Trabalho de Pesquisa -Acção apresentado na 5ª Jornada Científica do ISET – One World, realizada aos 14 de dezembro de 2022 , como resultado da Viajem de Pesquisa-Acção realizado na Província de Inhambane, Distrito de Inhambane , Comunidade de Chamane
(Adaptado pelo autor para ser publicado neste blogger)
Instituto
Superior de Educação e Tecnologia – One World
RELATÓRIO DE
INVESTIGAÇÃO ACÇÃO
Agricultura
Sintrópica como alternativa de melhoria da qualidade do solo e produção para a
Associação de Agricultores da Comunidade de Chumane – Inhambane
Autor: Professor Paulo Sérgio de Souza
Orientador: Professor Doutor Alexandre Cruz
Changalane,
Novembro - 2022
Instituto
Superior de Educação e Tecnologia – One World
DEDICATÓRIA
“Serei eternamente grato a minha mãe Irene de Souza e
ao meu pai Romildo de Souza que sempre estiveram ao meu lado e dedico esse
trabalho a eles. ”
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiro a Deus por ter me mantido na
trilha certa durante este projeto de pesquisa com saúde e forças para chegar
até o final.
Sou grato pelo apoio que sempre me deram, a minha família
e ao meu primo Professor Doutor Alexandre Cruz
EPIGRAFE
A educação é a arma mais poderosa que você pode usar
para mudar o mundo.
Nelson Mandela
Neste trabalho são
apresentadas experiências de um projeto de Investigação-acção desenvolvido com
membros da AACC “Associação de Agricultores da Comunidade de Chamane”,
localizada numa área rural no Distrito de Inhambane.
Através de um processo de
educação não formal, este trabalho foi realizado com o propósito de difundir os
conhecimentos técnicos e práticos de AS “Agricultura Sintrópica” como uma
alternativa de melhoria da produção agrícola de subsistência. Assim, numa
primeira fase realizou–se uma revisão bibliográfica onde desenvolveu-se um
aprofundamento nos estudos teóricos relacionados a ENF “Educação Não-Formal”,
IA “Investigação – Acção”, e Agricultura Sintrópica. Após, seguiu-se para o
distrito de Inhambane e na sequência foi apresentado o projecto no SPAS “Secretaria
Provincial de Assuntos Sociais, na pessoa do Administrador do Distrito, ao
Líder da Comunidade de Chamane, ao Secretário do Bairro e por fim, à AACC. Nesta
perspectiva, formou-se o grupo de investigadores com os membros da associação, que
acompanhou com afinco, esse projecto de IA. Realizou-se uma visita técnica às
áreas de produção de subsistência da associação, para observar as técnicas
usadas para o manejo do solo e produção agrícola. Após uma avaliação técnica, planificou-se diversas
actividades para implementação de AS, como por exemplo: A capacitação do uso de
técnicas de Agricultura Sintrópica e a abertura de uma área /campo de
implementação e prática de AS. Com esta pesquisa foi possível constatar e
compreender a importância da educação não formal como fundamental na Educação
no campo e a relevância do
trabalho do educador comunitário para o desenvolvimento de comunidades mais
forte e resilientes neste país. O projeto conseguiu alcançar seu objetivo
principal de promover a união do conhecimento científico ao conhecimento
prático dos agricultores e iniciar um processo de mudança de visão dos agricultores
locais a respeito da forma de produção sustentável de alimentos.
Palavras- chave: Agricultura Sintrópica,
Educação não Formal, Educação Social, Subsistência
Summary
In this work, experiences of an action-research
project developed with members of the AACC “Association of Farmers of the
Community of Chamane”, located in a rural area in the District of Inhambane,
are presented. Through a non-formal education process, this work was carried
out with the purpose of disseminating the technical and practical knowledge of
AS “Sintropic Agriculture” as an alternative for improving subsistence
agricultural production. Thus, in a first phase, a bibliographic review was
carried out where a deepening was developed in the theoretical studies related
to NFE “Non-Formal Education”, AI “Research – Action”, and Syntropic
Agriculture. Afterwards, it went on to the district of Inhambane and then the
project was presented at the SPAS “Provincial Secretariat for Social Affairs,
in the person of the District Administrator, the Leader of the Community of
Chamane, the Secretary of the Neighborhood and finally, the AACC . In this
perspective, the group of researchers was formed with the members of the
association, which closely followed this AI project. A technical visit was made
to the association's subsistence production areas, to observe the techniques
used for soil management and agricultural production. After a technical
evaluation, several activities were planned for the implementation of AS, such
as: Training in the use of Syntropic Agriculture techniques and the opening of
an area/field for the implementation and practice of AS. With this research it
was possible to verify and understand the importance of non-formal education as
fundamental in rural education and the relevance of the work of the community
educator for the development of stronger and more resilient communities in this
country. The project managed to achieve its main objective of promoting the
union of scientific knowledge with the practical knowledge of farmers and
starting a process of changing the vision of local farmers regarding
sustainable food production.
Keywords: Syntropic Agriculture, Non-Formal Education,
Social Education, Subsistence
Segundo dados da
Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 40% dos moçambicanos são
subnutridos. De acordo com esse mesmo órgão, o Índice de Desenvolvimento Humano
(IDH - 2021) de Moçambique é o sétimo menor do mundo, com média de apenas
0,446. Actualmente em Moçambique, as zonas rurais representam 90% do território
nacional, e acolhem cerca de 68% da população total do país. Considerando que é
nessas zonas onde reside a maioria da população moçambicana, nelas é comum a
pratica de Agricultura de Subsistência e na maioria das comunidades rurais as
famílias destes agricultores paradoxalmente passam fome e devido ao tipo de Agricultura
de Subsistência que praticam e falta de conhecimento de técnicas apropriadas
para produção, mantêm-nos prisioneiros num ciclo de miséria, e de baixa
produtividade não sendo assim auto suficientes em todos os produtos básicos que
precisam para sua alimentação. Conclui-se, por um lado, que o desenvolvimento
do país passa necessária e inequivocamente pela melhoria do padrão de vida no
meio rural e, por outro, que ainda existe um longo caminho a percorrer para
garantir um nível de vida digno a todos os moçambicanos. A informação que segue neste
relatório, são frutos do trabalho de uma Investigação-Acção realizada em
outubro do 2022 com a Associação de Agricultores da Comunidade de Chamane
localizada em área rural no Distrito de Inhambane “Terra de boa gente”. Teve por objetivo introduzir e promover,
através de um processo de educação não formal, técnicas de Agricultura Sintrópica
para melhoria da produção agrícola, assim sendo, foi também realizado a
abertura de um campo de demonstração/experimentação em AS, na Associação de Agricultores
da Comunidade de Chamane. Este trabalho esta organizado em cinco capítulos: I. Apresentação do tema, II.
Revisão da Literatura, III. Metodologia da pesquisa, IV. Descrição do grupo
alvo, Distrito e comunidade, V. Análise e interpretação de dados e considerações
finais. Um dos autores principais em que se baseou os estudos da pesquisa
bibliográfica para realização deste trabalho foram: Ernst Götsch (1997), Gohn (2014) Freire (2003) e Thiollent.
(2005). Esses autores foram
importantes para a fundamentação dos conceitos que foram apresentados ao longo
deste trabalho e seus estudos foram decisivos para a organização dos dados e
interpretação dos resultados dessa pesquisa.
Assim,
o presente relato visa apresentar as experiências desenvolvidas com o propósito
de difundir os conhecimentos agroecológicos em comunidades pobres /rurais,
tendo como base a Agricultura Sintrópica, e a relevância da educação não formal
para o ensino de agricultores rurais, ressaltando que para realizar as transformações necessárias que o
país tanto precisa para garantir a segurança alimentar destas populações
rurais, faz-se necessária a discussão sobre políticas educacionais que
possibilitem um olhar conjunto entre os diferentes espaços formativos, com o
intuito de que a agricultura de subsistência possa garantir uma segurança
alimentar ás comunidades as comunidades rurais.
O projeto que norteou a
realização deste trabalho apresentou seguintes tópicos organizativos:
De que forma a
utilização de técnicas de Agricultura Sintrópica pode contribuir e melhorar a produção
agrícola da Associação de agricultores da comunidade rural de Chamane /Inhambane?
Em Moçambique aproximadamente
setenta por cento (70%) das famílias pobres vivem em áreas rurais e a
agricultura é a principal fonte de alimento e atividade econômica para a
subsistência da população no meio rural. No entanto, a produtividade agrícola é
uma das mais baixas da África Austral contribuindo para um acentuado défice na
balança agrícola do país e para a escassez de bens alimentares. Embora exista um
esforço significativo no desenvolvimento e disseminação de tecnologias melhoradas,
a produção, o processamento e a comercialização da produção agrícola são
limitados pela baixa produtividade e deterioração ambiental (Moçambique, 2000).
Segundo pesquisa do INE – Instituto Nacional de Estatísticas indica que para quarenta
e dois vírgula dois por cento (42,2%) cento das famílias rurais os campos não
produzem o suficiente para as suas necessidades alimentares básicas. Essa percentagem
subiu para sessenta e cinco vírgula sete por cento (65,7%) na província de Gaza
e para cinquenta e um vírgula nove por cento (51,9%) em Inhambane. Assim o
propósito deste trabalho foi de apresentar e implementar técnicas de Agricultura
Sintrópica como uma alternativa de melhoria da produção de subsistência da
Associação de Agricultores da comunidade rural de Chamane no Distrito de
Inhambane
1.3. Objectivos da Pesquisa
Os obejetivos gerais e específicos elencados neste trabalho são os seguintes:
1.3.1. Objectivo Geral
- Melhorar a produção agrícola de subsistência da Associação de agricultores de Chamane no distrito de Inhambane através da abertura de Campo de demonstração e prática de Agricultura Sintrópica.
1.3.2. Objectivos específicos
- Realizar apresentações, debates, exibição de vídeos e discussões sobre Agricultura Sintrópica de forma coletiva;
- Aplicar técnicas de fertilização orgânica do solo e do uso de cobertura morta, melhorar a fertilidade do solo e reduzir as oscilações térmicas e a evaporação da água do solo cultivado;
- Implementar o plantio em consórcio, de diversos tipos de espécies, com tempos de colheita variados; para evitar a degradação do solo
- Criar uma plataforma online para acompanhamento pós-projecto através das Tecnologias da Informação e Comuicação (TICs.).
1.3.3. Questão de partida
De que forma o uso de Técnicas de Agricultura Sintrópica pode melhorar a produção de alimentos da Associação de Agricultores de Chamane?
1.3.4. Hipóteses
O uso de Técnicas de Agricultura Sintrópica podem melhorar o processo de produção agrícola da seguinte maneira:
- O Uso destas técnicas pelo agricultor recupera as áreas degradadas, relativamente rápido, tornando o sistema de cultivo mais produtivo;
- A implementação da Agricultura Sintrópica, aumenta a biodiversidade, melhora a estrutura do solo para obter um aumento da retenção de nutrientes no solo, amplia a humidade relativa para o favorecimento de um microclima que são essenciais para o bom desenvolvimento das culturas.
CAPÍTULO II - REVISÃO DA LITERATURA
2.1. Conceptualização
Alguns conceitos foram fundamentais para a realização dessa pesquisa, de cunho social mas potencialmente educacional.
2.1.1. Conceito de Educação
Dentro das diversas definições para educação, para este trabalho optou-se pela definição feita por Freire (2003) e Durkheim (2013).
A educação consiste em uma socialização metódica das novas gerações. Em cada um de nós, existem dois seres que, embora sejam inseparáveis não deixam de ser distintos. Um ser é composto de todos os estados mentais que dizem respeito apenas a nós mesmos e aos acontecimentos da nossa vida pessoal: é o que se poderia chamar de ser individual. O outro é um sistema de ideias, sentimentos e hábitos que exprimem em nós não a nossa personalidade, mas sim o grupo ou grupos diferentes dos quais fazemos parte; tais como as crenças religiosas, as crenças e práticas morais, as tradições nacionais ou profissionais e as opiniões coletivas de todo tipo. Este conjunto forma o ser social. Constituir este ser em cada um de nós é o objetivo da educação (DURKHEIM, 2013, p.54).
De acordo com Durkheim (2013), a palavra educação designa um conjunto de influências que a natureza e o homem podem exercer sobre a inteligência e a vontade. Ele questiona sobre a educação universal e ressalta que esta não existe, na medida em que cada período da história exerce sobre ela influência, afetando todo o sistema.
O educador Paulo Freire conceitua educação como: “A educação é sempre uma certa teoria do conhecimento posta em prática [...]”. (FREIRE, 2003, p.40)
Sendo assim, podemos afirmar que a educação é um determinado conjunto de ideias relativas ao conhecimento praticado, sejam elas em um espaço estruturado como a escola ou em espaços estruturados, mas não do tipo escolar, como em uma associação de agricultores. Portanto, toda ação com propósitos educacionais estaria necessariamente fundamentada em uma convicção acerca do conhecimento.
Para clarificar melhor o significado de conhecimento como definido por Freire, destaca-se aqui uma entrevista concedida ao Instituto de Ação Cultural de Genebra, em 1973, sob o título “Conscientização e libertação”, trata-se de uma conversa em que Freire disse que: “[...] o conhecimento não é algo dado e acabado, mas um processo social que demanda a ação transformadora dos seres humanos sobre o mundo. ” (FREIRE, 2003, p.111).
Nesta passagem, Freire acrescenta à sua definição de conhecimento a palavra “social”. Percebe-se logo que conhecimento não seria somente processo, mas processo social, processo que diz respeito à sociedade. Esse processo não apenas envolveria ação, mas a exigiria a ação de homens e mulheres sobre a realidade do mundo, o que permite afirmar que isso aplica-se também sobre um contexto social, em nosso caso o rural. Assim o trabalho que é desenvolvido numa comunidade rural que visa melhorar as técnicas de sua produção de subsistência através do ensino de técnicas melhores apropriadas, colabora também para que as comunidades transformem o mundo a sua volta e um passo a frente, dos seus pares.
As ideias de Durkheim (2013) e Freire (2003) mostram pontos convergentes quando se pensa em um modelo de educação que questiona e considera fatores os externos. Na visão de ambos é o fator social que tem uma grande relevância a educação.
2.1.2. Conceito de Educação Não Formal
Os seres humanos nunca param de aprender e de se desenvolver. Todos nós aprendemos diferentes coisas em diferentes momentos e em diferentes esferas das nossas vidas. Aprendemos muito durante a escolaridade, mas não devemos nunca negligenciar as oportunidades de aprendizagem que existem fora do ambiente académico. Todas as experiências de aprendizagem contribuem para o crescimento pessoal e levam a um melhor entendimento do meio onde vivemos, o que, por sua vez, capacita as pessoas para uma total participação na sociedade e também para lidar com as complexas situações da vida.
Diante de um conceito que ainda se encontra em construção entre os pesquisadores e por denotar características diversas, em relação ao lugar e ao momento do qual este pesquisador se refere, acreditamos que a concepção de Educação Não Formal pode ser considerada um processo de ação educativa intencional, dialógica, emancipadora, criativa, porém realizada em espaços e tempos não convencionais, sem grandes estruturações sistemáticas, através de instituições não escolares.
“O homem não pode participar ativamente na história, na sociedade, na transformação da realidade se não for ajudado a tomar consciência da realidade e da sua própria capacidade de transformar [...] Ninguém luta contra forças que não entende, cuja importância não meça, cujas formas de contorno não discirna; [...] Isto é verdade se, se refere às forças sociais[...] A realidade não pode ser modificada senão quando o homem descobre que é modificável e que ele o pode fazer.” (FREIRE, 1977, p. 48)
Paulo Freire foi reconhecidamente um intelectual aberto às transformações do nosso tempo; um estudioso em busca de interpretações emancipadoras de uma nova reorganização do protesto e das mudanças neste final de século. Em 1962 desenvolveu em Angicos/Rio Grande do Norte – Brasil, um programa de alfabetização que ajudou 300 trabalhadores rurais a ler e escrever em 45 dias. O significado da leitura e da escrita estavam intimamente ligados as experiências vividas dos camponeses, o que resultou num processo de luta ideológica e práxis revolucionária – a conscientização. A partir de então, estes trabalhadores eram capazes de transformar sua "cultura de silêncio" por uma outra de transformação social e política.
Assim mostra-se a importância do conhecimento cientifico ultrapassar as paredes das universidades e chegar até as comunidades, articulado aos saberes populares, para que os interventores e pesquisadores possam encontrar soluções possíveis para o desenvolvimento rural e melhoria da Agricultura de Subsistência para a garantia da segurança alimentar.
Segundo Gadotti (2005), a educação formal é mais difusa, menos hierárquica e menos burocrática. Seus programas, quando formulados, podem ter duração variável, a categoria espaço é tão importante quanto a categoria tempo, pois o tempo da aprendizagem é flexível, respeitando-se diferenças biológicas, culturais e históricas. A educação não-formal está muito associada à idéia de cultura1. A educação não-formal desenvolvida em Organizações Não Governamentais (ONGs) e outras instituições, é um setor em construção, mas constitui um espaços do mercado de trabalho, em amplo espectro, para todos aqueles cuja formação está pautada na educação, em especifico aos que são graduados em Educação para o Desenvolvimento Comunitário, curso de Licenciatura criado em Moçambique para o combate a pobreza.
É importante destacar que: a educação não-formal não deve ser vista, em hipótese alguma como algum tipo de proposta contra ou alternativa à educação formal, escolar. Ela não deve ser definida pelo o que não é, mas sim pelo o que ela é – um espaço concreto de formação com a aprendizagem de saberes para a vida em coletivos. Esta formação envolve aprendizagens tanto de ordem subjetiva-relativa ao plano emocional e cognitivo das pessoas, como aprendizagem de habilidades corporais, técnicas, manuais etc., que as capacitam para o desenvolvimento de uma atividade de criação, resultando um produto como fruto do trabalho realizado.
A Educação não formal é muito usada nas actividades de desenvolvimento nas comunidades rurais em Moçambique principalmente pelos profissionais Agente/Educador social uma vez que ela promove sobretudo a socialização; a solidariedade; visa ao desenvolvimento e preocupa-se essencialmente com a mudança social.
2.1.3. Conceito de Educador Social
Educador Social é um profissional que utiliza ferramentas pedagógicas para intervir nas problemáticas dos indivíduos e ou comunidade. Este é responsável por atividades pedagógicas, que visam a promoção e a integração social de pessoas em situação de risco, excluídas ou em vulnerabilidade social. O educador social, normalmente desenvolve seu trabalho em instituições não formais de educação. Por este profissional ser da área social, trabalha em conjunto, com enfoque no indivíduo, por este motivo deve ter boa capacidade de integrar equipes multidisciplinares, muitas vezes compostas por assistentes sociais, psicólogos, professores, entre outros. Os educadores sociais de organizações do Terceiro Setor podem contribuir com seus conhecimentos para a formação de indivíduos participativos e mais preparados para os desafios da sociedade contemporânea, na direção que Gohn (2011) chama de uma nova cultura política.
Segundo Gohn (2011), o educador social, nos espaços não formais de ensino, é o responsável por dinamizar e construir o processo de aprendizagem, sendo mais que um animador cultural. Essa pessoa deve se empenhar não só em propiciar o acesso aos conhecimentos como também em aprender na convivência com os indivíduos participantes da ação educativa que conduz mediante a construção de uma prática pedagógica dialógica, de acordo com a autora, em uma via de mão dupla.
Em termos de ação coletiva de caráter transformador empreendida por educadores sociais, essa visão da educação ratifica um princípio estabelecido pelo educador brasileiro, Paulo Freire (1996), de que “a educação é uma forma de intervenção no mundo”.
2.1.4. Conceito de Agricultura
A agricultura, como atividade do homem inserido na sociedade, só de uma forma imperfeita se pode enquadrar em definições formais. Uma definição sucinta, tal como "a agricultura é a arte de cultivar os campos", é de tal forma vaga e pouco informativa que está longe de poder transmitir a ideia da complexidade e dos objetivos da atividade. Além disso, na agricultura empresarial moderna a arte, cada vez mais, cede o seu lugar à ciência. Definições mais requintadas e elaboradas afirmam que "a agricultura consiste no esforço para situar a planta cultivada nas condições ótimas de meio (clima, solo) para lhe tirar o máximo rendimento em quantidade e em qualidade" (DIEHL, 1984, p.114).
2.1.5. Conceito de Agricultura de subsistência
A agricultura de subsistência se caracteriza pela utilização de métodos tradicionais de cultivo, realizados por famílias camponesas ou por comunidades rurais. Essa modalidade é desenvolvida, geralmente, em pequenas propriedades e a produção é bem inferior se comparada às áreas rurais mecanizadas. Contudo, o camponês estabelece relações de produção para garantir a subsistência da família e da comunidade a que pertence.
Existem diferentes abordagens e compreensões sobre os conceitos de subsistência e autoconsumo. Alguns autores, tais como Prado Jr. (1979) e Furtado (1970), apontam que subsistência representa apenas as produções diretamente ligadas ao autoconsumo dos sujeitos que vivem no campo, quase inexistindo a ligação com o mercado. É uma produção marginal e de segunda ordem.
Já para outros autores, como Lima (2010), os principais aspectos relacionados à subsistência são os seguintes: a) a subsistência pode estar relacionada a produtos agrícolas ou outros objetos elaborados e consumidos na mesma unidade que os produziu, ou seja, não ocorrendo o processo de circulação no mercado e a conversão em dinheiro e mercadorias; b) gêneros agrícolas (alimentícios ou não) produzidos nas unidades de produção familiar e destinados ao abastecimento de centros urbanos; c) conjunto de atividades agrícolas e extra-agrícolas executadas pelos membros da família camponesa, com a finalidade de satisfazer as necessidades de consumo.
Nessa perspectiva, não se pode interpretar a subsistência somente como produção de autoconsumo, mas também como um conjunto de necessidades que garantem a reprodução física e social dos indivíduos. A produção de subsistência está relacionada ao conjunto do autoconsumo, e também com o mercado para a manutenção da família. Mas, nesse caso, o mercado não está colocado no centro da existência e manutenção da família.
Assim, a partir desses autores, é possível compreender que a produção de subsistência e autoconsumo caminham juntas.
2.2. Contextualização
2.2.1 Agricultura Sintrópica
O conceito de Agricultura Sintrópica AS é usado para designar um sistema de cultivo agroflorestal baseado na sintropia. A sintropia contrariamente à entropia, caracteriza-se pelo equilíbrio, preservação energética e ambiental, organização, equilibro e integração. A Agricultura Sintrópica foi criada pelo geneticista e agricultor suíço Ernst Götsch. AS é uma prática que respeita e imita a natureza, tal como muitas outras práticas afirmam fazer. A diferença, porém, é que para os praticantes da Agricultura Sintrópica é bastante claro qual o aspecto natural que deve ser respeitado: a tendência da vida a acumular e organizar a energia, o que se expressa sob a forma de maior diversidade e complexidade, tal como acontece em uma floresta natural. As vantagens inerentes da agricultura sintrópica são: (1) o aumento da biodiversidade, (2) melhoria da estrutura do solo, (3) aumento da retenção de nutrientes no solo, (4) aumento da humidade relativa, (5) favorecimento do microclima, entre outras.
Além disso, o investimento neste tipo de modelos produtivos é baixo, a necessidade de irrigação é reduzida e não tem custos associados à compra de produtos fitossanitários ou fertilizantes. Os produtos agrícolas e florestais obtidos no modelo sintrópico são também 100% orgânicos o que é uma enorme vantagem.
A região de Inhambane apresenta um solo arenoso com grande proporção de areia, então, a água que entra de baixo da terra é escoada com muita facilidade, esse processo entre os grãos de areia é um dos grandes problemas na sobrevivência das culturas; com este tipo de solo, durante o escoamento rápido, a água acaba levando todo o sal mineral e acaba empobrecendo o solo de nutrientes. Isso também faz a terra secar com mais facilidade e, assim, apresentar deficiência de cálcio, assim o solo arenoso é um solo com pH ácido — o que explica o baixo teor de matéria orgânica em sua composição comprometendo a produção agrícola das comunidades. Dentro deste contexto, este projecto de pesquisa-acção visou o fortalecimento das capacidades técnicas dos produtores da Associação de Agricultores da Comunidade de Chamane através de uma capacitação teórica e prática no uso de técnicas de Agricultura Sintrópica.
2.2.2. Visão sobre a necessidade Desenvolvimento Sustentável em Comunidades Rurais em Moçambique
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável é um conjunto de 17 objetivos, para erradicar a pobreza, garantir que todos tenham acesso à educação de qualidade, combater os efeitos da mudança climática e garantir o consumo responsável fazem parte da Agenda.
Assim, é de extrema importância que as universidades estejam constantemente desenvolvendo trabalhos de pesquisa e extensão em comunidades rurais de Moçambique, para que possam fortalecer as suas capacidades científicas e tecnológicas para mudarem para padrões mais sustentáveis de produção e consumo e a qualidade social da vida humana.
CAPÍTULO III - METODOLOGIA DE PESQUISA
3.1. Método de Pesquisa
A palavra método tem origem do grego methodos, e significa “caminho para chegar a um fim”. Muitos pensadores do passado manifestaram a aspiração de definir um método universal aplicável a todos os ramos do conhecimento. Hoje, porém, os cientistas e os filósofos da ciência preferem falar numa diversidade de métodos, os quais são determinados pelo tipo de objeto a investigar e pela classe de preposições a descobrir. Assim, pode-se afirmar que a Matemática não tem o mesmo método da Física, e que esta não tem o mesmo método da Astronomia. Quanto às Ciências Sociais, pode-se dizer que dispõem de uma grande variedade de métodos. (GIL, 2019).
O Método é um instrumento do conhecimento que proporciona aos pesquisadores, em qualquer área de sua formação, orientação geral que facilita planejar uma pesquisa, formular hipóteses, coordenar investigações, realizar experiências e interpretar os resultados. Em sentido mais genérico, método, em pesquisas, seja qual for o tipo, é a escolha de procedimentos sistemáticos para descrição e explicação de um estudo. No desenrolar da pesquisa, podem aparecer vários tipos de métodos. (FACHIN, 2017).
Segundo LAKATOS e MARCONI (2005), método de pesquisa é “um conjunto de atividades sistemáticas e racionais que orientam a geração de conhecimentos válidos, indicando um caminho a ser seguido”.
Para ANDER-EGG (1978), a pesquisa é um “procedimento reflexivo sistemático, controlado e crítico que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento”.
A pesquisa, logo, é um processo pelo qual se aplica a reflexão junto a tratamentos científicos a fim de se definir a maneira de se entender a realidade ou verdades parciais.
3.2. Tipos de variáveis de Pesquisa
Ao se considerar as tipologias de pesquisa e por alinhamento ao trabalho desenvolvido, quanto a sua abordagem o autor realizou-se uma pesquisa qualitativa bibliográfica devido a suas características interpretativa do fenômeno do gerenciamento de projetos. E finalmente quanto aos procedimentos técnicos classifica-se como uma pesquisa-ação.
3.3. Pesquisa Qualitativa
A pesquisa qualitativa, para Silva e Menezes (2005), é aquela que
[...] considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa (SILVA; MENEZES, 2005, p. 20).
Por isso, a opção pela abordagem qualitativa neste trabalho é perfeitamente cabível quando a pesquisa aqui desenvolvida, procurou ter uma visão ampla do objeto que foi estudado, e suas inter-relações no que diz respeito aos aspectos sociais, políticos e culturais. Assim, levou-se em consideração os aspectos da pesquisa qualitativa que consistem:
[...] na escolha correta de métodos e teorias oportunos, no reconhecimento e na análise de diferentes perspectivas, nas reflexões dos pesquisadores a respeito de sua pesquisa como parte do processo de produção de conhecimento, e na variedade de abordagens e métodos (FLICK, 2004, p. 20).
3.4. Pesquisa Bibliográfica
Este tipo de pesquisa é adotado, praticamente, em qualquer tipo de trabalho acadêmico-científico, uma vez que possibilita ao pesquisador ter acesso ao conhecimento já produzido sobre determinado assunto.
Por ser basilar na formação educacional de qualquer indivíduo, a pesquisa bibliográfica deve se rotinizar tanto na vida profissional de professores e de pesquisadores, quanto na de estudantes. Essa rotinização se faz necessária pois esse conjunto amplo de indivíduos possui o interesse de conhecer as mais variadas, plurais e distintas contribuições científicas disponíveis sobre um determinado tema. É a pesquisa bibliográfica que oferece o suporte a todas as fases de qualquer tipo de pesquisa, uma vez que auxilia na definição do problema, na determinação dos objetivos, na construção de hipóteses, na fundamentação da justificativa da escolha do tema e na elaboração do relatório final (FONTANA, 2018, p. 66).
Entende-se que a pesquisa bibliográfica em termos genéricos, é um conjunto de conhecimentos reunidos em obras de toda natureza. Tem como finalidade conduzir o leitor à pesquisa de determinado assunto, proporcionando o saber. Ela se fundamenta em vários procedimentos metodológicos, desde a leitura até como fichar, organizar, arquivar, resumir o texto; ela é a base para as demais pesquisas. Todo tipo de estudo deve, primeiramente, ter o apoio e o respaldo da pesquisa bibliográfica, mesmo que esse se baseie em outro tipo de pesquisa, seja de campo, de laboratório, documental ou pura, pois, a pesquisa bibliográfica tanto pode conduzir um estudo em si mesmo quanto constituir-se em uma pesquisa preparatória para outro tipo de pesquisa. (FACHIN, 2017)
Neste trabalho realizou-se uma pesquisa bibliográfica na literatura disponível, buscou-se aspectos teóricos e práticos relacionados à Educação não formal e Agricultura Sintrópica.
3.5. Pesquisa – Acção
O termo pesquisa-ação foi cunhado em 1946 por Kurt Lewin, nos Estados Unidos no período, que se seguiu à Segunda Guerra Mundial, com propósitos de integração social, ao desenvolver trabalhos que tinham como propósito a integração de minorias étnicas à sociedade norte-americana. Assim, definiu pesquisa-ação como uma pesquisa que não apenas contribui para a produção de livros, mas também conduz a ação social. (GIL,2019).
Para Barros e Lehfeld (2014), a pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social com base empírica que é desenvolvida e realizada em intensa associação com uma ação ou com a realização de um problema coletivo no qual os pesquisadores e os participantes da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
A pesquisa-ação pode ser definida como “um tipo de pesquisa com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou ainda com a resolução de um problema coletivo, onde todos pesquisadores e participantes estão envolvidos de modo cooperativo e participativo” (THIOLLENT, 1985, p.14 apud GIL, 2019, p. 38)
A aplicação da pesquisa-ação permite ao pesquisador obter um grande número de informações específicas sobre um tema tomando como base um único caso.
A pesquisa-ação tem características situacionais, já que procura diagnosticar um problema específico numa situação específica, com vistas a alcançar algum resultado prático. Diferentemente da pesquisa tradicional, não visa a obter enunciados científicos generalizáveis, embora a obtenção de resultados semelhantes em estudos diferentes possa contribuir par algum tipo de generalização. (GIL, 2019).
Devido a estas características, o método de pesquisa-ação, tem sido amplamente utilizado no campo das pesquisas por agências de desenvolvimento, programas de extensão universitária e organizações comunitárias. Este trabalho se enquadra nestas características visto que segundo Thiollent (2005) alguns de seus principais aspectos são:
- Os objetivos são definidos com autonomia dos atores e com mínima interferência de membros da estrutura formal;
- Todos os grupos sociais implicados no problema escolhido como assunto da pesquisa são chamados para participar do projeto e de sua execução;
- Todos os grupos têm liberdade de expressão. Medidas são tomadas para evitar censuras ou represálias;
- Todos os grupos são informados no desenrolar da pesquisa;
- As possíveis ações decorrentes da pesquisa são negociadas entre os proponentes e os membros da estrutura formal;
- O objetivo da pesquisa-ação consiste em resolver ou, pelo menos, em esclarecer os problemas da situação observada;
- A pesquisa não se limita a uma forma de ação, pretende-se aumentar o conhecimento dos pesquisadores e o conhecimento ou o nível de consciência das pessoas e grupos considerados;
3.5.1. Processo de Pesquisa-Acção
A escolha por realização de uma pesquisa-ação permitiu ao autor desempenhar um papel ativo no equacionamento de problemas encontrados relacionados a qualidade do solo onde a associação desenvolve suas actividades agrícolas;
O processo de pesquisa-ação foi dividido em quatro fases principais:
1) exploratória; 2) principal; 3) de ação; 4) avaliação.
A pesquisa foi conduzida na etapa de campo, entre os meses de outubro e novembro de 2022
Para a condução do grupo, o pesquisador seguiu três fases, baseadas nas etapas descritas por Thiollent:
01- Planejamento,
02- Intervenção
03- Avaliação
3.6. Técnicas de colecta de dados
As técnicas são consideradas como um conjunto de preceitos ou processo de que se serve uma ciência, são também a habilidade para usar esses preceitos ou normas, na obtenção de seus propósitos, correspondem, portanto, a parte prática de colecta de dados (Marconi & Lakatos 2003, P107). Para a recolha de dados foram usados os instrumentos de pesquisa de campo como: entrevista não estruturada e a observação.
3.6.1. Observação
A Observação directa “...utiliza os sentidos na obtenção de determinados aspectos da realidade. Consiste de ver, ouvir e examinar fatos ou fenômenos” (Marconi & Lakatos, 1999:90). Isso significa que o pesquisador irá ao campo para fazer a observação e examinar o que vai observar.
A Observação directa: com esta técnica foi possível observar as diferentes culturas reduzidas nas associações, a maneira como os agricultores produzem e como se organizam nas suas pequenas associações e algumas dificuldades por eles enfrentadas na actividade.
3.6.2. Entrevista
A entrevista é um encontro entre duas pessoas, a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma conversação de natureza profissional. É um procedimento utilizado na investigação social, para a colecta de dados ou para ajudar no diagnóstico ou no tratamento de um problema social.
Os tipos de entrevista usados nesta pesquisa para obtenção de informações junto aos agricultores foram:
Entrevista Despadronizada ou não Estruturada: Segundo LAKATOS E MARCONI (2001), neste tipo de entrevista, o entrevistador tem liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direcção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal. Ainda de acordo com ANDER-EGG, 1978, apud LAKATOS E MARCONI, 2001, esse tipo de entrevista, segundo, apresenta três modalidades:
1. Entrevista focalizada: Onde há um roteiro de tópicos relativos ao problema que se vai estudar e o entrevistador tem liberdade de fazer as perguntas que quiser: sonda razões e motivos, dá esclarecimentos, não obedecendo, a rigor, a uma estrutura formal. Para isso, são necessária habilidade e perspicácia por parte do entrevistador. Em geral, é utilizada em estudos de situações de mudança de conduta.
2. Entrevista clínica: Trata-se de estudar os motivos, os sentimentos, a conduta das pessoas. Para esse tipo de entrevista pode ser organizada uma série de perguntas específicas.
3. Não dirigida: Neste tipo, há liberdade total por parte do entrevistado, que poderá expressar suas opiniões e sentimentos. A função do entrevistador é de incentivo, levando o informante a falar sobre determinado assunto, sem, entretanto, forçá-lo a responder.
3.7. Consulta Bibliográfica
A pesquisa cientifica com a metodologia de pesquisa bibliográfica, inicia-se por meio de uma revisão da literatura de obras já existentes, no intuito de auxiliar o pesquisador na delimitação do tema e na contextualização do objeto problema.
A pesquisa bibliográfica, para Fonseca (2002), é realizada:
[...] a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites. Qualquer trabalho científico inicia-se com uma pesquisa bibliográfica, que permite ao pesquisador conhecer o que já se estudou sobre o assunto. Existem porém pesquisas científicas que se baseiam unicamente na pesquisa bibliográfica, procurando referências teóricas publicadas com o objetivo de recolher informações ou conhecimentos prévios sobre o problema a respeito do qual se procura a resposta (FONSECA, 2002, p. 32).
Os principais autores consultados neste trabalho foram: Ernst Götsch (1997), Gohn (2014) Freire (2003) e Thiollent. (2005).). Esses autores foram importantes para a fundamentação dos conceitos que foram apresentados ao longo deste trabalho e seus estudos foram decisivos para a organização dos dados e interpretação dos resultados dessa pesquisa.
CAPÍTULO IV. Descrição do Grupo Alvo
4.1. Área de população em estudo
A Província de Inhambane
A província de Inhambane está localizada na região sul de Moçambique. A sua capital é a cidade de Inhambane, situada a cerca de 500 km a norte da cidade de Maputo. Com uma área de 68 615 km² e uma população de 1 496 824 habitantes em 2017, esta província está dividida em quatorze distritos e possui, desde 2013, os municípios: Inhambane, Massinga, Maxixe, Quissico e Vilanculos.
As etnias dominantes são os Língua xítsuaMátshwa, os Bitonga e os Chopi. Embora seja uma província com muitas cidades turísticas, suas comunidades rurais são muito pobres
O Município /Distrito de Inhambane
Inhambane é uma das cidades mais antigas da África Austral. Foi fundada por mercadores suaíles, em 1498, quando Vasco da Gama aporta, a sua aramada portuguesa, para se abastecer e devido à hospitalidade da população, chamou-lhe “Terra da Boa Gente”.
Em 1731 Portugal ocupa Inhambane. O nome da povoação é Ceuine, gerada como porto de escala dos navios portugueses que estavam os intermediários do ouro, marfim e escravos provenientes do Estado de Muenemutapa.
Em 1763, ao proceder à construção do Forte de Nossa da Conceição, Inhambane recebe o estatuto de vila e sede de concelho. No entanto, em 1796, a vila foi conquistada pelos franceses. Foi elevada à categoria de cidade a 12 de agosto de 1956.
Sobre a origem do termo Inhambane, existem várias versões: cuja mais comum refere quando Vasco da Gama perguntou aos nativos quem eram, eles e responderam “iva-atu” que traduzido significa “somos gente”
Outra versão refere que, quando Vasco da Gama perguntou o nome da terra onde se encontrava a casa do Chefe, este convidou-o a entrar em bitonga,dizendo “Gu Bela Nhumbale” e Vasco da Gama com o lápis e papel na mão registrou Inhambane; admite-se ainda a possibilidade de Inhambane ser corruptela de ambane (Adeus em bitonga), existindo uma lenda segundo a qual, na hora de despedida de Vasco da Gama, os naturais disseram “ambane”.
Inhambane constitui, administrativamente, um município com um governo local eleito. Inhambane é a Capital Provincial. A cidade é conectada ao restante do território nacional pela N242, rodovia que a liga à vila de Jangamo, ao sul.
Em Jangamo acessa-se a Estrada Nacional nº 1. O principal acesso portuário provincial está no porto de Inhambane, que está localizado na cidade. Além desses serviços logísticos, a cidade ainda possui o Aeroporto de Inhambane (INH).
Inhambane possui dois campus da tradicional Universidade Eduardo Mondlane, onde funcionam a Escola Superior de Hotelaria e Turismo, no bairro da Chalambe I e a Escola Superior de Desenvolvimento Rural, no bairro de Vilanculo.
A Comunidade de Chamane
Chamane é um bairro/Comunidade localizado a 8 Km da cidade de Inhambane e a 18 km da Praias do Tofo e da Barra, ambas regiões turisticas. O nome Chamane provém da palavra “Tsamane” em Matswa significa “acomode-se”.
De acordo com os dados preliminares do censo 2017, Chamane conta actualmente com três mil e setecentos e cinquenta (3750) habitantes, representados por um mil e setecentos e treze (1713) são homens contra dois mil e trinta e sete (2037) mulheres, segundo o Sr. Jaime Oliveira, secretário do Bairro.
A agricultura é a principal fonte de subsistência para a maior parte das famílias, sendo a agricultura de sequeiro a mais predominante na região, com o enfoque a produção de mandioca, milho, feijão e amendoim. Em termos de clima, predomina o clima tropical que é caracterizado por um período de inverno curto e verão longo, o que dificulta a prática da agricultura.
Em relação a infraestruturas sanitárias, não existe localmente um centro ou posto de saúde, as pessoas têm de deslocar cerca de 8 km para o Hospital Urbano de Inhambane. Devido a pobreza e longas distâncias as famílias só deslocam ao hospital quando o seu estado de saúde se agrava. Deste modo, as organizações da sociedade civil (igrejas e associações locais) têm prestado apoio e acompanhamento principalmente as pessoas que sofrem de desnutrição causada por má dieta.
Chamane é atravessado por canais de água, por isso, para aproveitar esse recurso as associações locais e populações estão organizadas nas zonas baixas, de modo a produzir alimentos para sua subsistência.
4.2 Descrição da associação de agricultores
A associação de agricultores de Chamane é formada a nível local, por pequenos produtores/as maioritariamente provenientes da mesma zona onde as mesmas estão localizadas, possuindo um número total de trinta (30) mulheres e cinco (5) homens.
A cada um dos membros da associação são atribuídas parcelas de terra pertencente a associação, a fim de realizar as suas actividades agrícolas, comprometendo-se a não cedê-la a terceiros, o que pode levar à perda do direito de usufruir do espaço.
A associação tem autonomia total para tomada de decisões, e realiza encontros regulares com seus líderes para debater os problemas enfrentados por cada um e pelo colectivo na realização das actividades. Estes encontros são realizados debaixo de um cajueiro por não possuírem sede. As técnicas utilizadas na produção pela associação são muito rudimentares e a mesma não possui máquinas, resumindo- se a única ferramenta de trabalho são as enxadas, regadores e catanas.
Tabela 1 - Ilustração do Grupo Alvo
|
N°
|
Amostra
|
Homens
|
Mulheres
|
Total
|
|
1
|
Pres. Da associação
|
01
|
00
|
01
|
|
2
|
Comissão de
direcção da associação
|
01
|
05
|
06
|
|
3
|
Associados
|
03
|
25
|
28
|
|
4
|
Grupo alvo
|
05
|
30
|
35
|
Capítulo V. Análise e Interpretação de Dados
Atinente ao modelo de análise, os dados estão apresentados em forma de espiral de acção e investigação.
5.1 Espiral com Comentários
A pesquisa- acção nem sempre se desenvolve como o planejado inicialmente. A pesquisa-ação requer flexibilidade de procedimentos; disponibilidade para adequações em processo; exige criatividade do pesquisador para perceber alterações que devem ser empreendidas. Dentro deste sentido os espirais potencializam os mecanismos formadores implícitos na pesquisa-ação. A dinâmica das espirais funciona quer como instrumento de reflexão/ avaliação das etapas do processo, quer como instrumento de autoformação e formação coletiva.
Para Lewin (1965) a pesquisa-ação consiste de:
[...] análise, evidência e conceptualização sobre problemas; planejamento de programas de ação, executando-os e então mais evidências e avaliação; e então a repetição de todo esse círculo de atividades; certamente, uma espiral de tais círculos. Por meio dessa espiral de círculos, a pesquisa-ação cria condições sobre as quais comunidades de aprendizagem podem ser estabelecidas, ou seja, comunidades de investigadores comprometidos com a aprendizagem e compreensão de problemas e efeitos de sua própria ação estratégica e de fomento dessa ação estratégica na prática (LEWIN,1965, p.177).
No presente capítulo é apresentado os dados colectados nos trabalhos diários durante as actividades der investigação –acção. Os diários apresentados são representados em forma de espirais relatando as acções que ocorriam diariamente/semanalmente.
Data: 13 de outubro de 2022
Acção: 01
Objectivo: Apresentar o projecto ao Serviço Provincial de Assuntos Sociais de Inhambane –SPAS, afim de receber autorização para permanência de 30 dias na Escola de professores do Futuro – EPF de Inhambane e desenvolver o projecto de estudos e pesquisa nas comunidades do distrito.
Actividade: Apresentação do projecto ao SPAS de Inhambane.
Resultado: A permanência do colectivo de pesquisadores na EPF-Inhambane foi aceito e o projecto de investigação-acção apresentado, foi orientado a ter a autorização também do Administrador do distrito de Inhambane.
Comentário: O encontro foi realizado no gabinete do Director do SPAS de Inhambane, Sr. Samuel Júnior e foi concedido a permissão; contudo o projecto deveria também ser apresentado ao governo distrital de Inhambane para que pudéssemos avançar, também informou que os trabalhos deveriam serem acompanhados pelo Chefe do departamento de Educação da Província, Sr. Almeida Bata Malagissa Cabula.
Avaliação - A avaliação que faço neste encontro é que fomos bem recebidos no gabinete pela secretária, pois o mesmo (Sr. Samuel Júnior) estava em outra localidade e a secretária providenciou para que os documentos chegassem até ele para ter o consentimento e deliberar. Foi importante conhecer as actividades deste departamento do governo da província, pois percebemos que é possível também enviar a eles, e com certa antecedência, projectos de desenvolvimento para apreciação do Departamento, pois eles têm possibilidades intermediar algumas parcerias com empresas locais e ou com alguns fundos do governo, para a implementação de projectos.
O passo a seguir foi organizar encontro com o Administrador do distrito de Inhambane.
Observações:
- Apêndice I - Cópia da autorização expedida pelo SPAS.
Data: 14 de outubro de 2022
Acção: 02
Objectivo: Apresentar o projecto ao Administrador do Distrito de Inhambane afim de receber autorização para desenvolver o projecto no distrito e comentários de retorno.
Actividade: Apresentação do projecto ao gabinete do administrador do distrito de Inhambane.
Resultado: O projecto de investigação-acção foi apresentado, autorizado, comentado e aceite.
Comentário: O encontro foi realizado no gabinete do administrador do distrito onde esteve presente dois estudantes do ISET-One World. Tendo dirigido diversas questões sobre o projecto. Para melhor esclarecimento, foi realizado uma breve palestra explicando alguns pontos relacionado a aplicabilidade dos projecto. Houve a concordância de que havia necessidade da implementação do projecto. A pequena palestra foi realizada pelo professor do grupo, Paulo Sérgio de Souza e os estudantes Faize Hilário e Jaime Macamula.
Das questões dirigidas destacaram-se as seguintes:
• Existe custos para o projecto?
• Quem iria capacitar os membros da associação de agricultores?
• Qual seria a duração do projecto?
Foi respondido que o trabalho seria realizado pelo investigador e que não haveria custos extras a associação de agricultores e nem ao Distrito. No concernente à duração do projecto, salientou-se que duraria um período de 30 dias.
Assim o administrador do distrito mostrou-se disponível para apoiar na implementação deste projecto.
Avaliação: Nesta oportunidade foi apresentado este e mais outros cinco projectos que seriam realizados pelo grupo de estudantes que do ISET-One World, projectos relacionados a saúde comunitária, agricultura e alimentação infantil. Ressalto aqui que o administrador fez muitos elogios aos projectos apresentados e reconheceu da sua importância para o desenvolvimento humano, uma vez que estes os projectos pautam no processo de educar o homem do campo para que possuam melhores conhecimentos técnicos e práticos para que possam ter uma melhor qualidade de vida dentro daquela realidade presente.
Destacou a importância do projecto de Agricultura Sintrópica o qual visa disseminar técnicas sustentáveis de produção agricola para a melhorias das capacidades de produção de alimentos da Agricultura de Subsistência praticada nas comunidades rurais.
A avaliação que faço deste encontro é que o Administrador do distrito mostrou a vontade de ver o projecto acontecer, assim orientou ao Chefe do gabinete que emitisse a credencial para que pudéssemos avançar com os projectos de pesquisas.
O próximo passo foi apresentar “oficialmente” as autorizações ao concedidas pelo SPAS ao director da EPF Inhambane.
Observações:
- Apêndice II - Cópia da credencial concedida pelo gabinete do ADM do distrito de Inhambane.
- Apêndice III – Foto com o Administrador do Distrito de Inhambane em seu gabinete;
Data: 15 de outubro de 2022
Acção: 03
Objectivo: Pedido de acomodação e apresentação dos projetos de pesquisa - acção à direcção e conselho de professores da EPF de Inhambane.
Actividade: Apresentação dos projectos e pedido de acomodação na EPF de Inhambane.
Resultado: O projecto de investigação-acção foi comentado e aceite e também a acomodação do grupo.
Comentários: Embora antes do inicio da viajem do ISET- One World - Changalane/Maputo para a EPF de Inhambane, que são 583km, já havia-se combinado com o Director da EPF a nossa permanência/acomodação na escola, mas houve no entanto a necessidade do seguimento de todo o protocolo/burocrático de obter as autorizações com as competências locais, pois é um procedimento extremamente necessário em Moçambique quando envolve alguma Instituição de Ensino e investigações em comunidades, feito isto, fomos muito bem recebidos na EPF, tanto pela direcção quanto pelos professores, estudantes e funcionários.
Avaliação: Neste encontro pode-se conversar com o conselho de professores e durante esta conversa foi informado que o líder da comunidade de Chamane e o líder da associação de agricultores eram funcionários da escola, assim sendo tratamos de organizar um encontro com os mesmos para visitarmos a associação de agricultores. A partir disto, foi organizado uma visita a área de produção da associação, pois a associação ainda não possui uma sede estruturada.
Considerando que a educação tem como seu princípio básico atender a todas as pessoas indistintamente. Dentro desta perspectiva e dos parâmetros que norteiam a educação que hoje se depara com um mundo globalizado e ainda assim muitas pessoas nas comunidades rurais, ainda se encontram excluídas, impedidas de exercerem seus direitos de cidadãs. Neste contexto é importante destacar a importância do domínio da Educação Não Formal pelos agentes comunitários no processo de melhorias da qualidade de vida e IDH dos moradores das comunidades pobres e rurais que por diversas razões não puderam seguir com a educação formal…
Ressalta-se aqui a observação de que a educação se apresenta em diferentes formatos e características sendo todas elas importantes: a educação não formal, informal e formal para a prática educativa. Estas modalidades de ensino não são substitutivas, mas se complementam nas suas ações de tal forma que o ensino e a aprendizagem perpassem por elas. Assim, os três formatos de ensino devem caminhar juntas, pois podem elas ocorrer em espaços formais e em não formais de educação.
Observações:
- Apendice 04 – Fotos da EPF de Inhambane
Data: 17 de outubro de 2022
Investigação: 01
Objectivo: Visitar a área de cultivo da Associação para observar suas técnicas de produção.
Actividade: Visita a área de cultivo da Associação de agricultores da comunidade.
Resultado: Foi visitado a área de produção da associação e observado suas técnicas de produção, e realizado a captura de algumas fotos da área.
Comentário: Durante a visita ao local de cultivo da associação, observou-se que o solo daquela área é um solo arenoso e que as técnicas de produção ainda são um pouco rudimentares, como por exemplo: não possuem um sistema de regadio organizado, não possuem conhecimento técnico de preparação de fertilizante/adubo orgânico, não realizam rotação de culturas como técnica de preservação do solo.
O impacto do uso de técnicas de produção rudimentar e falta de conhecimento de técnicas para melhoria da fertilidade do solo, é a baixa produtividade.
Nesta mesma visita, foi observado que os agricultores faziam o uso de estrume para fertilizar os canteiros de produção de hortaliças, porém, notou-se que eles não realizavam a preparação do estrume antes de serem lançados nas culturas, então foram orientados do processo de preparação correcta do estrume para ser usado como fertilizante e que nunca se deve usar o esterco de gado sem efetuar o processo de curtimento, pois esse material pode oferecer risco à saúde da planta e à humana também.
Então orientou-se a uma forma das mais simples de curtir o estrume de gado que é formar uma pilha com o material e umedecer diariamente a cada dois dias, revirando-o a cada sete (07) dias, após 30 dias, ele já está pronto para aplicação nas culturas. Após conversamos com a liderança da associação sobre o desenvolvimento de melhores técnicas de produção e sua importância , o mesmo concordou de reunir os membros da associação para que a maioria pudessem participar de encontros onde envolveria o ensino de técnicas mais aprimoradas de produção, discussões sobre a implementação de acordo com a realidade local assim como muita acções práticas.
Assim acordou-se que um novo encontro com todos os membros deveria ser realizado para melhorar as técnicas de fertilização.
Observações:
- Apêndice 05 – Fotos da 1ª visita ao local de cultivo da associação de agricultores
Data: 20 de outubro de 2022
Investigação: 02
Objectivo: Conhecer os membros da associação e formar o grupo de colaboradores/participantes;
Actividade: Foi realizado um encontro com a maioria dos membros da associação.
Resultado: Foi discutido de forma gradativo o entendimento dos as técnicas usadas na produção, pautando-se no respeito e no diálogo, organizou-se um grupo de membros a participar do projecto.
Considerando que uma parte considerável das agricultoras não tem básicas habilidades com a escrita e leitura, organizamos dois grupos específicos para a implementação do projecto, um deles constituído por sete (07) membros dos quais além de terem o domínio da língua local, percebiam também a língua portuguesa e assim poderiam intermediar/traduzir aos demais vinte e oito (28) membros, as conversas e diálogos durante os encontros. Foram apresentados ainda, e discutidos neste encontro, alguns dos princípios adotados no modelo de produção denominado de Agricultura Sintrópica, para que eles já tivessem um entendimento prévio do sistema que permitisse um melhor resultado da atividade prática.
Comentários: O encontro foi bom e participaram trinta e cinco (35) membros da associação sendo a maioria mulheres agricultoras. Foi realizado uma conversa bem agradável, com objetivo de entender o modo de vida desses e fazer o reconhecimento mais detalhado dos sistemas de produção, a fim de adequar as atividades de acordo com as principais necessidades locais e possibilidades, o processo de trabalho foi dividido em etapas, ou seja, organizamos um espaço com acesso a eletricidade e sala numa localidade a aproximadamente cinco quilômetros do local de encontro da associação, para que pudéssemos com o grupo menor de sete membros, capacitá-los para que depois estes pudessem traduzir e apresentar ao grupo maior na língua local.
Assim acordou-se um novo encontro com o “microgrupo” para a capacitação em técnicas de Agricultura Sintrópica.
Observações:
- Apêndice 06 - Fotos de um dos encontros com a associação de agricultoras/es.
Data: 22 de outubro de 2022
Investigação: 03
Objectivo: Realizar do 1° encontro de capacitação em AS com o micro-grupo de sete (7) participantes e exibir 02 vídeos de Agricultura Sintrópica, para que pudessem ter uma ideia de como é uma agrofloresta e a partir dessa visão ter subsídios para discutirem possibilidades de sua implementação.
Actividade: Exibição de dois vídeos de AS implementadas em áreas com solo degradado.
- Vídeo 01 – Titulo:Agroflorestar: Semeando um mundo de amor, harmonia e fartura. O filme mostra como a introdução do sistema agroflorestal revolucionou a vida de mais de 100 famílias numa comunidade rural em Brasil... Link https://www.youtube.com/watch?v=rU9W_FBHwvA&t=247s Duração de 31minutos e 33 segundos
- Video 02 – Título: Ernest Götsch, globo rural em agricultura Sintrópica... Este vídeo mostra uma reportagem realizada por um programa especializado em agricultura onde é entrevistado o próprio autor e criador da ‘Agricultura Sintrópica” Ernest Götsch. Link : https://www.youtube.com/watch?v=YJ90E9ugsIU Duração: 21 minutos e 17 segundos
Resultado: Foi exibido os vídeos e após houve uma boa discussão sobre a agricultura Sintrópica / Agrofloresta e sua possível implementação na área de produção da associação.
Comentários: A exibição de vídeos de AS, foi pensada e realizada com o propósito de que os participantes da capacitação pudessem ter uma ideia de como é uma agrofloresta e a partir dessa visão ter elementos para discutirem e visualizarem possibilidades para implementar nas áreas de produção da associação. Após as discussões organizou-se um novo encontro para dar continuidade a capacitação dos participantes. Destaco alguns comentários dos participantes, como por exemplo: Não sabiam que as coberturas mortas (folhas secas) contribuem na proteção do solo e que até aquele momento eles queimavam as folhas secas por não terem este tipo de conhecimento. Também não tinham sabiam de que após a decomposição da cobertura morta ela contribui para que o solo seja mais fértil.
Observações :
- Apêndice 08 Lista de nome dos participantes do microgrupo de capacitação
Data: 25 de outubro de 2022
Investigação: 04
Objectivo: Capacitar o microgrupo de participantes sobre a saúde do solo para um bom desenvolvimento das culturas.
Actividade: Realizado um encontro com o microgrupo de participantes da associação.
Resultado: Foi capacitado o microgrupo sobre a saúde do solo e a importância da utilização de cobertura morta para proteção do solo.
Comentários: A segunda etapa da capacitação abordou-se sobre a saúde do solo e foi apresentado formas de melhorar a qualidade do solo dentro desses sistemas. Foi compreendido que para ter um bom rendimento de uma agrofloresta a cobertura do solo é fundamental, pois esta cobertura que é feita com materiais orgânicos, cria um ambiente parecido com o das florestas favorecendo o desempenho das plantas que ali estiverem.
Durante as discussões observou-se que tinham pouco conhecimento relacionado a saúde do solo e que a única forma que realizavam era o uso directo de estrume vaca e ou galinha nas culturas sem antes prepararem o material/estrume de forma adequada para ser usado; assim foram também capacitados sobre o preparo correcto do estrume para poder ser usado nas culturas.
Após uma boa discussão com o microgrupo de participantes decidiu-se realizar mais um encontro de capacitação para abordar noções básica de biodiversidade e estratificação.
Observações :
- Apêndice 07: Foto da capacitação do microgrupo de agricultoras/es.
Data: 31 de outubro de 2022
Investigação: 05
Objectivo: Capacitar o microgrupo de participantes sobre noções básica de biodiversidade e estratificação. Entender como as plantas ocupam o espaço em decorrência de necessidade de luz e a importância do planejamento do sistema.
Actividade: Realizado um encontro com o microgrupo de participantes da associação para capacitação sobre biodiversidade e estratificação.
Resultado: Foi capacitado o microgrupo sobre biodiversidade e estratificação;
Comentários: Neste encontro foram passadas noções básicas sobre a biodiversidade e como promover essas condições dentro da agrofloresta. Em relação a estratificação foi exibido um curto vídeo para melhor entendimento e destacou-se da importância de na plantação existir diferentes espécies no mesmo local e ao mesmo tempo, de forma a que estas cooperem entre si, ou seja a “ocupação vertical da agrofloresta” maximizando o uso da luz solar pelas plantas e, aumentado assim a fotossíntese e a produção de biomassa por área. Explicou-se que a estratificação, além de eliminar a competição por luz, ela favorece a cooperação entre as espécies.
O grupo revelou que todos estes conhecimentos são totalmente novos para eles e que para iniciar suas machambas/área de produção alguns anos passados, cortaram toda a natureza nativa e não fizeram plantio de nenhuma arvore e com isto ano a ano a produção ficava mais baixa.
Ao final deste encontro, o colectivo discutiu e decidiu que estas novas técnicas deveriam serem passadas para o grupo maior” toda a associação” e assim combinou-se a realização de mais três (3) encontros com o grupo maior ( todos os membros da associação).
Observações:
- Apêndice 09 Estratificação e sucessão – fotos usadas na apresentação
- Link dos vídeos usado neste encontro
- Estratos agroflorestais - https://www.youtube.com/watch?v=xRjb8LIVMq8
- A floresta Sintrópica chega a Moçambique / Video produzido em 2018 pelo autor deste trabalho- https://www.youtube.com/watch?v=zn_nB8_VTNY
Data: 02 á 04 de novembro de 2022
Investigação: 06
Objectivo: Apresentar ao grande grupo (todos os membros da associação) o modelo de Agricultura Sintrópica.
Actividade: Realizado palestras e actividades praticas de Agricultura Sintrópica na área de produção da associação;
Resultado: O grupo maior, compreendeu os conceitos básicos de Agricultura Sintrópica e foi realizado actividade pratica num dos canteiros de produção.
Comentários: O microgrupo capacitado esteve muito participativo nas apresentações e acções práticas no campo de produção, pela razão de o investigador principal não dominar a língua local, sendo assim o pesquisador principal (com ajuda de um tradutor membro da associação) fez o acompanhamento do processo e tirou algumas dúvidas que surgiram durante as apresentações. Foi apresentado alguns dos princípios adotados no modelo de produção denominado de Agricultura Sintrópica.
Após três consecutivos encontros com todos os membros da associação, o colectivo decediu implementar em uma área de aproximadamente 2000 m² um campo de Agricultura Sintrópica
Data: 07 de novembro de 2022
Investigação : 07
Objectivo: Planificação da abertura de um campo de experimentação de Agricultura Sintrópica
Actividade: Planificar o distanciamento entre as colunas de árvores, e tipo de culturas a ser plantadas.
Resultado: Foi planificado a abertura do Campo de Agricultura Sintrópica e decididos os tipos de culturas a serem trabalhadas.
Comentários: Decidiu –se usar para a abertura do Campo de agricultura Sintrópica uma área de aproximadamente 2000 m² . As mudas de árvores frutíferas que o colectivo decidiu que seriam plantadas 10 mudas de abacateiro, 10 mudas de mangueiras, 5 mudas de papaeiras e 20 mudas de bananeiras. No Local escolhido, já haviam alguns pés de Caju e coqueiro, assim como uma plantação de mandioca, assim, realizou uma boa planificação para que todas as culturas ficassem em harmonia.
Para o dia da grande acção, foi convidado o director da EPF de Inhambane para estar presente no início da abertura deste campo de produção. Assim organizou-se que após esta planificação, a sua implementação seria no dia 11 de novembro com inicio ás 05:30h e que as agricultoras já viessem preparadas com suas enchadas , regadores e catanas para a acção.
Data: 11 de novembro de 2022
Acção: 04:
Objectivo: Abertura do Campo de Agricultura Sintrópica
Resultado: Foi aberto um Campo de Experimentação de Agricultura Sintrópica de 2000 m² com o plantio de 45 árvores frutíferas.
Comentários: Neste dia todos os membros da Associação de Agricultores de Chamane estiveram presentes logo ás 05:30h. Iniciamos imediatamente a demarcação no terreno de onde e em qual distância seria plantado cada árvore, o director da EPF, Sr Pedro Cumbane, compareceu e realizou um discurso motivante aos membros da associação e comprometeu-se de que os estudantes da EPF e a Instituição seriam mais participativos com a comunidade. Também estiveram presentes neste grande dia os estudantes do ISET- One World que também desenvolveram projectos naquela comunidade, são eles: Faize Hilário, Jaime Macamura, Esmina A Sitoi, Esperança B. Dumangane. Marce L Maquissene, Teresa F Daniel, Iolle A. Seneta e Peter A. Mulunga.
Após a acção prática reunimos debaixo do pé de caju, (ponto de encontro no campo) para uma breve avaliação do impacto geral das actividades implementadas durante o projecto, ou seja, compreender até que ponto as actividades implementadas desde o começo até ao fim estão a surtir efeitos para o colectivo da associação. Assim, foram discutidas várias questões, dentre as quais sobre as vantagens do projecto, seu impacto, a eficácia das actividades, os sucessos, os fracassos, os pontos a melhorar nos próximos anos para garantir a continuidade das actividades.
Houve uma interacção muito forte e comentários fortificadores; algumas disseram que já compreendem agora, porém antes do projecto não sabiam da necessidade de proteger o solo e da importância do uso de fertilizantes. Alguns outros participantes comentaram que o projecto trouxe uma nova maneira de pensar e produzir Agricultura de Subsistência, ou seja, de fazer as coisas, na medida em que todos membros da associação compreendem e comparticipam nas actividades práticas para uma agricultura com maior produção e usando técnicas de baixo custo e sustentável.
Houve muito mais comentários de outras individualidades que se presumem
em: o projecto valeu a pena e deve continuar nos próximos anos para revolucionar a nossa comunidade, a nossa forma de produzir alimentos.
O presidente da associação emocionou-se em seu discurso ao dizer que ficou muito feliz em ver chegar até a comunidade onde vive, professor e estudantes universitários para conversar e desenvolver projecto junto com as pessoas que ali vivem, disse que pelo fato de a comunidade ficar longe da estrada de alcatrão (aproximadamente 4 km de areal) e não possuírem energia elétrica e nem água canalizada não atraiam muitos colaboradores e ou educadores para apoiar o desenvolvimento local, embora já estivesse passado por aquela comunidade alguns estudantes do ISET em 2017, esta é a primeira vez que chega um professor universitário para conversar e trabalhar com a comunidade, não escondeu sua emoção de ver neste dia a presença do director da EPF de Inhambane, o Sr Pedro Cumbane ... Assim, após a sessão geral de comentários, tratamos no colectivo do microgrupo da associação uma forma de atribuir responsabilidades aos membros de maneira a garantir a continuidade das actividades no campo de produção de Agricultura Sintrópica.
Para tornar possível um acompanhamento e aconselhamento á distância por parte do autor/ pesquisador do projecto, foi criado um grupo na plataforma social do Facebook e adicionado dois dos membros da associação que possuem telefones/Smartfhone e também duas estudantes da EPF de Inhambane que se voluntariarão a apoiar.
Observações:
- Link/ligação do grupo criado na plataforma social do Facebook: https://web.facebook.com/groups/1186561228872435
- Apêndice 11: Fotos da acção de abertura do Campo de produção de agricultura Sintrópica
5.2. Considerações Finais
Os princípios do trabalho de investigação na Investigação-Acção Participativa com propósitos de desenvolvimento comunitário e ou integração social, tenta evitar a investigação tradicional “extractiva”, que muitas vezes realizada por universidades e governos, na qual os “especialistas” aproximam de uma comunidade, muitas vezes apenas por ser uma exigência dentro de uma disciplina ou módulo de um curso académico, estudam os seus temas, e levam consigo os seus dados para escrever os seus artigos, relatórios e teses.
A Investigação dentro da Investigação Acção Participativa é desenvolvida e realizada com uma forte associação com uma acção e o problema colectivo são identificados pelos pesquisadores e participantes da situação que são envolvidos em todo o processo. Devido a estas características, o método de pesquisa-ação, tem sido amplamente utilizado no campo das pesquisas por agências de desenvolvimento, programas de extensão universitária e organizações comunitárias.
Dentro do trabalho de pesquisa acção aplicado em comunidades rurais em Moçambique, onde uma maioria dos moradores teve pouco acesso ao ensino formal e ainda se encontram excluídas, impedidas de exercerem seus direitos de cidadãs, no que se diz ao acesso a educação, é de extrema relevância que o agente de desenvolvimento tenha algumas habilidades pedagógicas para educar pessoas, assim destaco a importância que teve o uso de educação não formal para a realização do objectivo deste projecto.
Observando que a educação se apresenta em diferentes formatos e características sendo todas elas importantes, (a educação não formal, informal e formal) e que não são substitutivas, mas se complementam nas suas ações de tal forma que o ensino e a aprendizagem perpassem por elas possibilitando caminharem juntas, pois podem elas ocorrer em espaços formais e em não formais de educação.
Destaca-se também o trabalho das mulheres agricultoras na produção de Agricultura de Subsistência na Associação de Agricultores/as da Comunidade de Chamane, que são um total de 30 no universo de 35 membros da associação, evidenciando assim que a mulher camponesa é a principal cuidadora da produção de alimentos da comunidade. Dentro destas considerações, o trabalho desenvolvido com a associação que se deu por meio de visitas, diálogos e capacitações, permitiu estabelecer uma relação de troca de saberes, experiências e conhecimentos com as agricultoras da associação. Nos primeiros encontros com o grupo na área de cultivo, foi percebido que aquela produção era a principal forma de sobrevivência, no entanto o pouco conhecimento de técnicas de manejo, limitavam o desempenho da produção.
A relação que se estabeleceu entre as partes estreitou a confiança e credibilidade no projeto, e foi fundamental, para tornar possível a introdução de técnicas de Agricultura Sintrópica de produção sustentável, permitindo o acesso a conhecimento de novas técnicas e práticas para produzir mais e de forma sustentável. A capacitação realizada com o microgrupo de agricultoras/es, com exibição de vídeos e discussões sobre agrofloresta permitiu as agricultoras a visualização de que é possível produzir de forma sustentável e garantir a segurança alimentar, através do cuidado e preparo do solo, e do uso de técnicas eficientes e ecológicas. O interesse e a curiosidade das agricultoras em ver, através do vídeo, uma produção em uma agrofloresta já consolidada, contribuiu muito para solidificar a confiança em produzir em sistemas como esses, na comunidade onde vivem.
O objectivo do projecto em melhorar a produção agrícola de subsistência da Associação de agricultores de Chamane no distrito de Inhambane através da abertura de Campo de demonstração e prática de Agricultura Sintrópica foi alcançado de forma satisfatória. O grupo alvo demonstrou muita satisfação com os resultados das ações realizadas durante a investigação-acção a qual puderam desenvolver ou aperfeiçoar diversas habilidades e competências relacionadas a preparação do solo e Agricultura Sintrópica. Entretanto, é necessário que as agricultoras continuem sendo assistidas, para que se fixe de forma eficaz esse tipo de produção. Somando-se a isso, a ação promoveu um estreitamento da relação entre universidade ISET-One World e comunidade não acadêmica.
5.3. Bibliografia
1. ANDER-EGG, E. Introducción a las técnicas de investigación social: para trabajadores sociales. 7. ed. Buenos Aires: Humanitas, 1978.Esta obra foi pesquisada para perceber sobre as técnicas de investigação social
2. BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza. Fundamentos de Metodologia Científica. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2014. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre Metodologia científica
3. DIEHL, Robert. Agricultura Geral. 1ª ed. Clássica Editora. Lisboa, 1984. 579 p. Esta obra foi consultada para aprofundar sobre o conceito de agricultura.
4. DURKHEIM, Émile. Educação e Sociologia. Trad. Stephania Matousek. São Paulo: Melhoramentos, 2013. Esta obra foi pesquisada para perceber melhor sobre Educação e Sociologia.
5. FACHIN, Odília. Fundamentos da Metodologia Científica: noções básicas em pesquisa científica. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2017. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre Metodologia científica
6. FLICK, U. Uma introdução à pesquisa qualitativa. Porto Alegre, RS: Bookman, 2004. Esta Obra foi consultada para aprofundamento e melhor percepção sobre a Pesquisa Qualitativa
7. FONSECA, J. J. S. Metodologia da pesquisa científica. Fortaleza: UEC, 2002. Apostila. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre Metodologia científica
8. FONTANA, F. Técnicas de pesquisa. In: MAZUCATO, T. (org.). Metodologia da pesquisa e do trabalho científico. Penápolis, SP: FUNEPE, 2018. p. 59-78.
8. Esta obra foi consultada para perceber melhor sobre a Pesquisa Bibliográfica seus fundamentos e importância em um trabalho científico.
9. FREIRE, Paulo. A mensagem de Paulo Freire: textos de Paulo Freire selecionados pelo INODEP. São Paulo, Nova Crítica, 1977. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre conceito de Educação e a visão do destacado pedagogo.
10. _______________, PEDAGOGIA DA AUTONOMIA - saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2003. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre conceito de Educação
11. GADOTTI, Moacir. A questão da educação formal/não-formal. Seminário Direito à educação: solução para todos os problemas ou problema sem solução? Institut International Des Droits De L’enfant (Ide), Suíça, 2005. Consultado para perceber melhor sobre educação e educação não formal.
12. GIL, Antonio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre elaboração de projectos.
13. ___________, Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2019. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre elaboração de projectos e metodologias
14. GOHN, Maria da Glória. Educação Não Formal, Aprendizagens e Saberes em Processos Participativos. Investigar em Educação, São Paulo, n. 11, p.35-50, nov. 2014. Disponível em:https://epale.ec.europa.eu/sites/default/files/gohn_2014.pdf Acesso em: 07 set. 2022. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre conceito de Educação não formal.
15. GÖTSCH, E. Homem e natureza: cultura na agricultura. Recife: Centro Sabiá, 1997. Obra consultada para perceber sobre Agricultura Sintrópica.
16. KURT, Lewin. Teoria de Campo em Ciência Social. Trad Carolina M. São Paulo:Pioneira, 1965, p.177. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre Pesquisa acção
17. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
18. LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.
19. PASINI, F. S. A Agricultura Sintrópica de Ernst Götsch: história, fundamentos e seu nicho no universo da Agricultura Sustentável. Dissertação (Mestrado em Ciências Ambientais e Conservação) -Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 104 p, 2017. Consultado esta dissertação para a compreensão mais aprofundada sobre Agricultura Sintrópica.
20. PRADO JR, C. Formação do Brasil Contemporâneo. São Paulo: Brasilienses, 1979. Esta obra foi consultada para saber sobre a Agricultura de subsistência
21. SILVA, E. L.; MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação.4. ed. rev. atual. Florianópolis, SC: UFSC, 2005. Esta obra foi consultada para perceber melhor sobre a Metodologia de Pesquisa e em especifico a Pesquisa Qualitativa.
22. THIOLLENT, M. Pesquisa-Ação nas Organizações. São Paulo: Atlas, 1997. Esta obra foi pesquisada para perceber sobre a Pesquisa -acção
23. __________, M. Metodologia da Pesquisa-ação. São Paulo: Cortez Editora, 2005 Esta obra foi pesquisada para perceber sobre Pesquisa – acção
24. WILLIAMS, R. Reprodução. In: WILLIAMS, R. Cultura. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 179-203.
5.4. Apêndices
Apêndice 01 - Cópia da autorização expedida pelo SPAS.
Apêndice 02 - Cópia da credencial concedida pelo gabinete do ADM do distrito de Inhambane.
Apêndice 03 – Foto com o Administrador do Distrito de Inhambane em seu gabinete
Apendice 04 – Fotos da EPF de Inhambane
Apêndice 05 – Fotos da 1ª visita ao local de cultivo da associação de agricultores
Apêndice 06 - Fotos do encontro com a associação de agricultoras/es.
Apêndice 07: Capacitação do microgrupo de agricultoras/es.
Apêndice 08 Lista de nome dos participantes do microgrupo de capacitação
|
Nome
|
Função
|
Idade
|
|
Samuel Muenhe
|
Presidente da
AACC
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35
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|
Luísa
Ranessina
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Grupo alvo
|
28
|
|
Enia Pedro
|
Grupo alvo
|
29
|
|
Sónia
Moçambique
|
Grupo alvo
|
41
|
|
Vanda Pedro
|
Grupo alvo
|
27
|
|
Anastácio
Samuel
|
Grupo alvo
|
25
|
|
Irene Taimo
|
Grupo alvo
|
37
|
Apêndice 09 : Estratificação e sucessão – fotos usadas na apresentação
Apêndice 10:
Apêndice 11: Fotos da Abertura do campo de Agricultura Sintrópica