimento em ausência de inflação é de 9%. A taxa de inflação anual é de 4%. Determine o Valor Presente Líquido deste investimento.
r = k + g (k*g)
r = 0.04 + 0.09 + (0.04*0.09) = 0.13
r = 13%
-A + Q1 / (1+r) + Q2 / (1+r)2 + …..+ b89Qn / (1+r)n = 0
-450.000 + 100.000 / (1+0.13) + 175.000 / (1+0.13)2 +
+220.000 / (1+0.13)3 + 80.000 / (1+0.13)4 = - 22.917,22
VPL = - 22.917,22
10. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BRIGHAM, E. Fundamentos da moderna administração financeira. São Paulo: Campos, 1999.
Bruni, A. L. (2010). A análise contábil e financeira. Editora Atlas SA.
CONSO, Pierre: “ A Gestão Financeira das Empresas”; Rés Editora, Limitada, 1975;
Diniz, J. A., Martins, E., & Miranda, G. J. (2014). Análise didática das demonstrações contábeis. Editora Atlas SA.
KELLER, I. W. Management Accounting for Profit Controlo New York, McGraw-Hill Book Co., 1957.
MARQUES, J.A.V.C. Análise financeira das empresas: liquidez, retorno e criação de valor. Rio de Janeiro: UFRJ, 2004.
NEVES, João Carvalho das: “Análise Financeira métodos e técnicas”; Texto Editora, Lisboa 1995.
Padoveze, C. L. (2009). Introdução à administração financeira. São Editora Cengage Learning.
