Psicologia do Desenvolvimento e da Educação
Resumo
O
papel do conhecimento psicológico na educação é considerado levando em conta o
passado e as várias perspectivas teóricas da Psicologia, atuando para a solução
de problemas educacionais hoje. O papel da Psicologia na Educação de amanhã não
é uma questão fácil de responder, mas há necessidade de uma concepção
psicológica mais completa sobre a natureza humana.
O
objectivo deste ensaio é de apresentar parte dos diversos assuntos que
envolveram os estudos da Psicologia do Desenvolvimento e da Educação
Introdução
Ao
longo da história da psicologia, o objeto a que a psicologia se propunha a
estudar foi constantemente modificado. Coexistiram variadíssimas correntes
científicas que pretendiam explicar o conceito de Ser Humano e estudar todos os
processos mentais nele existentes. Porém houve algo que todas as teorias
seguiram: a psicologia deveria estudar o comportamento.
A
Psicologia está fundamentada por métodos científicos baseados em fatos
empíricos, experimentações e análises teóricas sobre os processos da mente e do
comportamento humano, portanto trata-se de uma Ciência!
A
psicologia não é senso comum e não pode assumir qualquer tipo de dogmatismo!
Visto
que compreende e explica os fenômenos humanos a partir de modelos e teorias
consistentes, com o compromisso de apresentar respostas que contribuam com
transformações individuais e sociais.
A
Psicologia, não diferentemente das demais ciências, também é capaz de
descrever, controlar e prever, estando sujeita a falhas; é apta a obter
conhecimentos científicos, na condição de falseáveis; encontra verdades
temporárias; sugere demarcações e contextualizações históricas em estudos.
Sendo
assim, o mais importante, e que deve ser ressaltado, não é então a
quantificação, e nem mesmo a exatidão de resultados, mas sim o reconhecimento
de que o conhecimento ao qual se busca poderá sempre ser modificado. Enquanto
ciência humana, desta maneira, a(s) Psicologia(s) deve(m) deixar sempre claro o
recorte epistemológico que está (ão) lidando, a teoria utilizada e a
metodologia, devido às suas especificidades e diversas possibilidades,
considerando os possíveis aspectos a serem analisados, como o ser, o
comportamento humano, a cultura, e todas suas tantas possibilidades de
envolvimento.
É
preciso ainda reconhecer neste campo de saber a necessidade específica de
estudar o que há de mais dinâmico, produzindo conhecimento justamente neste
sentido. É desta maneira que podemos compreender a afirmação de que fazer
ciência não é somente responder questões, mas, sobretudo, é produzir questões
(considerando que só as produz quem conseguiu realizar alguma compreensão, aqui
epistemologicamente falando).
Diante
da dúvida de classificar a psicologia como uma ciência ou não, já sei
que a resposta é um confiante sim. Não podemos cair no erro de negar as
evidências e tentar frear o avanço científico nessa disciplina, que é tão
importante para entendermos a nós mesmos tanto a nível individual quanto a
nível de sociedade.
Na
afirmação da nova ciência, a Psicologia define o seu objecto, e estabelece o
seu método de trabalho. Os diferentes ramos da psicologia resultam de
diferentes modos de abordagem do comportamento humano.
Estes
métodos são:
Introspecção
no sentido restrito da palavra propõe o conhecimento das emoções através da
observação interna e reflexão por parte do próprio sujeito. O indivíduo é ao
mesmo tempo sujeito do conhecimento e objecto de estudo num processo de auto-observação. A Introspecção controlada implica a
presença de observadores externos e estruturação da descrição das emoções. É defendido pela corrente associacionista
de modo a permitir o estudo das emoções e estados da consciência de uma forma
sistemática: orienta-se para o estudo do consciente.
Obs: Este método foi desvalorizado por não conseguir evitar o
subjectivismo; Apesar destas
limitações este método permite o estudo dos pensamentos e uma tomada de
consciência dos actos pelo que se continua a utilizar, embora em contextos
diferentes dos propostos por Wundt.
Desde
a Introspecção ao método clínico, o estudo da psicologia passa pela observação
dos fenómenos psíquicos. A realização da observação isolada do método
experimental sucede por, em determinadas ocasiões e por motivos práticos ou
deontológicos, não ser possível o recurso ao método experimental. Contudo é sempre possível estabelecer
hipóteses e recorrer a técnicas de observação que permitam a verificação das
hipóteses sem passar pela experimentação.
As
condições em que essa observação é produzida levam a identificar diferentes
formas:
a) Laboratorial
- Produzida em condições controladas
b) Naturalista
- Elaborada no meio natural em que se desenrola a situação
c) Invocada
- Realizada a partir de situações ocasionais e em que as condições não são
controladas nem previstas
Obs: Esta técnica de observação tem um grau de
objectividade menor, especialmente a última estratégia, permite pelo contrário
o estudo nas condições reais de uma situação sendo ainda extremamente prática.
O
Método Experimental baseia-se no método científico comum à maioria das
ciências. É defendido pelo Behaviorismo mas utilizado por outras correntes de
psicologia. O seu objectivo é permitir conhecimentos sobre comportamentos
comuns a um grupo de pessoas.
Esta
foi a técnica mais utilizada para o estudo do cérebro mesmo ainda antes da
existência de aparelhos modernos.
Não
é um método de pesquisa nem pretende descobrir leis do comportamento mas
constitui-se como uma série de procedimentos de diagnóstico e tratamento de
pessoas com problemas de comportamento e /ou emocionais.
Deste
modo o estudo desenvolve-se sobre um único indivíduo ao longo de determinadas
fases.
a-
Anamnese - Levantamento da história
individual do paciente, recorrendo a fontes externas e trazendo à memória
informações perdidas. Esta fase permite elaborar algumas hipóteses de trabalho
que vão condicionar a fase seguinte
b-
Entrevista - Colocação de questões ao
paciente na tentativa de seleccionar hipóteses a partir das suas respostas
verbais e não-verbais (gestos, reacções, etc.)
c-
Observação - Estudo dos comportamentos do
paciente no seu ambiente natural de modo a confirmar a hipótese seleccionada
d-
Testes - Realização de testes de
personalidade (do tipo projectivo) de modo a certificar as conclusões. Note-se
que estes testes podem ser igualmente utilizados no início do processo de modo
a fornecer informações.
A partir da confirmação
da hipótese deduz-se qual o tratamento a desenvolver.
É encontrado a aplicação deste método
em Piaget e em Kholer
Com o objectivo de
conhecer o inconsciente Freud Estabelece um conjunto de procedimentos que nos
podem fornecer informações sobre o inconsciente do paciente, responsável pelos
seus distúrbios.
a-
Hipnose - Induzir o paciente, através de
uma sugestão intensa, num estado
semelhante ao sono mas no qual é possível estabelecer a comunicação com o
hipnotizador e ser sugestionado, podendo assim revelar memórias ocultas ou ser
condicionado para determinada acção ou comportamento.
b-
Interpretação dos sonhos - Os sonhos
apresentam imagens figurativas de recalcamentos, ansiedades e medos, que depois
de interpretados vão permitir ao psicanalista confirmar os resultados das suas
investigações sobre problemas de comportamento apresentados pelo paciente. É o
meio de exploração mais seguro dos processos psíquicos pelo que acaba por
abandonar a técnica da hipnose.
c-
Actos falhados - fenómenos ligados a
lapsos de linguagem, de escrita, esquecimentos momentâneos de palavras. São
acidentes de carácter insignificante e de curta duração.
d-
Transfert - Transferência inconsciente
para a figura do psicanalista de sentimentos de ternura ou de hostilidade
(transfert positivo ou negativo) actualizando situações reprimidas e esquecidas
de forma a que o psicanalista possa detectar as razões do conflito
inconsciente. É um processo de catarse, descarga psíquica, restabelecendo a
relação entre a emoção e o objecto que inicialmente a despertou.
Estas
técnicas, indirectas, permitem que o próprio paciente tome consciência dos seus
problemas, só assim sendo possível a sua cura.
Por
seu lado a Hipnose, que não permitia a tomada de consciência do problema pelo
paciente, vem a ser abandonada.
Os fundamentos da Psicologia do
Desenvolvimento
(em relação às etapas do desenvolvimento do indivíduo)
Psicologia
do Desenvolvimento é uma disciplina que se dedica a estudar as mudanças – ou a
ausência delas – que atingem as pessoas no decorrer de suas vidas.
Parte
desse campo a máxima de que todo ser humano passa por algumas fases ao longo de
sua existência, marcadas, principalmente, por períodos de grandes
transformações, também chamados de períodos de transição rápida.Porém, uma das
definições mais bem aceitas nos dias de hoje foi pensada pelo biólogo suíço
Jean Piaget, uma das maiores referências na área de desenvolvimento humano. Segundo
descreve o livro “Psicologia do Desenvolvimento”:
“O
desenvolvimento humano, portanto, é um processo de equilibração progressiva,
uma passagem de um estado de menor equilíbrio para um estado de maior
equilíbrio. Isto ocorre no âmbito da inteligência, da vida afetiva, das
relações sociais, bem como no organismo de um modo geral. Constantemente, temos
necessidades ou motivos que nos levam a agir no ambiente em que estamos, a fim
de alcançarmos um equilíbrio.”
Dependendo
da perspectiva e da fonte utilizada para estudos, pode haver grandes diferenças
entre desenvolvimento e aprendizagem. O próprio Jean Piaget diferencia os dois
termos em sua obra “Desenvolvimento e aprendizagem”, publicada em 1972. Para o
autor, o desenvolvimento do conhecimento se refere a um processo espontâneo que
conduz ao amadurecimento do corpo, mente e sistema nervoso. Assim, um bebê só
completa esse processo quando chega à idade adulta, atingindo o ápice de seu
desenvolvimento. A aprendizagem, por outro lado, é causada por situações,
eventos e experiências externas, incluindo a apresentação de um conteúdo novo
por um professor, o contato com uma cultura, até então, desconhecida, ou a
realização de um experimento científico. A conclusão de Piaget é que ambos são
opostos, uma vez que o desenvolvimento do conhecimento é espontâneo, enquanto a
aprendizagem é provocada.
Em
suma, a Psicologia do Desenvolvimento possui três finalidades principais.
1. A
primeira está no reconhecimento da origem das condutas, sejam elas cognitivas,
sociais, afetivas ou psicomotoras.
2. A
segunda corresponde à identificação de mecanismos que provocam respostas e, por
consequência, determinados padrões de comportamento.
3. A
terceira utiliza esses conhecimentos para delimitar fases de desenvolvimento,
revelando características comuns a cada uma.
TEORIAS PSICOLÓGICAS DO
DESENVOLVIMENTO
As teorias psicológicas
apresentam perspectivas diferentes do desenvolvimento humano, ou seja,cada uma
delas observa, descreve e explica os mecanismos psicológicos que atuam nos
fenômenos comportamentais utilizando para isso, referenciais diferentes.
Teorias psicológicas do
desenvolvimento
Biológica
Ø Teoria
da Maturação (Arnold Lucius Gesell / 1880-1961);
Ø Teoria
Etológica (John Bowlby / 1907-1990).
Psicodinâmica
Ø Teoria
Psicossexual (Sigmund Freud / 1902-1939);
Ø Teoria
Psicossocial (Erik Erikson / 1902 – 1994);
Ø Teoria
da Construção do Ego (René A. Spitz / 1887-1974).
Humanista
Ø Teoria
da Auto-regulação (Abraham Maslow / 1908-1970);
Ø Teoria
da Psicologia centrada na pessoa (Carl Rogers / 1902-1987).
Aprendizagem
Ø Teoria
do Behaviorismo (Ivan Pavlov / 1849-1936; John Watson / 1878-1958);
Ø Teoria
do Condicionamento Operante (B. F. Skinner / 1904-1990);
Ø Teoria
do Behaviorismo Social (Albert Bandura / 1925-)
Cognitivo-desenvolvimental
Ø Teoria
Construtivista (Jean Piaget / 1896-1980);
Ø Teoria
da Psicologia da Pessoa Completa (Henri Wallon / 1879-1962).
Contextual
Ø Teoria
Sociocultural (Lev Semionovich Vygotsky / 1896-1934);
Ø Teoria
Bioecológica (Urie Bronfenbrenner / 1917-2005).
“Por isso, não falamos em
psicologia e sim em “psicologias” que nos oferecem diferentes maneiras
de compreendermos o
desenvolvimento humano.” (Bock, 2000).
Uma breve explicação sobre algumas
destas teorias
Teoria
psicanalítica de Freud: Famosas, as ideias de
Sigmund Freud evidenciam os aspectos emocionais do desenvolvimento, destacando
sua influência no comportamento natural a cada fase da vida. O neurologista e
pesquisador rompeu a concepção racionalista ao afirmar que a maior parte das
atividades da mente humana é de ordem inconsciente, profundamente impactada por
fatores afetivos. Em 1923, a obra “O ego
e o id” formalizou sua teoria de divisão para a mente, composta por id, ego e
superego. O id ou inconsciente é definido como uma força propulsora, não
socializada e que busca pelo prazer incondicional da pessoa, sendo movido pela
libido ou energia da pulsão sexual.
O
ego seria a parte mais superficial, responsável pelas interações entre
indivíduo e meio, enquanto o superego atua como controlador dos impulsos do id
e intenções do ego. Segundo a psicanálise, o desenvolvimento ocorre em resposta
à procura por satisfação, direcionada pela libido desde que o ser humano
nasce. Assim, a cada etapa do
desenvolvimento, o indivíduo se concentra em uma parte do corpo e em ações que
lhe dão mais prazer. Um exemplo é a fase
oral, na qual os bebês concentram a libido na região da boca, já que a
alimentação e o contato com chupetas, mordedores, etc., os deixa satisfeitos.
Behaviorismo: Procurando no dicionário, esse campo de
estudo é descrito como:
“Teoria
e método de investigação psicológica que procura examinar de modo mais objetivo
o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos
e reações), sem fazer recurso à introspecção.”
O
behaviorismo acredita, então, que os comportamentos mudam a partir de
alterações ambientais, sendo o estímulo uma mudança no ambiente, e a reação,
uma mudança realizada pelo indivíduo. Sua contribuição para a Psicologia do
Desenvolvimento se encontra na descoberta de que é possível alterar padrões de
comportamento.
Um
dos principais representantes da teoria cognitiva, Vygotsky tem uma visão diferenciada
do desenvolvimento humano, considerando as pessoas como construtoras de sua
realidade ou representação interna do mundo em que vivem. Um dos destaques de
seus estudos é a perspectiva de que, para construir seus conhecimentos, o
indivíduo interage com o meio e o momento histórico em que se insere.
Jean
Piaget e a Psicologia do Desenvolvimento Infantil: Seu trabalho se concentrou em como se dá
a construção do conhecimento, ou seja, quais processos estão por trás da
evolução na estrutura do pensamento do ser humano. Para responder a essa
questão, o autor estudou a fundo o comportamento durante as primeiras fases da
vida humana, chegando a quatro estágios de desenvolvimento cognitivo, desde o nascimento
até a adolescência. De acordo com sua tese, o conhecimento é construído a
partir de um sistema que busca se equilibrar, assimilando e acomodando
novidades de maneira cíclica. Na
assimilação, a pessoa entra em contato com o mundo exterior e aprende
informações novas, que serão agregadas ao seu repertório. Em seguida, ocorre a acomodação, na qual
essas informações são confrontadas com o que a pessoa já sabia e, a partir
desse confronto, ocorre uma mudança na estrutura de seu pensamento – a
construção de um novo conhecimento e
consequente avanço cognitivo.
Os
quatro estágios formulados por Piaget.
1- Período
sensório-motor : Começa
com o nascimento e se estende até cerca de dois anos de idade. No início da vida, os bebês se restringem a
desempenhar movimentos reflexos, como a sucção, para que consigam se alimentar.
Mas, com o tempo, aprimoram seus movimentos e incorporam outros objetos, além
do seio materno, à sua rotina de sucção, indicando diferenciação entre seu
corpo e o mundo exterior.
2- Período
pré-operatório : É compreendido entre 2 e 7 anos, começando
quando a criança aprende a falar. Esse é
um marco muito importante, pois permite que meninos e meninas expressem seus
pensamentos e emoções, embora ainda vejam o mundo de modo egocêntrico. Seu aprendizado é fundamentado por vivências
e objetos que conhecem.
3- Período
operatório concreto: Definido entre 7 e 11 a 12 anos, é
caracterizado pela construção de estruturas lógicas e redução do egocentrismo,
possibilitando o trabalho em grupo e colaboração.
4- Período
operatório formal- Época em que se inicia a adolescência, é
nesse período que o indivíduo se torna capaz de exercitar a reflexão, criar
hipóteses e deduções. Também amplia sua capacidade de raciocínio, solucionando
equações com muitas variáveis ou analisando temas complexos com sucesso.
As
teorias e estudiosos que comentamos acima permitiram a descoberta de quatro
fatores principais que influenciam a maturação do indivíduo. São eles:
A- Hereditariedade:
consiste em genes repassados pelos pais, que determinam o desenvolvimento de
cada um. Dependendo das experiências e do ambiente, eles podem, ou não, se
manifestar
B- Crescimento
orgânico: a maturidade física dá ao adolescente/adulto
possibilidades que ele não tinha quando criança
C- Maturação
neurofisiológica: corresponde às habilidades necessárias
para dominar novos conhecimentos, como a capacidade de falar ou andar
D- Ambiente:
reúne todos os estímulos externos, tanto do local onde o indivíduo vive quanto
das pessoas de sua convivência.
Construtivismo – Jean Piaget
O
Construtivismo pode ser caracterizado como uma corrente de pensamento que
ganhou espaço, especialmente no campo das teorias pedagógicas, inspirada na
obra de Jean Piaget (1896-1930), biólogo suíço reconhecido por dedicar sua obra
ao entendimento dos processos de aquisição do conhecimento humano. Os conceitos
piagetianos mais fundamentais fazem referência aos mecanismos de funcionamento
da inteligência e a constituição/construção do sujeito a partir de sua
interação com o meio. Nessa perspectiva as estruturas cognitivas do sujeito não
nascem prontas, motivo pelo qual o conhecimento repousa em todos os níveis onde
ocorre a interação entre os sujeitos e os objetos durante o seu processo de
desenvolvimento.
Apesar
de não ser um educador Piaget elaborou uma teoria do conhecimento acerca do
desenvolvimento da inteligência, deixando valiosas contribuições quando
interpretamos sua obra com vistas à prática pedagógica e das quais a teoria
construtivista se apropriou. A principal delas é a de que a educação deve
possibilitar à criança seu pleno desenvolvimento durante todos os estágios de
maturação da inteligência – que se inicia no nascimento, com reflexos
neurológicos básicos (estágio sensório-motor) e caminha até o início da
adolescência, com o desenvolvimento do raciocínio lógico (estágio operatório
formal). No campo educacional isto significa levar em consideração os esquemas
de assimilação e acomodação da criança, promovendo situações didáticas
desafiadoras que provoquem os conflitos cognitivos responsáveis pela construção
do conhecimento através da participação ativa do sujeito cognoscente.
A
grande contribuição do Construtivismo, pautado na obra de Piaget e na aplicação
pedagógica das teorias construtivistas, em relação à educação é a de que a
aprendizagem não acontece de forma passiva pelo aluno, cabendo ao professor a
tarefa de criar possibilidades enquanto sujeito mediador da aprendizagem e
promover situações problema que permitam o conflito e consequentemente avanço
cognitivo de cada aluno na sua individualidade, promovendo o desenvolvimento
das estruturas de pensamento, raciocínio lógico, julgamento e argumentação.
IMPLICAÇÕES DAS CONCEPÇÕES TEÓRICAS
DE WALLON, PIAGET, VYGOTSKY E SKINNER NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
As
práticas pedagógicas se baseiam em modelos ou concepções teóricas que auxiliam
o professor a melhor ensinar e preparar suas aulas, sendo que algumas teorias
se desenvolvem em tempos simultâneos com perspectivas e direções diferentes.
No
Behaviorismo, o processo de aprendizagem e conhecimento decorre da relação
estímulo-resposta (S-R) e das ações praticadas pelas crianças, tendo como
objetivo a aquisição de novos comportamentos ou a mudança dos já existentes;
pois o ensino decorre da adaptação e planejamento de reforços através dos quais
o aluno é levado a adquirir ou modificar uma conduta.
Conforme
afirmam Coutinho e Moreira (1998, p. 58-9),
[...]
As teorias do condicionamento, cada qual com suas especificidades, procedem a uma
abordagem molecular do comportamento humano que, embora consiga explicar algumas
dimensões da conduta, não esclarece processos mais amplos, como a formação das
funções psicológicas superiores, tipicamente humanas.
Assim,
o behaviorismo deu contribuições eminentes na educação com controle e organização
das situações de aprendizagem, elaboração de tecnologias de ensino, métodos de instrução
e ensino programado em computadores que trouxe muitos avanços no processo de aprendizagem
para testes em concursos, vestibulares e simulados eletrônicos.
Para
Piaget (1999), no Construtivismo a aprendizagem só
ocorre mediante a consolidação das estruturas de pensamento, portanto a
aprendizagem sempre se dá após a consolidação do esquema que a suporta, da
mesma forma a passagem de um estágio para outro da criança estaria dependente
da consolidação e superação do estágio anterior. Sendo assim, a aprendizagem em
si nada mais é do que a substituição de uma resposta generalizada por outra
mais complexa. Com base em Piaget, para Coutinho e Moreira (1998, p. 122), “a
criança (sujeito)constitui com o meio (objeto) uma totalidade”; quando esse
meio é a escola, o processo de ensino-aprendizagem deve propiciar à criança a
capacidade de desenvolver seu conhecimento cognitivo e afetivo, em que suas
demais aptidões para cada tipo de disciplina específica presente no sistema de
ensino e suas fases e processos pedagógicos surtam efeitos para que tenha uma
boa formação.
Para
Wallon, a aprendizagem está relacionada com o
desenvolvimento da individualidade como unidade afetiva e cognitiva dos
sujeitos. O estudo do desenvolvimento humano deve ser feito na sucessão das
etapas e dos conflitos no decorrer da vida, sendo a linguagem e a cultura que
fornecem ao pensamento as ferramentas para a sua evolução; a sua interação com
o mundo biológico não depende apenas do seu amadurecimento intelectual, mas de
habilidades mais complexas para interagir com a cultura existente entre o sujeito
e seu meio.
Segundo
Vygotsky (1998), a aprendizagem sempre inclui relações
entre pessoas. Ele defende a ideia de que não há um desenvolvimento pronto e
previsto dentro de nós que vai se atualizando com passar do tempo. O
desenvolvimento é pensado como um processo em que estão presentes a maturação
do organismo, o contato com a cultura produzida pela humanidade e as relações
sociais que permitem a aprendizagem.
Vygotsky
é considerado como um dos principais interacionistas que estudaram as funções
psicológicas dos indivíduos; relacionou a ação da criança como transformadora
de suas relações com os conteúdos estudados e, enquanto estas são constitutivas
de sua inteligência, é capaz de formar sua personalidade. O professor pode ser um
mediador do ensino e aprendizagem através da ZDP, que é a distância entre o
nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. Assim,
para Vygotsky, segundo Vasconcellos (1995, p. 15), “o surgimento da
consciência se dá através das ações do indivíduo no mundo e da interiorização
transformadora da fala e dos símbolos culturais”. A atividade do aluno,
além de ser capaz de criar novas conexões e elaborações no nível de certos
conteúdos, favorece, assim, o crescimento de procedimentos intelectuais
superiores que envolvem análise, síntese, abstração, decodificação e
generalização. Com base em Vygotsky (1998, p. 47), ressaltamos:
A
linguagem não depende necessariamente do som. Há, por exemplo, a linguagem dos surdos-mudos
e a leitura dos lábios, que é também interpretações de movimento. Na linguagem
dos povos primitivos, os gestos têm um papel importante e são usados juntamente
com
o som. Em princípio, a linguagem não depende da natureza do material que
utiliza.
Portanto,
de acordo com o que destaca Vygotsky, a relação indivíduo-sociedade
não
tem de imediato característica tipicamente humana, pois, desde o dia em que o
indivíduo nasce e passa a conhecer a dialética do homem e seu meio
sociocultural, pode notar
as
transformações que ocorrem para atender a si mesmo e às suas necessidades
básicas para
sua
existência.
Assim,
o homem se caracteriza por uma sociabilidade primária. “A mesma ideia foi
expressa
por Henri Wallon, de um modo mais categórico: ele [o indivíduo] é geneticamente
social
(Wallon, 1959)” (IVIC, 2010, p. 15).
Paulo Freire e a Psicologia da
aprendizagem
A dialogicidade em
educação a pedagogia de Paulo Freire
A
pedagogia de Paulo Freire é essencialmente voltada para o camponês, para o
operário, para todos aqueles oprimidos por estratégias de controle e submissão.
Para ele, educar é uma tarefa inteiramente política e revolucionária,
fundamentada na crença na dialogicidade como via de estabelecimento da
libertação e da transformação. O reconhecimento da alteridade é o que cria a
possibilidade do diálogo. A anulação das diferenças não permite diálogo;
portanto, uma intervenção pedagógica pautada na obra de Paulo Freire é baseada
na convicção de que o novo surge somente do encontro entre diferentes que
apresentem uma disponibilidade mútua para a ação criativa.
Com
seu método de alfabetização, o alcance de uma leitura crítica das relações no
mundo por parte do educando, em que ele pudesse sair da passividade para uma
atitude transformadora a fim de se tornar um sujeito histórico. Sua preocupação
era com o sujeito como parte de um contexto relacional grupal, não apenas em
sala de aula mas também dentro de todo o contexto de convivência e de cultura
que interfere na constituição de sua subjetividade e que é também por ele
constituído.
O
método pedagógico de Paulo Freire consiste na compreensão de que educar é
permitir ao homem ser sujeito, agindo pela transformação do mundo através de
relações de reciprocidade. Para ele, o objetivo da educação é provocar uma
atitude crítica comprometida com a ação. O educando, portanto, aprende a falar
falando, a agir, agindo e a transformar, transformando-se. A permanente
possibilidade de transformação do aluno e do professor requer um ensino
transformador e em transformação. Afinal, se nos baseamos em uma concepção de
que a inconclusão, a incompletude do sujeito é o que permite a educabilidade, a
educação não pode limitar-se a conteúdos fechados em si mesmos.
Para
Freire, a educação seria um grande caminho para a mudança social, para a
formação de sujeitos históricos, atores e autores de seus processos históricos
cotidianos de emancipação coletiva e individual. De acordo com Freire (1980, p.
36):
A
educação das massas se faz, assim, algo absolutamente fundamental entre nós.
Educação que, desvestida da roupagem alienada e alienante, seja uma força de
mudança e de libertação. A opção, por isso, teria de ser também, entre uma “educação para a domesticação, para a alienação”, e uma
educação para a liberdade. “Educação
para o homem-objeto ou educação para o homem-sujeito.
Assim,
a partir da Educação Libertadora, são fundamentais redefinições nas relações de
poder entre o saber acadêmico e o saber popular, entre o professor e o aluno,
entre o papel de educador e o de educando, entre a ação e a reflexão, entre as
diferenças e os contrastes dos participantes, entre os sujeitos cognoscentes e
os objetos cognoscíveis.
Como a neurociência contribui para
a educação dos alunos
Ao
desvendar o funcionamento da mente, fica mais fácil superar os desafios da
educação e estimular os estudantes a aprenderem cada vez mais, de maneira
prazerosa e motivada.
A
neurociência é o estudo do sistema nervoso, aquele que coordena as ações do
organismo. É uma ciência interdisciplinar, que se relaciona com diferentes
áreas, como: biologia, psicologia, medicina, química, matemática, engenharia,
filosofia etc.
Dessa
forma, entre outras funções, a neurociência ajuda a compreender ações complexas
como pensamento, decisão, atenção, compreensão, interpretação e cálculo. Assim,
pode ser uma excelente maneira de fortalecer o trabalho dos educadores.
Ao
entender como funciona o processo de aprendizagem pelo cerebro, os educadores
conseguem realizar planejamentos de aulas mais assertivos. Isso porque conhecem
as necessidades dos estudantes e os melhores caminhos para oferecerem os
estímulos por meio do ensino. Nesse sentido, a neurociência contribui com todos
os níveis da educação.
Assim,
para que uma pessoa adquira conhecimentos, o cérebro precisa desenvolver três
funções principais:
1- A
memória de trabalho, aquela que guarda e acessa as
informações por um curto período;
2- O
controle inibitório, que resiste às distrações para manter o
foco;
3- A
flexibilidade cognitiva, que é a capacidade de mudar e
adequar os pensamentos à situação.
Durante
o aprendizado, o cérebro muda sua estrutura física e se torna mais funcional.
Dessa forma, novos conhecimentos ajudam a adquirir habilidades para aprender
cada vez mais. A função dos educadores é encontrar os melhores estímulos, que
conquistem a atenção do estudante e tragam motivação.
Um
dos pontos-chave que a neurociência traz para a educação é que as emoções
exercem um papel essencial na aprendizagem. O emocional reforça os caminhos
neurais, estimula o raciocínio lógico e desperta
a criatividade. Por isso, uma sala de aula que seja mais acolhedora, divertida
e afetuosa tende a oferecer uma experiência educacional melhor.
Conclusão
A
psicologia da educação tem como função a produção de saberes relativos aos
fenômenos psicológicos constituintes do processo educativo.
Estudar
psicologia da educação ou psicologia educacional é compreender o processo de
ensino e aprendizagem. Isso vai desde os mecanismos de aprendizagem nas
crianças e adultos (relacionando com a psicologia do desenvolvimento), até a
eficiência das tácticas e estratégias educacionais, assim como o estudo do
funcionamento da instituição escolar enquanto organização (onde se cruza com a
psicologia social).
A
psicologia da educação tem esse papel essencial de verificar os conhecimentos
proporcionados pela psicologia científica. A partir disso, determina quais são
os mais importantes para compreender o comportamento das pessoas no ambiente
educacional. Assim, é possível intervir nesse ambiente para gerar melhorias.
Benefícios
da psicologia da educação
A
partir da psicologia educacional, professores e alunos são auxiliados ao melhor
entendimento do processo de educação. Assim, geram melhores resultados para si
e para a sociedade. Entre os benefícios dos estudos nesse campo, estão os
seguintes.
1.
Compreender os estágios de aprendizagem
A
psicologia ajuda na compreensão de que a vida humana passa por diferentes
estágios de desenvolvimento até atingir a idade adulta. Cada fase implica em
padrões de comportamento característicos. A identificação destes períodos ajuda
os educadores na elaboração do currículo. Assim é possível determinar os
métodos mais adequados de ensino para os alunos em cada um dos diferentes
estágios de aprendizagem.
2.
Conhecer o estudante
A
criança ou o aluno é o fator chave no processo de ensino e aprendizagem. A
psicologia educacional ajuda o professor a conhecer quais são seus interesses,
atitudes, aptidões e outras capacidades e habilidades adquiridas ou inatas. A
psicologia educacional também ajuda na compreensão sobre o estágio em que o
aluno se encontra com relação ao seu desenvolvimento social, emocional,
intelectual e físico. Além disso, leva em consideração o nível de aspiração e o
comportamento consciente e inconsciente do aluno. Com a orientação adequada, o
aluno pode formar uma atitude mais positiva com relação à vida e a si mesmo.
Assim, forma uma personalidade mais integrada e solidária.
3.
Desenvolver a didática de ensino
A
psicologia da educação ajuda o professor a adaptar seu ensino de acordo com o
nível dos alunos e seus processos de aprendizagem. Para que o conhecimento seja
repassado de forma eficiente, é preciso que o professor tenha uma boa didática
ligada a um ensino dinâmico, divertido e saudável. Para conseguir lidar com os
alunos de forma eficaz na classe de aula, o professor precisa ter o
conhecimento das várias abordagens que levam ao processo de aprendizagem, seus
princípios, bem como as leis e fatores que a afetam diretamente.
4.
Entender as diferenças
Os
alunos diferem muito com relação aos níveis de inteligência, aptidões, gostos e
desgostos, além de ter tendências e potencialidades distintas. Existe uma
diferença enorme no grau de aprendizagem numa única sala de aula: há crianças
superdotadas, outras com déficit de atenção, algumas com deficiências físicas e
mentais. O professor deve ser capaz de reconhecê-las para que consiga proceder
de maneira adequada com cada uma delas.
5.
Resolver problemas em sala de aula
Existem
inúmeros problemas que podem surgir numa sala de aula. Alguns deles são: o
bullying, a pressão dos colegas, as colas nas provas, as tensões étnicas, etc.
O psicólogo educacional auxilia o aluno a lidar melhor com estas situações.
Esclarece e instrui o aluno com as mediações para superar o problema. Para
tanto, ele precisa estudar as características dos problemas potenciais em sala
de aula, a dinâmica do grupo, as características comportamentais do aluno e os
possíveis ajustes que serão necessários.
6.
Fornecer orientação e aconselhamento
Hoje
em dia é importante que a criança receba orientação em todas as fases do seu
desenvolvimento. Isso porque as habilidades psicológicas, interesses e
aprendizagem diferem de uma pessoa para outra. O psicólogo educacional também
ajuda o professor a lidar com os seus próprios problemas emocionais. Assim, consigue
otimizar o seu desempenho em sala de aula.
7.
Desenvolver princípios de avaliação
A
avaliação é parte integrante do processo de ensino e aprendizagem. É através
das técnicas de avaliação que o potencial da criança é testada e aprovada. O desenvolvimento
dos diferentes tipos de testes psicológicos para a avaliação do indivíduo é uma
das contribuições da psicologia da educação.
8.
Incentivar uma disciplina positiva e criativa
A
psicologia educacional substituiu o sistema repressivo pelo sistema preventivo.
Os professores passaram a adotar uma abordagem mais cooperativa e científica, a
fim de modificar o comportamento dos alunos. A ênfase é colocada sobre a
autodisciplina através de atividades criativas e construtivas.
Referências bibliográficas:
Internet:
http://www.psicologo-porto.com/psicologia/ acessado em 11 de setembro de 2021
https://mundoeducacao.uol.com.br/psicologia/conceito-psicologia.htm
acessado em 11 de setembro de 2021
https://blog.maxieduca.com.br/psicologia-ciencia-concurso/ acessado em 11 de setembro de 2021
https://amenteemaravilhosa.com.br/a-psicologia-e-uma-ciencia/ acessado em 11 de setembro de 2021
https://psicopedia.webnode.pt/products/metodologias-em-psicologia/ acessado em 11 de setembro de 2021
https://www.vittude.com/blog/psicologia-da-educacao-ensino-e-aprendizado/ Acessado em 19 de setembro de 2021
https://www.scielo.br/j/pcp/a/L4zYzVhPx8Ss3hLyxPqSnqn/?lang=pt Acessado em 19 de setembro de 2021
https://www.sophia.com.br/blog/materiais-educativos/saiba-como-a-neurociencia-atua-a-favor-da-aprendizagem Acessado em 19 de setembro de 2021
https://fia.com.br/blog/psicologia-do-desenvolvimento/ Acessado em 19 de setembro de 2021