Aprendizagem Experiencial na Educação de Adultos
Introdução
A aprendizagem experiencial tem como base a construção do conhecimento por meio de experiências, levando-se em conta todas as decorrências situacionais e seus efeitos para o aprendizado. Assim, considera-se que o processo de desenvolvimento de um profissional envolve não apenas a educação formal, como também as experiências profissionais e sociais. Com a atuação mínima de um supervisor/professor, o indivíduo consegue atuar na resolução de problemas considerando suas percepções, histórico pessoal, bagagem de vida e, assim, conferir sentido àquilo que está sendo aprendido.
“Aprendizagem é o processo pelo qual
o conhecimento é criado através da transformação da experiência. O conhecimento
resulta da combinação de capturar a experiência e transformá-la.” David A. Kolb
O
trabalho tem como objectivo, reflectir em torno da aprendizagem baseada na
experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos.
Nessa perspectiva,
a teoria da aprendizagem experiencial – formulada por David Kolb (1984) –
atribui grande valor aos conhecimentos de carácter experiencial, cuja utilidade
para gerar desenvolvimento só existe na medida em que podem ser confrontados,
comparados, ampliados, revisados e reflectidos junto a conhecimentos de
carácter teórico. A teoria kolbiana enfatiza a interação entre o sujeito e a
ação, enaltecendo a experiência como forma de alcançar novos aprendizados,
considerando também o contexto e a reflexão. O objectivo do aprendizado experiencial não é simplesmente aprender uma habilidade através da prática, mas também pensar criticamente sobre a prática e aprimorá-la.
A reflexão impõe
considerar dois processos básicos: perceber e processar, vinculados
respectivamente às dimensões concreta/abstracta e activa/reflexiva. Tais
dimensões constituem a base de sustentação de um ciclo de aprendizagem,
envolvendo: experiência concreta, observação reflexiva, conceituação abstracta
e experimentação activa. As experiências vividas representam a vida como um
todo. Não se vive sem experiências e nem se tem experiências sem vida, ou seja,
é inerente a vida humana. Isto indica que as experiências são responsáveis pela
formação do indivíduo, transformando-o a cada situação, seja com factores
positivos ou não.
Nesse aspecto,
Dewey (1973, p.17) afirma que “a experiência alarga, desse modo, os
conhecimentos, enriquece o nosso espírito e dá, dia a dia, significação mais
profunda à vida”.
Na gênese do modelo da aprendizagem experiencial estão os modelos de
Lewin, Dewey e Piaget, que abordam como o indivíduo transforma o seu
conhecimento através das experiências vivenciadas... Kolb (1984) propõe e testa
empiricamente um modelo cíclico para a aprendizagem experiencial que considera
que o conhecimento é gerado a partir da transformação da experiência através da
reflexão. Os pontos de convergência entre as teorias são: aprendizagem como
desenvolvimento para um propósito e o enfoque na experiência para a o
desenvolvimento da aprendizagem.
O trabalho está estruturado da seguinte maneira: Elementos pré-
textuais (Capa, folha de rosto) Elementos textuais (Introdução,
Desenvolvimento, Considerações finais) Elementos pós- textuais (Referências
bibliográficas).
Objectivos da Pesquisa
Objectivo Geral:
·
Reflectir sobre a aprendizagem baseada na experiência, e na construção do
conhecimento, na educação de adultos.
Objectivos
Específicos:
·
Identificar a aprendizagem
baseada na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de
adultos;
·
Definir a aprendizagem baseada
na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos;
·
Analisar a aprendizagem baseada
na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos.
Procedimentos
Metodológicos
Segundo SALOMON (1996, p.107), “uma actividade é considerada
científica quando: Produz ciência, ou dela deriva, e acompanha seu modelo de
tratamento. De outra forma, o autor defende que metodologia científica é a
“concreção da actividade científica, ou seja, a pesquisa e o tratamento por
escrito de questões abordadas metodologicamente.”
A Metodologia Científica significa estudo dos métodos ou da forma,
ou dos instrumentos necessários para a construção de uma pesquisa científica, é
uma disciplina a serviço da Ciência.
Para a realização deste trabalho, recorreu-se as seguintes
metodologias: quanto a natureza a pesquisa é de carácter qualitativa, e quanto
aos objectivos é exploratório-descritiva, e quanto a classificação é análise de
conteúdo. A Pesquisa tem por objectivo expor e buscar as explicações de um
fenómeno. Quanto á técnica de colecta de dados é Pesquisa bibliográfica:
Segundo LAKATOS e MARCONI (1999, P.82) “Consiste em colocar o pesquisador em
contacto directo com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre um dado
assunto”, a pesquisa foi ainda baseada em referências teóricas descritivas e
explicativas sendo elas: livros, e artigos científicos.
Revisão da Literatura
Experiência
Segundo Dewey ( 1959, p.199) O termo experiência
"A experiência não é coisa rígida e Pode interpretar-se seja com referência à atitude empírica, seja com fechada, é viva e, portanto, cresce. Quando dominada pelo passado, pelo costume, pela rotina, opõe, frequentemente, ao que é razoável, ao que é pensado. A experiência inclui, porém, ainda a reflexão, que nos liberta da influência cercante dos sentidos, dos apetites, da tradição. Assim, torna-se capaz de acolher e assimilar tudo o que o pensamento mais exato e penetrante descobre."
Assim sendo a experiência educativa é a experiência, em que o pensamento participa das análises das relações anteriormente não percebidas pelo indivíduo. É um tipo de experiência reflexiva, que permite ao indivíduo adquirir novos conhecimentos ou conhecimentos mais extensos do que antes.
Segundo Kolb (1984) "Aprender é o processo pelo qual o conhecimento
é criado através da transformação da experiência." A aprendizagem
experiencial é considerada um processo contínuo fundamentado na reflexão que é
continuamente modificado por novas experiências. O ciclo começa quando um
indivíduo se envolve em uma actividade, e reflecte sobre sua experiência,
então, deduz o significado da reflexão e, finalmente coloca em acção a
percepção recém-adquirida através de uma mudança de comportamento ou atitude.
Acordando com o autor acima citado,
a aprendizagem experiencial pode ocorrer naturalmente na vida diária, ela
também pode ser criada ou estruturada para orientar os alunos através de uma
experiência e maximizar os resultados da aprendizagem, para estimular
competências. - A educação que vem da experiência favorece a aprendizagem
porque o aprendiz age sobre o objeto do conhecimento, extraindo dele
informações que possibilitarão a aquisição de novos conhecimentos. Dessa forma,
o que a educação experimental propõe não é a experiência pela experiência, mas
a organização de um processo de educação
significativo para o aluno e que deverá acontecer de forma simples e bem
delineada, garantindo o seu desenvolvimento
Aprender pela experiência não
significa que qualquer vivência resulta em aprendizagem. Esta aprendizagem é,
sobretudo, mental. Assim sendo, apropriar (tornar próprios) o saber proveniente
da experiência demanda processos contínuos de ação e reflexão.
Educação de adultos
A expressão educação de
adultos designa o conjunto de processos organizados de educação, qualquer que
seja o seu conteúdo, o nível e o método, quer sejam formais ou não formais,
quer prolonguem ou substituam a educação inicial dispensada nos estabelecimentos
escolares e universitários e sob forma de aprendizagem profissional, graças aos
quais pessoas consideradas adultas pela sociedade de que fazem parte
desenvolvem as suas aptidões, enriquecem os seus conhecimentos, melhoram as
suas qualificações técnicas ou profissionais ou lhes dão uma nova orientação, e
fazem evoluir as suas atitudes ou o seu comportamento na dupla perspectiva de
um desenvolvimento integral do homem e de uma participação no desenvolvimento
socio-econômico e cultural equilibrado e independente (UNESCO, 1976, p.4).
Mas esse primeiro conceito não é o mais adequado uma vez que não
contempla a educação informal a qual não pode ser desconsiderada quando se fala
em educação de adultos. Um novo conceito apresentado na V Conferência
Internacional sobre Educação de Adultos, realizada 1997 procura corrigir esse
lapso ao apresentar uma nova redação para o tema como podemos observar a
seguir:
Por educação de adultos entende-se o conjunto de
processos de aprendizagem, formal ou não, graças ao qual as pessoas
consideradas adultas pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas
capacidades, enriquecem os seus conhecimentos, e melhoram as suas qualificações
técnicas ou profissionais ou as reorientam de modo a satisfazerem as suas
próprias necessidades e as da sociedade. A educação de adultos compreende a
educação formal e a educação permanente, a educação não formal e toda a gama de
oportunidades de educação informal e ocasional existentes numa sociedade
educativa multicultural, em que são reconhecidas as abordagens teóricas e
baseadas na prática (UNESCO, 1997, p.16).
Este novo conceito é o mais amplo de todos na medida em que engloba
todos os tipos de estruturas formais, não formais e informais e ao mesmo tempo,
remete para múltiplas e diferentes experiências de aprendizagem que se integram
nos cenários da vida quotidiana (DOMINGUEZ, 2000). Para além desta segunda
definição formal, a Conferência de Hamburgo inscreve na agenda para o futuro,
dentre outras recomendações, que “a cooperação e a solidariedade internacionais
devem reforçar um novo conceito da educação de adultos, que seja,
simultaneamente, holístico para abarcar todos os aspectos da vida e
transetorial para incluir todas as áreas de atividade cultural, social e
econômica” (UNESCO, 1997, p. 37)
Percebemos a partir destas duas primeiras definições que o termo
educação de adultos envolve a totalidade de projetos organizados de educação,
independentemente do conteúdo, método e nível, sejam formais ou não formais com
o propósito de prolongar, compensar ou reiniciar a educação correspondente ao
sistema educacional ordinário, desde que se estabeleçam formas de aprendizagem
específicas de caráter profissional ou ocupacional, nas quais as pessoas
consideradas adultas alcançam a dupla perspectiva de um enriquecimento integral
e uma participação no desenvolvimento equilibrado e independente.
Contextualização
A teoria da aprendizagem
experimental tem sido amplamente usada na investigação e na prática da gestão
da aprendizagem ao longo dos últimos 35 anos. Sustentada nas fundamentações de
Kurt Lewin, John Dewey, David Kolb, entre outros, a teoria da aprendizagem
experiencial assume-se como uma teoria baseada em ciclos de aprendizagem
marcados pela resolução das dialécticas entre acção/reflexão e experiência/abstracção.
Estas duas dimensões definem um espaço de aprendizagem holístico onde as
transacções de aprendizagem têm lugar entre os indivíduos e o meio em que se
inserem.
O conceito de desenvolvimento da
profissionalidade reflecte a qualificação quanto a competências, conhecimentos,
sentimentos e postura ética relativos à profissão.
Nessa perspectiva, a teoria da
aprendizagem experiencial – formulada por David Kolb (1984): atribui grande
valor aos conhecimentos de caráter experiencial, cuja utilidade para engendrar
desenvolvimento só existe na medida em que podem ser confrontados, comparados,
ampliados, revisados, enfim, refletidos junto a conhecimentos de caráter
teórico.
Segundo Kolb e Kolb (2009) a
aprendizagem experiencial assenta em seis premissas fundamentais:
1. A
aprendizagem deve ser concebida como um processo e não em termos de resultado.
De forma a potenciar a aprendizagem, o foco principal deve ser um processo que
envolva feedback sobre os esforços e reflexões desenvolvidos na aprendizagem.
2. Toda a
aprendizagem é uma re-aprendizagem. A aprendizagem é facilitada por um processo
que facilite a integração da nova informação tendo por base aquilo que o
sujeito aprendeu anteriormente.
3. A
aprendizagem requer a resolução de conflitos dialécticos entre modos opostos de
adaptação ao mundo. O conflito, as diferenças e o desacordo originam o processo
de aprendizagem. Neste processo são postos em causa diferentes/opostos modos de
reflexão e acção, de sentimentos e pensamentos.
4. A
aprendizagem é um processo holístico de adaptação. Não é apenas o resultado de
uma cognição, envolvendo também a integração do funcionamento total do
indivíduo – pensamento, percepção e comportamento – em diferentes funções que
envolvem a resolução de problemas, a tomada de decisão e a criatividade.
5. A
aprendizagem resulta das transacções sinergéticas entre a pessoa e o meio
envolvente. Padrões estáveis de aprendizagem humana resultam de padrões
consistentes de transacções entre o indivíduo e o meio envolvente. A forma como
processamos as diferentes experiências determina as escolhas que iremos fazer
no futuro.
6. A aprendizagem é o processo através do qual é criado conhecimento. A aprendizagem experiencial propõe uma teoria construtivista onde o conhecimento social é criado e recriado no conhecimento pessoal do indivíduo. Esta concepção contraria os modelos de “transmissão” de conhecimento, onde as ideias pré-existentes são transmitidas ao individuo.
Outro autor de referência é Paulo
Freire, que valoriza a dimensão da reflexão na aprendizagem experiencial,
considerando que o ciclo de aprendizagem experiencial se inicia com a colocação
de problemas, que constituem a base para a consciência critica sobre a
realidade em que o adulto esta inserido. Freire defende um “ processo de
Conscientização” como um meio de mudar as estruturas sociais, através da acção
individual e colectiva.
O contributo de Malcom Knowles
(1990) Esta relacionado com o modelo andragógico de educação de adultos. O
autor considera que o ponto forte da educação de adultos reside na sua
experiencia, que está directamente articulada com a identidade pessoal de cada um.
Inspirando se nesse contributo, o
adulto aprende e adquire conhecimentos quando esta incluso no seu processo
educativo. Quando as suas experiências são validas e integradas no seu programa
de formação, relacionando o ensino do contexto a sua realidade, bem como as
suas experiências sejam profissionais, ou adquiridas ao longo da vida.
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM
EXPERIENCIAL
A aprendizagem experiencial não
representa por si só uma teoria de aprendizagem. È mais uma perspectiva
alargada sobre aprendizagem, que enfatiza as experiências de aprendizagem
autênticas como base necessária para uma aquisição significativa de
competências para o desenvolvimento humano.
A aprendizagem é melhorada quando as
características do contexto em que ocorre o ensino são coincidentes ou
aproximadas dos contextos de desempenho, isto é, o facto dos contextos serem
coincidentes permite a transferência e aplicação efectivas das aprendizagens.
A aprendizagem experiencial é por
diversas vezes referida com sendo um ciclo, onde as suas características tendem
começar, acontecer e a acabar numa experiência activa. Cada ciclo de
aprendizagem demora o seu tempo para ser atingido e a pessoa que aprende pode
envolver-se em vários ao mesmo tempo, em diferentes etapas de cada um.
Diversos elementos também são
importantes para que uma genuína aprendizagem
experiencial ocorra. Estes elementos
devem ser:
Ø Compromisso
da parte do aluno, com o processo de exploração e aprendizagem;
Ø Valorização
da experiência própria do aluno;
Ø Potenciar
a independência na aprendizagem;
Base estruturada para a
aprendizagem.
Ciclo de Aprendizagem Experiencial
Assim, a aprendizagem experiencial é
um processo de construção de conhecimento que envolve a tensão criativa entre
os quatro modos de aprendizagem adaptativos às exigências contextuais ... Kolb
Y. A. & Kolb. D. A. (2006).
Este processo pode ser ilustrado como
um ciclo ou espiral onde o indivíduo “toca todas as bases” – experiencia,
reflecte, pensa e age – num processo recursivo que procura responder à situação
de aprendizagem e ao que está a ser aprendido O’Toole, L. (2008).
As experiências concretas/imediatas
são a base para as observações e para as reflexões. Estas reflexões são
assimiladas e destiladas em conceitos abstractos a partir dos quais novas
implicações para a acção podem ser delineadas. Segundo Kolb e Kolb (2009),
estas implicações podem ser activamente testadas e servem como linhas orientadoras na criação de novas
experiências (Figura 1).
Figura 1. Ciclo de Aprendizagem
Experimental (adaptado de Kolb & Kolb, 2009)
Da relação entre aprender, conhecer e desenvolver, o ciclo de
aprendizagem experiencial integra quatro modelos adaptativos de aprendizagem,
pelos quais a apreensão e transformação se conjugam.
Experiência concreta: Refere-se a
experiências de contacto directo com situações que propõem dilemas a resolver.
As ações são referenciadas em conhecimentos e processos mentais já existentes,
aprendidos anteriormente. Principalmente por atitudes de experimentação,
obtém-se a matéria-prima para aprendizagens anteriores.
Há ênfase na relação entre o aprendiz e suas percepções, nas
relações com pessoas, nas situações cotidianas, lidando com situações humanas
imediatas de maneira pessoal. Enfatiza o sentir (sensações e intuições) do que
no enfoque sistemático dos problemas.
Observação reflexiva: Constitui-se num
movimento voltado para o interior, de reflexão. Caracteriza-se por atitudes,
sobretudo, de pesquisa sobre a realidade, tais como:
·
Identificação de elementos;
·
Construção de associações;
·
Agrupamentos entre os fatos perceptíveis
da experiência;
·
Determinação de características,
dificuldades e possibilidades de escolhas;
Partilha de opiniões sobre um determinado assunto.Há o
compromisso com as idéias e com as situações provenientes de diferentes fontes.
Enfatiza a compreensão, com enfoque no entendimento do significado de idéias,
observando-as e descrevendo-as imparcialmente. O aprendiz confia na
objetividade e em um juízo cuidadoso; nos pensamentos para diferenciar e
refletir.
Conceituação abstrata: Caracteriza-se
pela formação de conceitos abstratos e generalizáveis sobre elementos e
características da experiência. Constitui-se de ações de comparação com
realidades semelhantes, bem como generalização de regras e princípios, cujo
intuito é estabelecer sínteses a partir da troca de opiniões, estabelecendo-se
um tronco comum de idéias compartilhadas. O aprendiz vive a experiência criando
esquemas, teorias e interpretações abstratas, utiliza-se da lógica, confia nas
planificações sistemáticas para desenvolver teorias e idéias para solucionar
problemas. Enfatiza o pensar em oposição ao sentir.
Experiência ativa: É a repercussão das
aprendizagens em experiências inéditas, num movimento voltado para o externo,
de ação. Caracteriza-se por aplicação prática dos conhecimentos e processos de
pensamentos tornados reflectidos, explicados e generalizados. A ação está
centrada em relações interpessoais, com destaque à colaboração e ao trabalho em
equipa.
Aplica-se esquemas, teorias e abstrações resultantes das
transformações da experiência concreta ou dos conceitos. O aprendiz atua
especificamente nas situações, com o objetivo de influenciar e modificá-las.
Busca-se descobrir como teorias e esquemas funcionam na prática.
A Figura 1 representa o ciclo de aprendizagem experiencial. Do centro para fora, as setas entrecruzadas indicam as duas dimensões que unem acção prática e teórica.
Na proposição de Kolb, experiência
concreta, observação e reflexão, formação de conceitos abstratos e, finalmente,
teste de hipóteses e conceitos em situações novas constituem os pilares do
vínculo cíclico e dialético entre experiência vivida, construção de
conhecimento e projeção de aprendizagem em experiências futuras.
Em cada estágio do ciclo, ocorre um
tipo específico de aprendizagem: experienciar, refletir, pensar ou fazer.
Esta abordagem para a educação de
adultos tem inúmeros benefícios para os educandos, pois é um equilíbrio entre a
aprendizagem afetiva (emocional), comportamental e cognitiva (baseada no
conhecimento).
Além disso, a aprendizagem é indutiva, o que significa que os educandos chegam às suas próprias conclusões sobre a experiência e o conteúdo, o que torna mais fácil para eles aplicarem diretamente sua aprendizagem nas situações do mundo real, que é adequar o ensino a realidade.
É importante notar que diferentes
tipos de estudantes podem começar o ciclo de aprendizagem em diferentes
lugares. A aprendizagem não precisa necessariamente começar sempre com uma
experiência concreta. Independentemente do estágio em que a aprendizagem
começa, porém, Kolb argumenta que a aprendizagem mais abrangente envolve todos
os quatro estágios de aprendizagem. A estrutura do ciclo de aprendizagem para
que seja eficaz não necessariamente deve seguir a sequência lógica que a mesma
apresenta, devido ao facto de cada educando na sua qualidade de ser adulto tem
seu ritmo de aprendizagem que os difere uns aos outros.
Kolb
(1971, 1984) identificou quatro estilos de aprendizagem que estão associados a
diferentes abordagens à aprendizagem Divergente, Assimilativo, Convergente e Acomodativo.
Ø Divergente : Um indivíduo com um estilo divergente tem a Experiência Concreta e a Observação Reflectiva como as competências dominantes de aprendizagem. Pessoas com este estilo de aprendizagem possuem mais competências na análise de situações concretas a partir de pontos de vista diferentes. É denominado de “Divergente” porque a pessoa que o possua obtém um desempenho superior em situações onde é necessário gerar ideias, como é o caso das sessões de brainstorming. Em situações formais de aprendizagem, pessoas com este estilo preferem trabalhar em grupo, ouvem com espírito aberto e recebem feedback personalizado.
Ø Assimilativo: Um indivíduo com um estilo predominantemente
assimilativo tem a Conceptualização Abstracta e a Observação Reflectiva como
competências dominantes de aprendizagem. Pessoas com este estilo de
aprendizagem compreendem melhor um vasto leque de informação transformando-a
numa forma lógica e numa ideia concisa. Indivíduos com este estilo estão menos
focados nas pessoas e são mais interessadas em ideias e em conceitos
abstractos. Geralmente, consideram mais importante a parte teórica do que o
valor prático da informação. Em situações formais de aprendizagem tendem a
preferir palestras, explorar modelos analíticos.
Ø Convergente:
Pessoas com um estilo convergente têm a Conceptualização Abstracta e a
Experimentação Activa como competências dominantes de aprendizagem. Estes
indivíduos tendem a ter facilidade em encontrar uma aplicação prática para as
ideias e teorias. Possuem uma elevada capacidade para resolverem problemas e
tomarem decisões baseadas nas soluções para as questões ou desafios. Preferem
lidar com tarefas e problemas técnicos do que com questões de natureza social
ou interpessoal. Em situações formais de aprendizagem tendem a preferir
situações práticas de experimentação, simulação, etc.
Ø Acomodativo
: Um indivíduo com um estilo ‘acomodativo’ tem a Experiência Concreta e a
Experimentação Activa como competências dominantes de aprendizagem. Estas
pessoas tendem a preferem desenvolver planos e envolverem-se em situações
inovadoras e desafiantes, apresentando uma tendência para agir baseando-se nos
sentimentos em detrimento da análise lógica. Na resolução de problemas,
indivíduos com este tipo de estilo de aprendizagem tendem procurar informação
nas outras pessoas mais do que se guiarem no seu conhecimento. Em situações
formais de aprendizagem, tendem a preferir o trabalho em equipa, a definição
clara de objectivos, o trabalho de campo e testar diferentes abordagens para
levar a cabo o projecto em que se envolvem.
O Papel da Experiência na Educação
de Adultos
Actualmente, as abordagens sobre a aprendizagem experiencial tem sidos desenvolvidas por um vasto número de autores, sob o ponto de vista da educação e da construção ou formação do conhecimento. Para que a experiência seja formadora, é necessário que esta seja: Reconstruída - Modificada - Reorganizada.
Este processo necessita de um trabalho reflexivo, que coloca em jogo duas
operações mentais diferentes mas interligadas: a apreensão da experiencia e a
sua transformação, tal como foi evidenciado por Kolb.
A apreensão esta ligada á compreensão, enquanto a transformação consiste
no processo de interiorização e exteriorização. A dimensão formadora da
experiência depende em grande parte dos recursos culturais que permitem a
atribuição de sentido. A experiencia para ser formadora deve ser construída e
reflectida. Neste sentido, os saberes vão-se construindo a partir das
experiencias de vida, habilidades e competências pessoas do adulto é o educador
terá de auxiliar essa aprendizagem de forma que o educando seja activo,
reflexivo e critico sobre seu meio e sobre os novos conhecimento, visto que é
um ser que sabe o que quer aprender, e a experiencia estimula essa vontade de
aprender e a apreensão do conhecimento torna-se eficiente.
De acordo com as perspectivas do método de Paulo Freire, o meio onde o
individuo se insere, considerando em todas as suas vertentes contribui
consideravelmente para o processo de formação. É através da experiência que o
individuo estabelece a sua relação com o mundo, com os outros e constrói a si
próprio.
Torna-se necessário identificar, por um lado quais são as experiencias
que contribuíram para o desenvolvimento das habilidades na vida do adulto, e
procurar por outro lado, a relação entre os saberes que se adquirem formalmente
e os saberes que são construídos em situações experienciais. Tendo em conta a
abordagem no contexto da aprendizagem da própria história dos adultos, as suas
qualidades pessoais, sócio-culturais, profissionais, ao valor que se atribui a
sua experiência e o seu percurso de vida.
O papel da experiência é construir novos conhecimentos, tendo como base a
realidade do adulto, e tornar o aluno activo, reflexivo e critico-construtivo,
na formação do seu conhecimento.
Método de Educação de Adulto que se adequa a Aprendizagem Experiencial
A metodologia de Paulo Freire foi inovadora por considerar as experiências do aluno no processo de alfabetização
O método freiriano de alfabetização consiste em usar as experiencias adquiridas ao longo da vida do adulto, como forma de construir e transmitir novos conhecimentos, e para melhor compreender o mundo. Esse método tende a adequar o ensino a realidade e não ao contexto, o que interliga o método a aprendizagem experiencial isto porque ao adequar o ensino a realidade estaríamos indo ao encontro das experiências e habilidades e adquiridas pelo adulto ao longo da vida.
No Método Paulo Freire o processo educativo ocorre e está centrado na mediação educador-educando. Ao educador cabe mostrar ao educando que ele traz consigo uma gama conhecimentos oriundos de suas experiências e ao educador é incumbida a tarefa de auxiliar na organização desses conhecimentos, relacionando os saberes trazidos pelo educando com os saberes escolares. Assim, o aluno/educando melhora progressivamente sua autoestima, conseguindo participar mais ativamente do processo de aprendizagem; consequentemente, maior será a autonomia e maior será também a perspectiva de participação ativa na sociedade.
Segundo Paulo Freire, educar é humanizar. Educar é o ato de aperfeiçoar as pessoas, pois se o ser humano nascesse perfeito, ele não precisaria ser educado. Por isso, educar é também reconhecer que a natureza humana é incompleta e que precisa ser aperfeiçoada. Além disso, no conceito freireano, os humanos são educados em contato com outros, sendo mediados por algum objeto de conhecimento, no caso, a própria realidade vivida por eles. Dessa maneira, o dia a dia do aluno é um aspecto central no processo de alfabetização. Além disso, educar não é apenas o ato de ensinar aspectos formais e técnicos, mas é também desenvolver a capacidade de compreensão sobre a realidade para que ela seja transformada. Assim, o ato de educar não é instrumentalizar o aluno, mas qualificá-lo para a compreensão da realidade e para a ação no contexto em que ele está inserido.
Paulo Freire desenvolveu mais uma proposta de alfabetização do que um método, já que a dinâmica proposta por ele deve ser reformulada de acordo com cada turma, não sendo, então, um método fechado, com padrões pré-definidos. Nesse sentido, a educação freireana possui conceitos centrais a partir dos quais a educação, em geral, e a alfabetização, em específico, devem ser desenvolvidas. Na proposta/método freiriana é realizado uma dinâmica na qual o professor incentiva os alunos a falarem sobre as próprias vidas e experiências, o que ajuda o professor a identificar o vocabulário dos alunos, além de incentivar o diálogo entre todos.
Após essa etapa, o professor deve definir o material que será usado no processo de alfabetização desse alunos. Esse círculo possuí, então, as três etapas citadas por Paulo Freire, já que é feita uma identificação do vocabulário da turma, seguido de uma tematização, por meio de uma conversa entre os alunos e o professor, e se encerrando com uma problematização sobre o mundo que chama os alunos para a ação.
Etapas do método:
Ø Etapa
de Investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras
e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular
e da comunidade onde ele vive.
Ø Etapa
de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através
da análise dos significados sociais dos temas e palavras.
Ø Etapa
de Problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno
a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.
Ao trabalhar a aprendizagem dessa maneira, o método inova ao promover a horizontalidade na relação educador-educando, a valorização da sua cultura e da sua oralidade. Partindo dos princípios de que o educando é sujeito da própria aprendizagem e de quando ele chega à escola já possui um conhecimento de sua língua e de sua cultura, promove uma aprendizagem que ocorre coletivamente e se dá no conflito entre o conhecimento antigo e o novo conhecimento.
Considerações Finais
Um dos aspectos fundamentais
da aprendizagem experiencial é a importância dada à reflexão. A reflexão ajuda
a problematizar, e ser capaz de problematizar torna o sujeito capaz de aprender
a aprender. Cada vez mais o controlo da aprendizagem pela própria pessoa é necessário
para o desenvolvimento das pessoas e das organizações.
A experimentação é vital para se
estabelecer relações entre teoria e prática, realidade e o contexto dos
programas de ensino padronizados, visando promover o desenvolvimento
profissional, com a experiência concreta, idéias, valores, crenças e histórico
pessoal de aprendizado são peças fundamentais para a educação de adultos,
valorizando suas experiências o aluno torna-se activo e reflexivo.
A experimentação activa é resultante
de reorientações da acção, em que “aprender é examinar as hipóteses,
experimentando-as, incorporando-as ou modificando-as em função das novas
situações de experiência”.
Se
um eixo importante da formação de adultos passa em grande parte pela
experiência, é fundamental saber identificar e valorizar esta experiência. Ao abordar as experiências formadoras,
aborda-se a própria história dos individuos, as suas qualidades pessoais ,
sócio culturais, profissionais, o valor que se atribui às suas experiencias e
ao seu vivido.
Em suma, a prática não vem necessariamente após a teoria, sendo imprescindível alternar acção e reflexão. Neste sentido é crucial pensar que, na construção de um programa de aprendizagem experiencial, umas das mensagens mais importantes, é transmitir que os verdadeiros instrutores de adultos devem continuamente ligar o conhecimento conceptual e empírico sobre ensinar e aprender. Esta ligação dever ser uma troca mútua de ideias, observações e reflexões críticas entre os profissionais e os investigadores sobre o que ensinamos (conteúdo) e o que fazemos (como) para ajudar os sujeitos a aprender (processo).
Referências Bibliográficas
DEWEY, John. (1959). Como Pensamos. Trad. H. C. Campos, 3. ed. São Paulo: Cia. Ed. Nacional.
https://andragogiabrasil.com.br/metodo-paulo-freire-de-alfabetizacao/ Acessado em 25 de junho de 2021
https://pt.wikipedia.org/wiki/Método_Paulo_Freire Acessado em 25 de junho de 2021
KOLB, D. (1984). Experiential learning. Englewood Cliffs. New Jersey: Prentice Hall. Disponivél em : https://learningfromexperience.com/downloads/research-library/experiential-learning-theory.pdf
MARCONI.M. LAKATOS.E (1999). Metodologia do trabalho científico. 7ªed. São Paulo: Atlas editora.
PIMENTEL, A.
(2007). A teoria da aprendizagem
experiencial como alicerce de estudos sobre desenvolvimento profissional. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
SALOMON, Délcio V., (1999).
Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins fontes.
Ciclo de Aprendizagem Experiencial de Kolb – disponível em https://d22dvihj4pfop3.cloudfront.net/wp-content/uploads/sites/27/2019/02/13111431/Kolb_sExperientialLearningCycleforAFS_Friends-Portuguese.pdf Acessado em 10 de junho de 2021
Educação de adultos: de onde viemos e para onde vamos?
Disponivel em https://www.redalyc.org/journal/5527/552756514003/552756514003.pdf Acessado em 15 de agosto de 2021
A Urgência de Educar oara Valores – Disponivel em http://dge.mec.pt/sites/default/files/Esaude/ebookled.pdf Acessado em 25 de junho de 2021
COUTO, Sonia. Método Paulo Freire: princípios e práticas de uma concepção popular de educação. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999. Disponível em: http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/handle/7891/141
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.
FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1999.
