Práticas Pedagógicas inovadoras para o desenvolvimento de competências socioemocionais


Estudante finalista Samira Beu em Práticas Pedagógicas 

 A Prática Pedagógica 

A Prática Pedagógica é entendida como uma prática social complexa, acontece em diferentes espaço/tempos da escola, no cotidiano de professores e alunos nela envolvidos e, de modo especial, na sala de aula, mediada pela interação professor-aluno-conhecimento. Nela estão imbricados, simultaneamente, elementos particulares e gerais. Os aspectos particulares dizem respeito: ao docente – sua experiência, sua corporeidade, sua formação, condições de trabalho e escolhas profissionais; aos demais profissionais da escola – suas experiências e formação e, também, suas ações segundo o posto profissional que ocupam; ao discente – sua idade, corporeidade e sua condição sociocultural; ao currículo; ao projeto político-pedagógico da escola; ao espaço escolar – suas condições materiais e organização; à comunidade em que a escola se insere e às condições locais.

Presentes também estão na prática pedagógica elementos gerais de sua constituição histórica, políticas públicas e o momento sócio-econômico-político em que se situam. Tais fatores podem interferir de modo direto ou indireto nas práticas pedagógicas, segundo políticas públicas estabelecidas (reformas gerais, implantação de novos currículos, submissão a processos de avaliação institucional, etc.) e também segundo momento histórico em que se vive (eleições de cargos públicos, paralisações de aulas e lutas das categorias docente e discente por seus direitos, etc.).


 Prática Pedagógicas do ISET – One World  em Moçambique





Esta Licenciatura em curso de Pedagogia do ISET-One World tem 720 horas de prática de ensino que consistem em 3 elementos da prática de ensino:

  • Parte1: 600 horas de ensino em uma instituição de ensino,
  • Parte 2:   90 horas de acções comunitárias de ensino,
  • Parte 3:   30 horas de realização de projectos educacionais no ambiente da sua escola da prática de ensino.


 Práticas de ensino nas escolas 600 horas

1-     Os estudantes devem procurar uma escola  parceira onde irão pôr em prática suas actividades. Os estudantes podem trabalhar nas Escolas seguintes:

  • Escolas Primárias, Escolas Secundárias,
  • Escolas Vocacionas,
  • Institutos de Formação de Professores e outras.
2-     O estudante leva a cabo a prática de ensino como professor, trabalhando como membro de conselho de professores numa Escola, realizando tarefas e cumprindo com suas responsabilidades como professor

3-     Além do seu trabalho normal, o estudante deve-se concentrar em tópicos específicos" relacionados com prática de ensino. Os tópicos serão o espelho da sua avaliação, do seu esforço e suas conquistas em diferentes campos, usando vários tópicos interessantes para implementar numa escola, por exemplo:

  • A cooperação entre pais e escola,
  • a relação comunidade e escola, 
  • emancipação da mulher no desenvolvimento da comunidade, 
  • o papel da família na vida escolar dos educandos e outros.

Parte I - Parte geral é sobre o progresso do trabalho do estudante e a vida da escola, onde o estudante/professor reflecte no que acontece e o papel do pessoal dele/dela.

Parte II – Parte específico é uma investigação sobre um tópico específico da escola. O ISET  tem criado os tópicos para os 12 relatórios, tais como:

  • A dinâmica do conselho de professores;
  • Cooperação pais-escola;
  • As tarefas práticas ao redor da escola e o envolvimento dos estudantes;
  •  A escola como um bem da comunidade;
  • Desporto e eventos desportivos como actividades de promoção de cultura.
  • A escola e as autoridades educacionais locais, etc.


Trabalho de desenvolvimento comunitário - "Educador da comunidade".

A Prática de ensino como Desenvolvimento da Comunidade está relacionada ao ensino, aprendizagem, intercâmbio de conhecimentos ou acções que trazem o desenvolvimento na comunidade. 

O estudante é envolvido em trabalhos comunitários ao redor da escola. Isso significa liderar eventos culturais comunitários, aulas de educação para adultos, acções na comunidade com pais e filhos, liderar um Domingo Aberto, etc.

Um dos problemas com a educação é que a escola, muitas vezes, encontra-se separada da sociedade e ensina de uma maneira muito teórica.

Dntro desta estrtura acima, a expectativa é que os alunos, vão aprender mais sobre como proceder em sua vida, se a sua aprendizagem estará ligada à realidade da sua comunidade para que a comunidade esteja envolvida.

Para a comunidade, é uma riqueza de ter uma escola que pode servir a comunidade como um centro cultural onde muitas actividades úteis podem ter lugar ou que os professores e os alunos vêm para visitas nas comunidades como "Educadores da comunidade".

 Ao organizar acções comunitárias, o estudante irá aprender mais sobre a realidade de hoje e, ao mesmo tempo, os membros da comunidade poderão estar mais ligados à escola.

Eles organizam, po exemplo,

  • Eventos culturais para a comunidade tendo com ponto de partida da escola e seus professores e alunos.
  • Organizam aulas de educação para adultos, onde os alunos das escolas são também convidados (por exemplo, sobre o HIV / SIDA, saúde, etc.)
  • Organizam a  “noite de pai” ou desenvolve actividades onde os pais e os alunos podem estarem presentes, bem como (por exemplo, dia de desporto, jogo nocturno, Grupo de leitura, etc.)
  • Organizam acção que traz desenvolvimento para as comunidades, como por exemplo, uma acção de limpeza no bairro, plantação de árvores, etc.

Parte III: Projectos educacionais

O estudante deve liderar o minimo de um projecto educacional para professores de escolas de práticas pedagógicas. Pode dirigir um grupo de estudos na escola onde trabalha, dirigir um seminário sobre educação prática com foco em métodos de aprendizagem centradas nas crianças ou um curso sobre aquecimento global para professores.

O objectivo desta parte da sua prática de ensino é a realização de seminários e entrar em questões educacionais, juntamente com as pessoas que trabalham com estas questões e problemas, e para discutir sobre as soluções, descobrir novas metodologias e partilhar experiências.

Os tópicos para os seminários podem ser:

  • Métodos para alunos com diferentes capacidades de aprendizagem;
  • Curso sobre o aquecimento global;
  • Como apoiar os alunos em sala de aula para que eles não reprovem?
  • O que fazer com as crianças em sala de aula que não falam Português?
  • Como incentivar os alunos a fazer perguntas em sala de aula? Etc.

Considera-se aqui que o  mais importante é concentrar em questões e temas que sejam relevantes para os professores que trabalham em conjunto.



Aprendizagem Experiencial




                         Aprendizagem Experiencial na Educação de Adultos


Introdução

A aprendizagem experiencial tem como base a construção do conhecimento por meio de experiências, levando-se em conta todas as decorrências situacionais e seus efeitos para o aprendizado. Assim, considera-se que o processo de desenvolvimento de um profissional envolve não apenas a educação formal, como também as experiências profissionais e sociais. Com a atuação mínima de um supervisor/professor, o indivíduo consegue atuar na resolução de problemas considerando suas percepções, histórico pessoal, bagagem de vida e, assim, conferir sentido àquilo que está sendo aprendido.

“Aprendizagem é o processo pelo qual o conhecimento é criado através da transformação da experiência. O conhecimento resulta da combinação de capturar a experiência e transformá-la.”   David A. Kolb

O trabalho tem como objectivo, reflectir em torno da aprendizagem baseada na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos.

Nessa perspectiva, a teoria da aprendizagem experiencial – formulada por David Kolb (1984) – atribui grande valor aos conhecimentos de carácter experiencial, cuja utilidade para gerar desenvolvimento só existe na medida em que podem ser confrontados, comparados, ampliados, revisados e reflectidos junto a conhecimentos de carácter teórico. A teoria kolbiana enfatiza a interação entre o sujeito e a ação, enaltecendo a experiência como forma de alcançar novos aprendizados, considerando também o contexto e a reflexão. O objectivo do aprendizado experiencial não é simplesmente aprender uma habilidade através da prática, mas também pensar criticamente sobre a prática e aprimorá-la. 

A reflexão impõe considerar dois processos básicos: perceber e processar, vinculados respectivamente às dimensões concreta/abstracta e activa/reflexiva. Tais dimensões constituem a base de sustentação de um ciclo de aprendizagem, envolvendo: experiência concreta, observação reflexiva, conceituação abstracta e experimentação activa. As experiências vividas representam a vida como um todo. Não se vive sem experiências e nem se tem experiências sem vida, ou seja, é inerente a vida humana. Isto indica que as experiências são responsáveis pela formação do indivíduo, transformando-o a cada situação, seja com factores positivos ou não.

Nesse aspecto, Dewey (1973, p.17) afirma que “a experiência alarga, desse modo, os conhecimentos, enriquece o nosso espírito e dá, dia a dia, significação mais profunda à vida”.

Na gênese do modelo da aprendizagem experiencial estão os modelos de Lewin, Dewey e Piaget, que abordam como o indivíduo transforma o seu conhecimento através das experiências vivenciadas... Kolb (1984) propõe e testa empiricamente um modelo cíclico para a aprendizagem experiencial que considera que o conhecimento é gerado a partir da transformação da experiência através da reflexão. Os pontos de convergência entre as teorias são: aprendizagem como desenvolvimento para um propósito e o enfoque na experiência para a o desenvolvimento da aprendizagem.

 

O trabalho está estruturado da seguinte maneira: Elementos pré- textuais (Capa, folha de rosto) Elementos textuais (Introdução, Desenvolvimento, Considerações finais) Elementos pós- textuais (Referências bibliográficas).

 

Objectivos da Pesquisa

 

  Objectivo Geral:

·         Reflectir sobre a aprendizagem baseada na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos.

 

  Objectivos Específicos:

·         Identificar a aprendizagem baseada na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos;

·         Definir a aprendizagem baseada na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos;

·         Analisar a aprendizagem baseada na experiência, e na construção do conhecimento, na educação de adultos.

Procedimentos Metodológicos

Segundo SALOMON (1996, p.107), “uma actividade é considerada científica quando: Produz ciência, ou dela deriva, e acompanha seu modelo de tratamento. De outra forma, o autor defende que metodologia científica é a “concreção da actividade científica, ou seja, a pesquisa e o tratamento por escrito de questões abordadas metodologicamente.”

A Metodologia Científica significa estudo dos métodos ou da forma, ou dos instrumentos necessários para a construção de uma pesquisa científica, é uma disciplina a serviço da Ciência.

Para a realização deste trabalho, recorreu-se as seguintes metodologias: quanto a natureza a pesquisa é de carácter qualitativa, e quanto aos objectivos é exploratório-descritiva, e quanto a classificação é análise de conteúdo. A Pesquisa tem por objectivo expor e buscar as explicações de um fenómeno. Quanto á técnica de colecta de dados é Pesquisa bibliográfica: Segundo LAKATOS e MARCONI (1999, P.82) “Consiste em colocar o pesquisador em contacto directo com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre um dado assunto”, a pesquisa foi ainda baseada em referências teóricas descritivas e explicativas sendo elas: livros, e artigos científicos.

 

Revisão da Literatura

Experiência 


Segundo Dewey ( 1959, p.199) O termo experiência

"A experiência não é coisa rígida e Pode interpretar-se seja com referência à atitude empírica, seja com fechada, é viva e, portanto, cresce. Quando dominada pelo passado, pelo costume, pela rotina, opõe, frequentemente, ao que é razoável, ao que é pensado. A experiência inclui, porém, ainda a reflexão, que nos liberta da influência cercante dos sentidos, dos apetites, da tradição. Assim, torna-se capaz de acolher e assimilar tudo o que o pensamento mais exato e penetrante descobre."


Assim sendo a experiência educativa é a experiência, em que o pensamento participa das análises das relações anteriormente não percebidas pelo indivíduo. É um tipo de experiência reflexiva, que permite ao indivíduo adquirir novos conhecimentos ou conhecimentos mais extensos do que antes.

Segundo Kolb (1984) "Aprender é o processo pelo qual o conhecimento é criado através da transformação da experiência." A aprendizagem experiencial é considerada um processo contínuo fundamentado na reflexão que é continuamente modificado por novas experiências. O ciclo começa quando um indivíduo se envolve em uma actividade, e reflecte sobre sua experiência, então, deduz o significado da reflexão e, finalmente coloca em acção a percepção recém-adquirida através de uma mudança de comportamento ou atitude.

Acordando com o autor acima citado, a aprendizagem experiencial pode ocorrer naturalmente na vida diária, ela também pode ser criada ou estruturada para orientar os alunos através de uma experiência e maximizar os resultados da aprendizagem, para estimular competências. - A educação que vem da experiência favorece a aprendizagem porque o aprendiz age sobre o objeto do conhecimento, extraindo dele informações que possibilitarão a aquisição de novos conhecimentos. Dessa forma, o que a educação experimental propõe não é a experiência pela experiência, mas a organização de um  processo de educação significativo para o aluno e que deverá acontecer de forma simples e bem delineada, garantindo o seu desenvolvimento

Aprender pela experiência não significa que qualquer vivência resulta em aprendizagem. Esta aprendizagem é, sobretudo, mental. Assim sendo, apropriar (tornar próprios) o saber proveniente da experiência demanda processos contínuos de ação e reflexão.

 

Educação de adultos

 

A expressão educação de adultos designa o conjunto de processos organizados de educação, qualquer que seja o seu conteúdo, o nível e o método, quer sejam formais ou não formais, quer prolonguem ou substituam a educação inicial dispensada nos estabelecimentos escolares e universitários e sob forma de aprendizagem profissional, graças aos quais pessoas consideradas adultas pela sociedade de que fazem parte desenvolvem as suas aptidões, enriquecem os seus conhecimentos, melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou lhes dão uma nova orientação, e fazem evoluir as suas atitudes ou o seu comportamento na dupla perspectiva de um desenvolvimento integral do homem e de uma participação no desenvolvimento socio-econômico e cultural equilibrado e independente  (UNESCO, 1976, p.4).

Mas esse primeiro conceito não é o mais adequado uma vez que não contempla a educação informal a qual não pode ser desconsiderada quando se fala em educação de adultos. Um novo conceito apresentado na V Conferência Internacional sobre Educação de Adultos, realizada 1997 procura corrigir esse lapso ao apresentar uma nova redação para o tema como podemos observar a seguir:

Por educação de adultos entende-se o conjunto de processos de aprendizagem, formal ou não, graças ao qual as pessoas consideradas adultas pela sociedade a que pertencem desenvolvem as suas capacidades, enriquecem os seus conhecimentos, e melhoram as suas qualificações técnicas ou profissionais ou as reorientam de modo a satisfazerem as suas próprias necessidades e as da sociedade. A educação de adultos compreende a educação formal e a educação permanente, a educação não formal e toda a gama de oportunidades de educação informal e ocasional existentes numa sociedade educativa multicultural, em que são reconhecidas as abordagens teóricas e baseadas na prática (UNESCO, 1997, p.16).

Este novo conceito é o mais amplo de todos na medida em que engloba todos os tipos de estruturas formais, não formais e informais e ao mesmo tempo, remete para múltiplas e diferentes experiências de aprendizagem que se integram nos cenários da vida quotidiana (DOMINGUEZ, 2000). Para além desta segunda definição formal, a Conferência de Hamburgo inscreve na agenda para o futuro, dentre outras recomendações, que “a cooperação e a solidariedade internacionais devem reforçar um novo conceito da educação de adultos, que seja, simultaneamente, holístico para abarcar todos os aspectos da vida e transetorial para incluir todas as áreas de atividade cultural, social e econômica” (UNESCO, 1997, p. 37)

Percebemos a partir destas duas primeiras definições que o termo educação de adultos envolve a totalidade de projetos organizados de educação, independentemente do conteúdo, método e nível, sejam formais ou não formais com o propósito de prolongar, compensar ou reiniciar a educação correspondente ao sistema educacional ordinário, desde que se estabeleçam formas de aprendizagem específicas de caráter profissional ou ocupacional, nas quais as pessoas consideradas adultas alcançam a dupla perspectiva de um enriquecimento integral e uma participação no desenvolvimento equilibrado e independente.

Contextualização

 

A teoria da aprendizagem experimental tem sido amplamente usada na investigação e na prática da gestão da aprendizagem ao longo dos últimos 35 anos. Sustentada nas fundamentações de Kurt Lewin, John Dewey, David Kolb, entre outros, a teoria da aprendizagem experiencial assume-se como uma teoria baseada em ciclos de aprendizagem marcados pela resolução das dialécticas entre acção/reflexão e experiência/abstracção. Estas duas dimensões definem um espaço de aprendizagem holístico onde as transacções de aprendizagem têm lugar entre os indivíduos e o meio em que se inserem.

O conceito de desenvolvimento da profissionalidade reflecte a qualificação quanto a competências, conhecimentos, sentimentos e postura ética relativos à profissão.

Nessa perspectiva, a teoria da aprendizagem experiencial – formulada por David Kolb (1984): atribui grande valor aos conhecimentos de caráter experiencial, cuja utilidade para engendrar desenvolvimento só existe na medida em que podem ser confrontados, comparados, ampliados, revisados, enfim, refletidos junto a conhecimentos de caráter teórico.

Segundo Kolb e Kolb (2009) a aprendizagem experiencial assenta em seis premissas fundamentais:

1. A aprendizagem deve ser concebida como um processo e não em termos de resultado. De forma a potenciar a aprendizagem, o foco principal deve ser um processo que envolva feedback sobre os esforços e reflexões desenvolvidos na aprendizagem.

2. Toda a aprendizagem é uma re-aprendizagem. A aprendizagem é facilitada por um processo que facilite a integração da nova informação tendo por base aquilo que o sujeito aprendeu anteriormente.

3. A aprendizagem requer a resolução de conflitos dialécticos entre modos opostos de adaptação ao mundo. O conflito, as diferenças e o desacordo originam o processo de aprendizagem. Neste processo são postos em causa diferentes/opostos modos de reflexão e acção, de sentimentos e pensamentos.

4. A aprendizagem é um processo holístico de adaptação. Não é apenas o resultado de uma cognição, envolvendo também a integração do funcionamento total do indivíduo – pensamento, percepção e comportamento – em diferentes funções que envolvem a resolução de problemas, a tomada de decisão e a criatividade.

5. A aprendizagem resulta das transacções sinergéticas entre a pessoa e o meio envolvente. Padrões estáveis de aprendizagem humana resultam de padrões consistentes de transacções entre o indivíduo e o meio envolvente. A forma como processamos as diferentes experiências determina as escolhas que iremos fazer no futuro.

6. A aprendizagem é o processo através do qual é criado conhecimento. A aprendizagem experiencial propõe uma teoria construtivista onde o conhecimento social é criado e recriado no conhecimento pessoal do indivíduo. Esta concepção contraria os modelos de “transmissão” de conhecimento, onde as ideias pré-existentes são transmitidas ao individuo. 

Outro autor de referência é Paulo Freire, que valoriza a dimensão da reflexão na aprendizagem experiencial, considerando que o ciclo de aprendizagem experiencial se inicia com a colocação de problemas, que constituem a base para a consciência critica sobre a realidade em que o adulto esta inserido. Freire defende um “ processo de Conscientização” como um meio de mudar as estruturas sociais, através da acção individual e colectiva.

O contributo de Malcom Knowles (1990) Esta relacionado com o modelo andragógico de educação de adultos. O autor considera que o ponto forte da educação de adultos reside na sua experiencia, que está directamente articulada com a  identidade pessoal de cada um.

 

Inspirando se nesse contributo, o adulto aprende e adquire conhecimentos quando esta incluso no seu processo educativo. Quando as suas experiências são validas e integradas no seu programa de formação, relacionando o ensino do contexto a sua realidade, bem como as suas experiências sejam profissionais, ou adquiridas ao longo da vida.

 

PRINCÍPIOS BÁSICOS DA APRENDIZAGEM EXPERIENCIAL

 

A aprendizagem experiencial não representa por si só uma teoria de aprendizagem. È mais uma perspectiva alargada sobre aprendizagem, que enfatiza as experiências de aprendizagem autênticas como base necessária para uma aquisição significativa de competências para o desenvolvimento humano.

A aprendizagem é melhorada quando as características do contexto em que ocorre o ensino são coincidentes ou aproximadas dos contextos de desempenho, isto é, o facto dos contextos serem coincidentes permite a transferência e aplicação efectivas das aprendizagens.

A aprendizagem experiencial é por diversas vezes referida com sendo um ciclo, onde as suas características tendem começar, acontecer e a acabar numa experiência activa. Cada ciclo de aprendizagem demora o seu tempo para ser atingido e a pessoa que aprende pode envolver-se em vários ao mesmo tempo, em diferentes etapas de cada um.

 

Diversos elementos também são importantes para que uma genuína aprendizagem

experiencial ocorra. Estes elementos devem ser:

Ø  Compromisso da parte do aluno, com o processo de exploração e aprendizagem;

Ø  Valorização da experiência própria do aluno;

Ø  Potenciar a independência na aprendizagem;

Base estruturada para a aprendizagem.


Ciclo de Aprendizagem Experiencial

Assim, a aprendizagem experiencial é um processo de construção de conhecimento que envolve a tensão criativa entre os quatro modos de aprendizagem adaptativos às exigências contextuais ... Kolb Y. A. & Kolb. D. A. (2006).

Este processo pode ser ilustrado como um ciclo ou espiral onde o indivíduo “toca todas as bases” – experiencia, reflecte, pensa e age – num processo recursivo que procura responder à situação de aprendizagem e ao que está a ser aprendido O’Toole, L. (2008).

As experiências concretas/imediatas são a base para as observações e para as reflexões. Estas reflexões são assimiladas e destiladas em conceitos abstractos a partir dos quais novas implicações para a acção podem ser delineadas. Segundo Kolb e Kolb (2009), estas implicações podem ser activamente testadas e servem  como linhas orientadoras na criação de novas experiências (Figura 1).

 

Figura 1. Ciclo de Aprendizagem Experimental (adaptado de Kolb & Kolb, 2009)

Da relação entre aprender, conhecer e desenvolver, o ciclo de aprendizagem experiencial integra quatro modelos adaptativos de aprendizagem, pelos quais a apreensão e transformação se conjugam.

Experiência concreta: Refere-se a experiências de contacto directo com situações que propõem dilemas a resolver. As ações são referenciadas em conhecimentos e processos mentais já existentes, aprendidos anteriormente. Principalmente por atitudes de experimentação, obtém-se a matéria-prima para aprendizagens anteriores.

Há ênfase na relação entre o aprendiz e suas percepções, nas relações com pessoas, nas situações cotidianas, lidando com situações humanas imediatas de maneira pessoal. Enfatiza o sentir (sensações e intuições) do que no enfoque sistemático dos problemas.

Observação reflexiva: Constitui-se num movimento voltado para o interior, de reflexão. Caracteriza-se por atitudes, sobretudo, de pesquisa sobre a realidade, tais como:

·         Identificação de elementos;

·         Construção de associações;

·         Agrupamentos entre os fatos perceptíveis da experiência;

·         Determinação de características, dificuldades e possibilidades de escolhas;

Partilha de opiniões sobre um determinado assunto.Há o compromisso com as idéias e com as situações provenientes de diferentes fontes. Enfatiza a compreensão, com enfoque no entendimento do significado de idéias, observando-as e descrevendo-as imparcialmente. O aprendiz confia na objetividade e em um juízo cuidadoso; nos pensamentos para diferenciar e refletir.

Conceituação abstrata: Caracteriza-se pela formação de conceitos abstratos e generalizáveis sobre elementos e características da experiência. Constitui-se de ações de comparação com realidades semelhantes, bem como generalização de regras e princípios, cujo intuito é estabelecer sínteses a partir da troca de opiniões, estabelecendo-se um tronco comum de idéias compartilhadas. O aprendiz vive a experiência criando esquemas, teorias e interpretações abstratas, utiliza-se da lógica, confia nas planificações sistemáticas para desenvolver teorias e idéias para solucionar problemas. Enfatiza o pensar em oposição ao sentir.

Experiência ativa: É a repercussão das aprendizagens em experiências inéditas, num movimento voltado para o externo, de ação. Caracteriza-se por aplicação prática dos conhecimentos e processos de pensamentos tornados reflectidos, explicados e generalizados. A ação está centrada em relações interpessoais, com destaque à colaboração e ao trabalho em equipa.

Aplica-se esquemas, teorias e abstrações resultantes das transformações da experiência concreta ou dos conceitos. O aprendiz atua especificamente nas situações, com o objetivo de influenciar e modificá-las. Busca-se descobrir como teorias e esquemas funcionam na prática.

 A Figura 1 representa o ciclo de aprendizagem experiencial. Do centro para fora, as setas entrecruzadas indicam as duas dimensões que unem acção prática e teórica.

Na proposição de Kolb, experiência concreta, observação e reflexão, formação de conceitos abstratos e, finalmente, teste de hipóteses e conceitos em situações novas constituem os pilares do vínculo cíclico e dialético entre experiência vivida, construção de conhecimento e projeção de aprendizagem em experiências futuras.

Em cada estágio do ciclo, ocorre um tipo específico de aprendizagem: experienciar, refletir, pensar ou fazer.

Esta abordagem para a educação de adultos tem inúmeros benefícios para os educandos, pois é um equilíbrio entre a aprendizagem afetiva (emocional), comportamental e cognitiva (baseada no conhecimento).

 

 Além disso, a aprendizagem é indutiva, o que significa que os educandos chegam às suas próprias conclusões sobre a experiência e o conteúdo, o que torna mais fácil para eles aplicarem diretamente sua aprendizagem nas situações do mundo real, que é adequar o ensino a realidade.

É importante notar que diferentes tipos de estudantes podem começar o ciclo de aprendizagem em diferentes lugares. A aprendizagem não precisa necessariamente começar sempre com uma experiência concreta. Independentemente do estágio em que a aprendizagem começa, porém, Kolb argumenta que a aprendizagem mais abrangente envolve todos os quatro estágios de aprendizagem. A estrutura do ciclo de aprendizagem para que seja eficaz não necessariamente deve seguir a sequência lógica que a mesma apresenta, devido ao facto de cada educando na sua qualidade de ser adulto tem seu ritmo de aprendizagem que os difere uns aos outros.

 

            Kolb (1971, 1984) identificou quatro estilos de aprendizagem que estão associados a diferentes abordagens à aprendizagem Divergente, Assimilativo,  Convergente e Acomodativo.

 Ø  Divergente : Um indivíduo com um estilo divergente tem a Experiência Concreta e a  Observação Reflectiva como as competências dominantes de aprendizagem. Pessoas com este estilo de aprendizagem possuem mais competências na análise de situações concretas a partir de pontos de vista diferentes. É denominado de “Divergente” porque a pessoa que o possua obtém um desempenho superior em situações onde é necessário gerar ideias, como é o caso das sessões de brainstorming. Em situações formais de aprendizagem, pessoas com este estilo preferem trabalhar em grupo, ouvem com espírito aberto e recebem feedback personalizado.

Ø  Assimilativo:  Um indivíduo com um estilo predominantemente assimilativo tem a Conceptualização Abstracta e a Observação Reflectiva como competências dominantes de aprendizagem. Pessoas com este estilo de aprendizagem compreendem melhor um vasto leque de informação transformando-a numa forma lógica e numa ideia concisa. Indivíduos com este estilo estão menos focados nas pessoas e são mais interessadas em ideias e em conceitos abstractos. Geralmente, consideram mais importante a parte teórica do que o valor prático da informação. Em situações formais de aprendizagem tendem a preferir palestras, explorar modelos analíticos.

Ø  Convergente: Pessoas com um estilo convergente têm a Conceptualização Abstracta e a Experimentação Activa como competências dominantes de aprendizagem. Estes indivíduos tendem a ter facilidade em encontrar uma aplicação prática para as ideias e teorias. Possuem uma elevada capacidade para resolverem problemas e tomarem decisões baseadas nas soluções para as questões ou desafios. Preferem lidar com tarefas e problemas técnicos do que com questões de natureza social ou interpessoal. Em situações formais de aprendizagem tendem a preferir situações práticas de experimentação, simulação, etc.

Ø  Acomodativo : Um indivíduo com um estilo ‘acomodativo’ tem a Experiência Concreta e a Experimentação Activa como competências dominantes de aprendizagem. Estas pessoas tendem a preferem desenvolver planos e envolverem-se em situações inovadoras e desafiantes, apresentando uma tendência para agir baseando-se nos sentimentos em detrimento da análise lógica. Na resolução de problemas, indivíduos com este tipo de estilo de aprendizagem tendem procurar informação nas outras pessoas mais do que se guiarem no seu conhecimento. Em situações formais de aprendizagem, tendem a preferir o trabalho em equipa, a definição clara de objectivos, o trabalho de campo e testar diferentes abordagens para levar a cabo o projecto em que se envolvem.   

 

O Papel da Experiência na Educação de Adultos

 Actualmente, as abordagens sobre a aprendizagem experiencial tem sidos desenvolvidas por um vasto número de autores, sob o ponto de vista da educação e da construção ou formação do conhecimento. Para que a experiência seja formadora, é necessário que esta seja: Reconstruída - Modificada - Reorganizada.

Este processo necessita de um trabalho reflexivo, que coloca em jogo duas operações mentais diferentes mas interligadas: a apreensão da experiencia e a sua transformação, tal como foi evidenciado por Kolb.

A apreensão esta ligada á compreensão, enquanto a transformação consiste no processo de interiorização e exteriorização. A dimensão formadora da experiência depende em grande parte dos recursos culturais que permitem a atribuição de sentido. A experiencia para ser formadora deve ser construída e reflectida. Neste sentido, os saberes vão-se construindo a partir das experiencias de vida, habilidades e competências pessoas do adulto é o educador terá de auxiliar essa aprendizagem de forma que o educando seja activo, reflexivo e critico sobre seu meio e sobre os novos conhecimento, visto que é um ser que sabe o que quer aprender, e a experiencia estimula essa vontade de aprender e a apreensão do conhecimento torna-se eficiente.

De acordo com as perspectivas do método de Paulo Freire, o meio onde o individuo se insere, considerando em todas as suas vertentes contribui consideravelmente para o processo de formação. É através da experiência que o individuo estabelece a sua relação com o mundo, com os outros e constrói a si próprio.

Torna-se necessário identificar, por um lado quais são as experiencias que contribuíram para o desenvolvimento das habilidades na vida do adulto, e procurar por outro lado, a relação entre os saberes que se adquirem formalmente e os saberes que são construídos em situações experienciais. Tendo em conta a abordagem no contexto da aprendizagem da própria história dos adultos, as suas qualidades pessoais, sócio-culturais, profissionais, ao valor que se atribui a sua experiência e o seu percurso de vida.

O papel da experiência é construir novos conhecimentos, tendo como base a realidade do adulto, e tornar o aluno activo, reflexivo e critico-construtivo, na formação do seu conhecimento.


Método de Educação de Adulto que se adequa a Aprendizagem Experiencial

A metodologia de Paulo Freire foi inovadora por considerar as experiências do aluno no processo de alfabetização

O método freiriano de alfabetização consiste em usar as experiencias adquiridas ao longo da vida do adulto, como forma de construir e transmitir novos conhecimentos, e para melhor compreender o mundo. Esse método tende a adequar o ensino a realidade e não ao contexto, o que interliga o método a aprendizagem experiencial isto porque ao adequar o ensino a realidade estaríamos indo ao encontro das experiências e habilidades e adquiridas pelo adulto ao longo da vida.

No Método Paulo Freire o processo educativo ocorre e está centrado na mediação educador-educando. Ao educador cabe mostrar ao educando que ele traz consigo uma gama conhecimentos oriundos de suas experiências e ao educador é incumbida a tarefa de auxiliar na organização desses conhecimentos, relacionando os saberes trazidos pelo educando com os saberes escolares. Assim, o aluno/educando melhora progressivamente sua autoestima, conseguindo participar mais ativamente do processo de aprendizagem; consequentemente, maior será a autonomia e maior será também a perspectiva de participação ativa na sociedade.

Segundo Paulo Freire, educar é humanizar.  Educar é o ato de aperfeiçoar as pessoas, pois se o ser humano nascesse perfeito, ele não precisaria ser educado. Por isso, educar é também reconhecer que a natureza humana é incompleta e que precisa ser aperfeiçoada. Além disso, no conceito freireano, os humanos são educados em contato com outros, sendo mediados por algum objeto de conhecimento, no caso, a própria realidade vivida por eles. Dessa maneira, o dia a dia do aluno é um aspecto central no processo de alfabetização. Além disso, educar não é apenas o ato de ensinar aspectos formais e técnicos, mas é também desenvolver a capacidade de compreensão sobre a realidade para que ela seja transformada.  Assim, o ato de educar não é instrumentalizar o aluno, mas qualificá-lo para a compreensão da realidade e para a ação no contexto em que ele está inserido.

Paulo Freire desenvolveu mais uma proposta de alfabetização do que um método, já que a  dinâmica proposta por ele deve ser reformulada de acordo com cada turma, não sendo, então, um método fechado, com padrões pré-definidos. Nesse sentido, a educação freireana possui conceitos centrais a partir dos quais a educação, em geral, e a alfabetização, em específico, devem ser desenvolvidas. Na proposta/método freiriana  é realizado uma dinâmica na qual o professor incentiva os alunos a falarem sobre as próprias vidas e experiências, o que ajuda o professor a identificar o vocabulário dos alunos, além de incentivar o diálogo entre todos.

Após essa etapa, o professor deve definir o material que será usado no processo de alfabetização desse alunos. Esse círculo possuí, então, as três etapas citadas por Paulo Freire, já que é feita uma identificação do vocabulário da turma, seguido de uma tematização, por meio de uma conversa entre os alunos e o professor, e se encerrando com uma problematização sobre o mundo que chama os alunos para a ação.

Etapas do método:


Ø  Etapa de Investigação: busca conjunta entre professor e aluno das palavras e temas mais significativos da vida do aluno, dentro de seu universo vocabular e da comunidade onde ele vive.

Ø  Etapa de Tematização: momento da tomada de consciência do mundo, através da análise dos significados sociais dos temas e palavras.

Ø  Etapa de Problematização: etapa em que o professor desafia e inspira o aluno a superar a visão mágica e acrítica do mundo, para uma postura conscientizada.

 Ao trabalhar a aprendizagem dessa maneira, o método inova ao promover a horizontalidade na relação educador-educando, a valorização da sua cultura e da sua oralidade. Partindo dos princípios de que o educando é sujeito da própria aprendizagem e de quando ele chega à escola já possui um conhecimento de sua língua e de sua cultura, promove uma aprendizagem que ocorre coletivamente e se dá no conflito entre o conhecimento antigo e o novo conhecimento.

  

Considerações Finais

Um dos aspectos fundamentais da aprendizagem experiencial é a importância dada à reflexão. A reflexão ajuda a problematizar, e ser capaz de problematizar torna o sujeito capaz de aprender a aprender. Cada vez mais o controlo da aprendizagem pela própria pessoa é necessário para o desenvolvimento das pessoas e das organizações.

A experimentação é vital para se estabelecer relações entre teoria e prática, realidade e o contexto dos programas de ensino padronizados, visando promover o desenvolvimento profissional, com a experiência concreta, idéias, valores, crenças e histórico pessoal de aprendizado são peças fundamentais para a educação de adultos, valorizando suas experiências o aluno torna-se activo e reflexivo.

A experimentação activa é resultante de reorientações da acção, em que “aprender é examinar as hipóteses, experimentando-as, incorporando-as ou modificando-as em função das novas situações de experiência”.

Se  um eixo importante da formação de adultos passa em grande parte pela experiência, é fundamental saber identificar e valorizar esta experiência.  Ao abordar as experiências formadoras, aborda-se a própria história dos individuos, as suas qualidades pessoais , sócio culturais, profissionais, o valor que se atribui às suas experiencias e ao seu vivido.

 Em suma, a prática não vem necessariamente após a teoria, sendo imprescindível alternar acção e reflexão. Neste sentido é crucial pensar que, na construção de um programa de aprendizagem experiencial, umas das mensagens mais importantes, é transmitir que os verdadeiros instrutores de adultos devem continuamente ligar o conhecimento conceptual e empírico sobre ensinar e aprender. Esta ligação dever ser uma troca mútua de ideias, observações e reflexões críticas entre os profissionais e os investigadores sobre o que ensinamos (conteúdo) e o que fazemos (como) para ajudar os sujeitos a aprender (processo).

 

 

Referências Bibliográficas

 DEWEY, John.  (1959). Como Pensamos. Trad. H. C. Campos, 3. ed. São Paulo: Cia. Ed. Nacional.

https://andragogiabrasil.com.br/metodo-paulo-freire-de-alfabetizacao/ Acessado em 25 de junho de 2021

https://pt.wikipedia.org/wiki/Método_Paulo_Freire Acessado em 25 de junho de 2021

 KOLB, D. (1984). Experiential learning. Englewood Cliffs. New Jersey: Prentice Hall. Disponivél em : https://learningfromexperience.com/downloads/research-library/experiential-learning-theory.pdf

 MARCONI.M. LAKATOS.E (1999). Metodologia do trabalho científico. 7ªed. São Paulo: Atlas editora.

PIMENTEL, A. (2007). A teoria da aprendizagem experiencial como alicerce de estudos sobre desenvolvimento profissional. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

SALOMON, Délcio V., (1999). Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins fontes.

 Ciclo de Aprendizagem Experiencial de Kolb – disponível em  https://d22dvihj4pfop3.cloudfront.net/wp-content/uploads/sites/27/2019/02/13111431/Kolb_sExperientialLearningCycleforAFS_Friends-Portuguese.pdf  Acessado em 10 de junho de 2021

 Educação de adultos: de onde viemos e para onde vamos?

Disponivel em  https://www.redalyc.org/journal/5527/552756514003/552756514003.pdf   Acessado em 15 de agosto de 2021

A Urgência de Educar oara Valores – Disponivel em  http://dge.mec.pt/sites/default/files/Esaude/ebookled.pdf    Acessado em 25 de junho de 2021

 COUTO, Sonia. Método Paulo Freire: princípios e práticas de uma concepção popular de educação. Dissertação de Mestrado. Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo. São Paulo, 1999. Disponível em: http://www.acervo.paulofreire.org:8080/jspui/handle/7891/141

 FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Editora Paz e Terra, 1997.

 FREIRE, Paulo. Educação como Prática da Liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra,1999.

 

Psicologia do Desenvolvimento e da Educação

 



 Psicologia do Desenvolvimento e da Educação


Resumo

O papel do conhecimento psicológico na educação é considerado levando em conta o passado e as várias perspectivas teóricas da Psicologia, atuando para a solução de problemas educacionais hoje. O papel da Psicologia na Educação de amanhã não é uma questão fácil de responder, mas há necessidade de uma concepção psicológica mais completa sobre a natureza humana.

O objectivo deste ensaio é de apresentar parte dos diversos assuntos que envolveram os estudos da Psicologia do Desenvolvimento e da Educação

 

Introdução

Ao longo da história da psicologia, o objeto a que a psicologia se propunha a estudar foi constantemente modificado. Coexistiram variadíssimas correntes científicas que pretendiam explicar o conceito de Ser Humano e estudar todos os processos mentais nele existentes. Porém houve algo que todas as teorias seguiram: a psicologia deveria estudar o comportamento.

A Psicologia é Ciência?

A Psicologia está fundamentada por métodos científicos baseados em fatos empíricos, experimentações e análises teóricas sobre os processos da mente e do comportamento humano, portanto trata-se de uma Ciência!

A psicologia não é senso comum e não pode assumir qualquer tipo de dogmatismo!

Visto que compreende e explica os fenômenos humanos a partir de modelos e teorias consistentes, com o compromisso de apresentar respostas que contribuam com transformações individuais e sociais.

A Psicologia, não diferentemente das demais ciências, também é capaz de descrever, controlar e prever, estando sujeita a falhas; é apta a obter conhecimentos científicos, na condição de falseáveis; encontra verdades temporárias; sugere demarcações e contextualizações históricas em estudos.

Sendo assim, o mais importante, e que deve ser ressaltado, não é então a quantificação, e nem mesmo a exatidão de resultados, mas sim o reconhecimento de que o conhecimento ao qual se busca poderá sempre ser modificado. Enquanto ciência humana, desta maneira, a(s) Psicologia(s) deve(m) deixar sempre claro o recorte epistemológico que está (ão) lidando, a teoria utilizada e a metodologia, devido às suas especificidades e diversas possibilidades, considerando os possíveis aspectos a serem analisados, como o ser, o comportamento humano, a cultura, e todas suas tantas possibilidades de envolvimento.

É preciso ainda reconhecer neste campo de saber a necessidade específica de estudar o que há de mais dinâmico, produzindo conhecimento justamente neste sentido. É desta maneira que podemos compreender a afirmação de que fazer ciência não é somente responder questões, mas, sobretudo, é produzir questões (considerando que só as produz quem conseguiu realizar alguma compreensão, aqui epistemologicamente falando).

Diante da dúvida de classificar a psicologia como uma ciência ou não,  já sei  que a resposta é um confiante sim. Não podemos cair no erro de negar as evidências e tentar frear o avanço científico nessa disciplina, que é tão importante para entendermos a nós mesmos tanto a nível individual quanto a nível de sociedade.

Na afirmação da nova ciência, a Psicologia define o seu objecto, e estabelece o seu método de trabalho. Os diferentes ramos da psicologia resultam de diferentes modos de abordagem do comportamento humano.

Estes métodos são:

METODO INTROSPECTIVO

Introspecção no sentido restrito da palavra propõe o conhecimento das emoções através da observação interna e reflexão por parte do próprio sujeito. O indivíduo é ao mesmo tempo sujeito do conhecimento e objecto de estudo num processo de auto-observação.     A Introspecção controlada implica a presença de observadores externos e estruturação da descrição das emoções.      É defendido pela corrente associacionista de modo a permitir o estudo das emoções e estados da consciência de uma forma sistemática: orienta-se para o estudo do consciente.

 

Obs:    Este método foi desvalorizado  por não conseguir evitar o subjectivismo;    Apesar destas limitações este método permite o estudo dos pensamentos e uma tomada de consciência dos actos pelo que se continua a utilizar, embora em contextos diferentes dos propostos por Wundt.

 

 MÉTODO DA OBSERVAÇÃO

Desde a Introspecção ao método clínico, o estudo da psicologia passa pela observação dos fenómenos psíquicos. A realização da observação isolada do método experimental sucede por, em determinadas ocasiões e por motivos práticos ou deontológicos, não ser possível o recurso ao método experimental.     Contudo é sempre possível estabelecer hipóteses e recorrer a técnicas de observação que permitam a verificação das hipóteses sem passar pela experimentação.

 

As condições em que essa observação é produzida levam a identificar diferentes formas:

a)      Laboratorial - Produzida em condições controladas

b)      Naturalista - Elaborada no meio natural em que se desenrola a situação

c)      Invocada - Realizada a partir de situações ocasionais e em que as condições não são controladas nem previstas

Obs:    Esta técnica de observação tem um grau de objectividade menor, especialmente a última estratégia, permite pelo contrário o estudo nas condições reais de uma situação sendo ainda extremamente prática.

 

MÉTODO EXPERIMENTAL

O Método Experimental baseia-se no método científico comum à maioria das ciências. É defendido pelo Behaviorismo mas utilizado por outras correntes de psicologia. O seu objectivo é permitir conhecimentos sobre comportamentos comuns a um grupo de pessoas.

Esta foi a técnica mais utilizada para o estudo do cérebro mesmo ainda antes da existência de aparelhos modernos.

 

MÉTODO CLINICO

Não é um método de pesquisa nem pretende descobrir leis do comportamento mas constitui-se como uma série de procedimentos de diagnóstico e tratamento de pessoas com problemas de comportamento e /ou emocionais.

 

Deste modo o estudo desenvolve-se sobre um único indivíduo ao longo de determinadas fases.

a-                 Anamnese - Levantamento da história individual do paciente, recorrendo a fontes externas e trazendo à memória informações perdidas. Esta fase permite elaborar algumas hipóteses de trabalho que vão condicionar a fase seguinte

b-                 Entrevista - Colocação de questões ao paciente na tentativa de seleccionar hipóteses a partir das suas respostas verbais e não-verbais (gestos, reacções, etc.)

c-                 Observação - Estudo dos comportamentos do paciente no seu ambiente natural de modo a confirmar a hipótese seleccionada

d-                 Testes - Realização de testes de personalidade (do tipo projectivo) de modo a certificar as conclusões. Note-se que estes testes podem ser igualmente utilizados no início do processo de modo a fornecer informações.

A partir da confirmação da hipótese deduz-se qual o tratamento a desenvolver.

É encontrado a aplicação deste método em Piaget e em Kholer

 

MÉTODO PSICANALÍTICO

Com o objectivo de conhecer o inconsciente Freud Estabelece um conjunto de procedimentos que nos podem fornecer informações sobre o inconsciente do paciente, responsável pelos seus distúrbios.

a-                Hipnose - Induzir o paciente, através de uma sugestão intensa,  num estado semelhante ao sono mas no qual é possível estabelecer a comunicação com o hipnotizador e ser sugestionado, podendo assim revelar memórias ocultas ou ser condicionado para determinada acção ou comportamento.

b-               Interpretação dos sonhos - Os sonhos apresentam imagens figurativas de recalcamentos, ansiedades e medos, que depois de interpretados vão permitir ao psicanalista confirmar os resultados das suas investigações sobre problemas de comportamento apresentados pelo paciente. É o meio de exploração mais seguro dos processos psíquicos pelo que acaba por abandonar a técnica da hipnose.

c-                Actos falhados - fenómenos ligados a lapsos de linguagem, de escrita, esquecimentos momentâneos de palavras. São acidentes de carácter insignificante e de curta duração.

d-               Transfert - Transferência inconsciente para a figura do psicanalista de sentimentos de ternura ou de hostilidade (transfert positivo ou negativo) actualizando situações reprimidas e esquecidas de forma a que o psicanalista possa detectar as razões do conflito inconsciente. É um processo de catarse, descarga psíquica, restabelecendo a relação entre a emoção e o objecto que inicialmente a despertou.

Estas técnicas, indirectas, permitem que o próprio paciente tome consciência dos seus problemas, só assim sendo possível a sua cura.

Por seu lado a Hipnose, que não permitia a tomada de consciência do problema pelo paciente, vem a ser abandonada.

 

Os fundamentos da Psicologia do Desenvolvimento

(em relação às etapas do desenvolvimento do indivíduo)

 

 

Psicologia do Desenvolvimento é uma disciplina que se dedica a estudar as mudanças – ou a ausência delas – que atingem as pessoas no decorrer de suas vidas.

Parte desse campo a máxima de que todo ser humano passa por algumas fases ao longo de sua existência, marcadas, principalmente, por períodos de grandes transformações, também chamados de períodos de transição rápida.Porém, uma das definições mais bem aceitas nos dias de hoje foi pensada pelo biólogo suíço Jean Piaget, uma das maiores referências na área de desenvolvimento humano. Segundo descreve o livro “Psicologia do Desenvolvimento”:

“O desenvolvimento humano, portanto, é um processo de equilibração progressiva, uma passagem de um estado de menor equilíbrio para um estado de maior equilíbrio. Isto ocorre no âmbito da inteligência, da vida afetiva, das relações sociais, bem como no organismo de um modo geral. Constantemente, temos necessidades ou motivos que nos levam a agir no ambiente em que estamos, a fim de alcançarmos um equilíbrio.”

 

Dependendo da perspectiva e da fonte utilizada para estudos, pode haver grandes diferenças entre desenvolvimento e aprendizagem. O próprio Jean Piaget diferencia os dois termos em sua obra “Desenvolvimento e aprendizagem”, publicada em 1972. Para o autor, o desenvolvimento do conhecimento se refere a um processo espontâneo que conduz ao amadurecimento do corpo, mente e sistema nervoso. Assim, um bebê só completa esse processo quando chega à idade adulta, atingindo o ápice de seu desenvolvimento. A aprendizagem, por outro lado, é causada por situações, eventos e experiências externas, incluindo a apresentação de um conteúdo novo por um professor, o contato com uma cultura, até então, desconhecida, ou a realização de um experimento científico. A conclusão de Piaget é que ambos são opostos, uma vez que o desenvolvimento do conhecimento é espontâneo, enquanto a aprendizagem é provocada.

Em suma, a Psicologia do Desenvolvimento possui três finalidades principais.

1.      A primeira está no reconhecimento da origem das condutas, sejam elas cognitivas, sociais, afetivas ou psicomotoras.

2.      A segunda corresponde à identificação de mecanismos que provocam respostas e, por consequência, determinados padrões de comportamento.

3.      A terceira utiliza esses conhecimentos para delimitar fases de desenvolvimento, revelando características comuns a cada uma.

 

TEORIAS PSICOLÓGICAS DO DESENVOLVIMENTO

As teorias psicológicas apresentam perspectivas diferentes do desenvolvimento humano, ou seja,cada uma delas observa, descreve e explica os mecanismos psicológicos que atuam nos fenômenos comportamentais utilizando para isso, referenciais diferentes.

Teorias psicológicas do desenvolvimento

Biológica

Ø  Teoria da Maturação (Arnold Lucius Gesell / 1880-1961);

Ø  Teoria Etológica (John Bowlby / 1907-1990).

 

Psicodinâmica

Ø  Teoria Psicossexual (Sigmund Freud / 1902-1939);

Ø  Teoria Psicossocial (Erik Erikson / 1902 – 1994);

Ø  Teoria da Construção do Ego (René A. Spitz / 1887-1974).

Humanista

Ø  Teoria da Auto-regulação (Abraham Maslow / 1908-1970);

Ø  Teoria da Psicologia centrada na pessoa (Carl Rogers / 1902-1987).

Aprendizagem

Ø  Teoria do Behaviorismo (Ivan Pavlov / 1849-1936; John Watson / 1878-1958);

Ø  Teoria do Condicionamento Operante (B. F. Skinner / 1904-1990);

Ø  Teoria do Behaviorismo Social (Albert Bandura / 1925-)

 

Cognitivo-desenvolvimental

Ø  Teoria Construtivista (Jean Piaget / 1896-1980);

Ø  Teoria da Psicologia da Pessoa Completa (Henri Wallon / 1879-1962).

Contextual

Ø  Teoria Sociocultural (Lev Semionovich Vygotsky / 1896-1934);

Ø  Teoria Bioecológica (Urie Bronfenbrenner / 1917-2005).

 

“Por isso, não falamos em psicologia e sim em “psicologias” que nos oferecem diferentes maneiras

de compreendermos o desenvolvimento humano.” (Bock, 2000).

 

Uma breve explicação sobre algumas destas teorias

Teoria psicanalítica de Freud: Famosas, as ideias de Sigmund Freud evidenciam os aspectos emocionais do desenvolvimento, destacando sua influência no comportamento natural a cada fase da vida. O neurologista e pesquisador rompeu a concepção racionalista ao afirmar que a maior parte das atividades da mente humana é de ordem inconsciente, profundamente impactada por fatores afetivos.  Em 1923, a obra “O ego e o id” formalizou sua teoria de divisão para a mente, composta por id, ego e superego. O id ou inconsciente é definido como uma força propulsora, não socializada e que busca pelo prazer incondicional da pessoa, sendo movido pela libido ou energia da pulsão sexual.

O ego seria a parte mais superficial, responsável pelas interações entre indivíduo e meio, enquanto o superego atua como controlador dos impulsos do id e intenções do ego. Segundo a psicanálise, o desenvolvimento ocorre em resposta à procura por satisfação, direcionada pela libido desde que o ser humano nasce.  Assim, a cada etapa do desenvolvimento, o indivíduo se concentra em uma parte do corpo e em ações que lhe dão mais prazer.  Um exemplo é a fase oral, na qual os bebês concentram a libido na região da boca, já que a alimentação e o contato com chupetas, mordedores, etc., os deixa satisfeitos.

 

Behaviorismo: Procurando no dicionário, esse campo de estudo é descrito como:

“Teoria e método de investigação psicológica que procura examinar de modo mais objetivo o comportamento humano e dos animais, com ênfase nos fatos objetivos (estímulos e reações), sem fazer recurso à introspecção.”

O behaviorismo acredita, então, que os comportamentos mudam a partir de alterações ambientais, sendo o estímulo uma mudança no ambiente, e a reação, uma mudança realizada pelo indivíduo. Sua contribuição para a Psicologia do Desenvolvimento se encontra na descoberta de que é possível alterar padrões de comportamento.

 

Lev Vygotsky

Um dos principais representantes da teoria cognitiva, Vygotsky tem uma visão diferenciada do desenvolvimento humano, considerando as pessoas como construtoras de sua realidade ou representação interna do mundo em que vivem. Um dos destaques de seus estudos é a perspectiva de que, para construir seus conhecimentos, o indivíduo interage com o meio e o momento histórico em que se insere.

 

Jean Piaget e a Psicologia do Desenvolvimento Infantil:  Seu trabalho se concentrou em como se dá a construção do conhecimento, ou seja, quais processos estão por trás da evolução na estrutura do pensamento do ser humano. Para responder a essa questão, o autor estudou a fundo o comportamento durante as primeiras fases da vida humana, chegando a quatro estágios de  desenvolvimento cognitivo, desde o nascimento até a adolescência. De acordo com sua tese, o conhecimento é construído a partir de um sistema que busca se equilibrar, assimilando e acomodando novidades de maneira cíclica.  Na assimilação, a pessoa entra em contato com o mundo exterior e aprende informações novas, que serão agregadas ao seu repertório.  Em seguida, ocorre a acomodação, na qual essas informações são confrontadas com o que a pessoa já sabia e, a partir desse confronto, ocorre uma mudança na estrutura de seu pensamento – a construção de um novo  conhecimento e consequente avanço cognitivo.

Os quatro estágios formulados por Piaget.

1-      Período sensório-motor :  Começa com o nascimento e se estende até cerca de dois anos de idade.  No início da vida, os bebês se restringem a desempenhar movimentos reflexos, como a sucção, para que consigam se alimentar. Mas, com o tempo, aprimoram seus movimentos e incorporam outros objetos, além do seio materno, à sua rotina de sucção, indicando diferenciação entre seu corpo e o mundo exterior.

2-      Período pré-operatório : É compreendido entre 2 e 7 anos, começando quando a criança aprende a falar.  Esse é um marco muito importante, pois permite que meninos e meninas expressem seus pensamentos e emoções, embora ainda vejam o mundo de modo egocêntrico.  Seu aprendizado é fundamentado por vivências e objetos que conhecem.

 

3-      Período operatório concreto: Definido entre 7 e 11 a 12 anos, é caracterizado pela construção de estruturas lógicas e redução do egocentrismo, possibilitando o trabalho em grupo e colaboração.

 

4-      Período operatório formal- Época em que se inicia a adolescência, é nesse período que o indivíduo se torna capaz de exercitar a reflexão, criar hipóteses e deduções. Também amplia sua capacidade de raciocínio, solucionando equações com muitas variáveis ou analisando temas complexos com sucesso.

 

As teorias e estudiosos que comentamos acima permitiram a descoberta de quatro fatores principais que influenciam a maturação do indivíduo. São eles:

A-    Hereditariedade: consiste em genes repassados pelos pais, que determinam o desenvolvimento de cada um. Dependendo das experiências e do ambiente, eles podem, ou não, se manifestar

B-    Crescimento orgânico: a maturidade física dá ao adolescente/adulto possibilidades que ele não tinha quando criança

C-    Maturação neurofisiológica: corresponde às habilidades necessárias para dominar novos conhecimentos, como a capacidade de falar ou andar

D-    Ambiente: reúne todos os estímulos externos, tanto do local onde o indivíduo vive quanto das pessoas de sua convivência.

 

Construtivismo – Jean Piaget

O Construtivismo pode ser caracterizado como uma corrente de pensamento que ganhou espaço, especialmente no campo das teorias pedagógicas, inspirada na obra de Jean Piaget (1896-1930), biólogo suíço reconhecido por dedicar sua obra ao entendimento dos processos de aquisição do conhecimento humano. Os conceitos piagetianos mais fundamentais fazem referência aos mecanismos de funcionamento da inteligência e a constituição/construção do sujeito a partir de sua interação com o meio. Nessa perspectiva as estruturas cognitivas do sujeito não nascem prontas, motivo pelo qual o conhecimento repousa em todos os níveis onde ocorre a interação entre os sujeitos e os objetos durante o seu processo de desenvolvimento.

 

Apesar de não ser um educador Piaget elaborou uma teoria do conhecimento acerca do desenvolvimento da inteligência, deixando valiosas contribuições quando interpretamos sua obra com vistas à prática pedagógica e das quais a teoria construtivista se apropriou. A principal delas é a de que a educação deve possibilitar à criança seu pleno desenvolvimento durante todos os estágios de maturação da inteligência – que se inicia no nascimento, com reflexos neurológicos básicos (estágio sensório-motor) e caminha até o início da adolescência, com o desenvolvimento do raciocínio lógico (estágio operatório formal). No campo educacional isto significa levar em consideração os esquemas de assimilação e acomodação da criança, promovendo situações didáticas desafiadoras que provoquem os conflitos cognitivos responsáveis pela construção do conhecimento através da participação ativa do sujeito cognoscente.

A grande contribuição do Construtivismo, pautado na obra de Piaget e na aplicação pedagógica das teorias construtivistas, em relação à educação é a de que a aprendizagem não acontece de forma passiva pelo aluno, cabendo ao professor a tarefa de criar possibilidades enquanto sujeito mediador da aprendizagem e promover situações problema que permitam o conflito e consequentemente avanço cognitivo de cada aluno na sua individualidade, promovendo o desenvolvimento das estruturas de pensamento, raciocínio lógico, julgamento e argumentação.

 

IMPLICAÇÕES DAS CONCEPÇÕES TEÓRICAS DE WALLON, PIAGET, VYGOTSKY E SKINNER NA PRÁTICA PEDAGÓGICA

As práticas pedagógicas se baseiam em modelos ou concepções teóricas que auxiliam o professor a melhor ensinar e preparar suas aulas, sendo que algumas teorias se desenvolvem em tempos simultâneos com perspectivas e direções diferentes.

No Behaviorismo, o processo de aprendizagem e conhecimento decorre da relação estímulo-resposta (S-R) e das ações praticadas pelas crianças, tendo como objetivo a aquisição de novos comportamentos ou a mudança dos já existentes; pois o ensino decorre da adaptação e planejamento de reforços através dos quais o aluno é levado a adquirir ou modificar uma conduta.

Conforme afirmam Coutinho e Moreira (1998, p. 58-9),

[...] As teorias do condicionamento, cada qual com suas especificidades, procedem a uma abordagem molecular do comportamento humano que, embora consiga explicar algumas dimensões da conduta, não esclarece processos mais amplos, como a formação das funções psicológicas superiores, tipicamente humanas.

Assim, o behaviorismo deu contribuições eminentes na educação com controle e organização das situações de aprendizagem, elaboração de tecnologias de ensino, métodos de instrução e ensino programado em computadores que trouxe muitos avanços no processo de aprendizagem para testes em concursos, vestibulares e simulados eletrônicos.

Para Piaget (1999), no Construtivismo a aprendizagem só ocorre mediante a consolidação das estruturas de pensamento, portanto a aprendizagem sempre se dá após a consolidação do esquema que a suporta, da mesma forma a passagem de um estágio para outro da criança estaria dependente da consolidação e superação do estágio anterior. Sendo assim, a aprendizagem em si nada mais é do que a substituição de uma resposta generalizada por outra mais complexa. Com base em Piaget, para Coutinho e Moreira (1998, p. 122), “a criança (sujeito)constitui com o meio (objeto) uma totalidade”; quando esse meio é a escola, o processo de ensino-aprendizagem deve propiciar à criança a capacidade de desenvolver seu conhecimento cognitivo e afetivo, em que suas demais aptidões para cada tipo de disciplina específica presente no sistema de ensino e suas fases e processos pedagógicos surtam efeitos para que tenha uma boa formação.

Para Wallon, a aprendizagem está relacionada com o desenvolvimento da individualidade como unidade afetiva e cognitiva dos sujeitos. O estudo do desenvolvimento humano deve ser feito na sucessão das etapas e dos conflitos no decorrer da vida, sendo a linguagem e a cultura que fornecem ao pensamento as ferramentas para a sua evolução; a sua interação com o mundo biológico não depende apenas do seu amadurecimento intelectual, mas de habilidades mais complexas para interagir com a cultura existente entre o sujeito e seu meio.

Segundo Vygotsky (1998), a aprendizagem sempre inclui relações entre pessoas. Ele defende a ideia de que não há um desenvolvimento pronto e previsto dentro de nós que vai se atualizando com passar do tempo. O desenvolvimento é pensado como um processo em que estão presentes a maturação do organismo, o contato com a cultura produzida pela humanidade e as relações sociais que permitem a aprendizagem.

Vygotsky é considerado como um dos principais interacionistas que estudaram as funções psicológicas dos indivíduos; relacionou a ação da criança como transformadora de suas relações com os conteúdos estudados e, enquanto estas são constitutivas de sua inteligência, é capaz de formar sua  personalidade. O professor pode ser um mediador do ensino e aprendizagem através da ZDP, que é a distância entre o nível de desenvolvimento real e o nível de desenvolvimento potencial. Assim, para Vygotsky, segundo Vasconcellos (1995, p. 15), “o surgimento da consciência se dá através das ações do indivíduo no mundo e da interiorização transformadora da fala e dos símbolos culturais”. A atividade do aluno, além de ser capaz de criar novas conexões e elaborações no nível de certos conteúdos, favorece, assim, o crescimento de procedimentos intelectuais superiores que envolvem análise, síntese, abstração, decodificação e generalização. Com base em Vygotsky (1998, p. 47), ressaltamos:

A linguagem não depende necessariamente do som. Há, por exemplo, a linguagem dos surdos-mudos e a leitura dos lábios, que é também interpretações de movimento. Na linguagem dos povos primitivos, os gestos têm um papel importante e são usados juntamente

com o som. Em princípio, a linguagem não depende da natureza do material que utiliza.

Portanto, de acordo com o que destaca Vygotsky, a relação indivíduo-sociedade

não tem de imediato característica tipicamente humana, pois, desde o dia em que o indivíduo nasce e passa a conhecer a dialética do homem e seu meio sociocultural, pode notar

as transformações que ocorrem para atender a si mesmo e às suas necessidades básicas para

sua existência.

Assim, o homem se caracteriza por uma sociabilidade primária. “A mesma ideia foi

expressa por Henri Wallon, de um modo mais categórico: ele [o indivíduo] é geneticamente

social (Wallon, 1959)” (IVIC, 2010, p. 15).

 

Paulo Freire e a Psicologia da aprendizagem

 

A dialogicidade em educação a pedagogia de Paulo Freire

 

A pedagogia de Paulo Freire é essencialmente voltada para o camponês, para o operário, para todos aqueles oprimidos por estratégias de controle e submissão. Para ele, educar é uma tarefa inteiramente política e revolucionária, fundamentada na crença na dialogicidade como via de estabelecimento da libertação e da transformação. O reconhecimento da alteridade é o que cria a possibilidade do diálogo. A anulação das diferenças não permite diálogo; portanto, uma intervenção pedagógica pautada na obra de Paulo Freire é baseada na convicção de que o novo surge somente do encontro entre diferentes que apresentem uma disponibilidade mútua para a ação criativa.

Com seu método de alfabetização, o alcance de uma leitura crítica das relações no mundo por parte do educando, em que ele pudesse sair da passividade para uma atitude transformadora a fim de se tornar um sujeito histórico. Sua preocupação era com o sujeito como parte de um contexto relacional grupal, não apenas em sala de aula mas também dentro de todo o contexto de convivência e de cultura que interfere na constituição de sua subjetividade e que é também por ele constituído.

O método pedagógico de Paulo Freire consiste na compreensão de que educar é permitir ao homem ser sujeito, agindo pela transformação do mundo através de relações de reciprocidade. Para ele, o objetivo da educação é provocar uma atitude crítica comprometida com a ação. O educando, portanto, aprende a falar falando, a agir, agindo e a transformar, transformando-se. A permanente possibilidade de transformação do aluno e do professor requer um ensino transformador e em transformação. Afinal, se nos baseamos em uma concepção de que a inconclusão, a incompletude do sujeito é o que permite a educabilidade, a educação não pode limitar-se a conteúdos fechados em si mesmos.

Para Freire, a educação seria um grande caminho para a mudança social, para a formação de sujeitos históricos, atores e autores de seus processos históricos cotidianos de emancipação coletiva e individual. De acordo com Freire (1980, p. 36):

A educação das massas se faz, assim, algo absolutamente fundamental entre nós. Educação que, desvestida da roupagem alienada e alienante, seja uma força de mudança e de libertação. A opção, por isso, teria de ser também, entre uma “educação  para a domesticação, para a alienação”, e uma educação para a liberdade.  “Educação para o homem-objeto ou educação para o homem-sujeito.

Assim, a partir da Educação Libertadora, são fundamentais redefinições nas relações de poder entre o saber acadêmico e o saber popular, entre o professor e o aluno, entre o papel de educador e o de educando, entre a ação e a reflexão, entre as diferenças e os contrastes dos participantes, entre os sujeitos cognoscentes e os objetos cognoscíveis.

 

Como a neurociência contribui para a educação dos alunos

 

Ao desvendar o funcionamento da mente, fica mais fácil superar os desafios da educação e estimular os estudantes a aprenderem cada vez mais, de maneira prazerosa e motivada.

A neurociência é o estudo do sistema nervoso, aquele que coordena as ações do organismo. É uma ciência interdisciplinar, que se relaciona com diferentes áreas, como: biologia, psicologia, medicina, química, matemática, engenharia, filosofia etc.

Dessa forma, entre outras funções, a neurociência ajuda a compreender ações complexas como pensamento, decisão, atenção, compreensão, interpretação e cálculo. Assim, pode ser uma excelente maneira de fortalecer o trabalho dos educadores.

Ao entender como funciona o processo de aprendizagem pelo cerebro, os educadores conseguem realizar planejamentos de aulas mais assertivos. Isso porque conhecem as necessidades dos estudantes e os melhores caminhos para oferecerem os estímulos por meio do ensino. Nesse sentido, a neurociência contribui com todos os níveis da educação.

Assim, para que uma pessoa adquira conhecimentos, o cérebro precisa desenvolver três funções principais:

1-      A memória de trabalho, aquela que guarda e acessa as informações por um curto período;

2-      O controle inibitório, que resiste às distrações para manter o foco;

3-      A flexibilidade cognitiva, que é a capacidade de mudar e adequar os pensamentos à situação.

Durante o aprendizado, o cérebro muda sua estrutura física e se torna mais funcional. Dessa forma, novos conhecimentos ajudam a adquirir habilidades para aprender cada vez mais. A função dos educadores é encontrar os melhores estímulos, que conquistem a atenção do estudante e tragam motivação.

Um dos pontos-chave que a neurociência traz para a educação é que as emoções exercem um papel essencial na aprendizagem. O emocional reforça os caminhos neurais, estimula o raciocínio lógico e  desperta a criatividade. Por isso, uma sala de aula que seja mais acolhedora, divertida e afetuosa tende a oferecer uma experiência educacional melhor.

 

Conclusão

A psicologia da educação tem como função a produção de saberes relativos aos fenômenos psicológicos constituintes do processo educativo. 

Estudar psicologia da educação ou psicologia educacional é compreender o processo de ensino e aprendizagem. Isso vai desde os mecanismos de aprendizagem nas crianças e adultos (relacionando com a psicologia do desenvolvimento), até a eficiência das tácticas e estratégias educacionais, assim como o estudo do funcionamento da instituição escolar enquanto organização (onde se cruza com a psicologia social).

A psicologia da educação tem esse papel essencial de verificar os conhecimentos proporcionados pela psicologia científica. A partir disso, determina quais são os mais importantes para compreender o comportamento das pessoas no ambiente educacional. Assim, é possível intervir nesse ambiente para gerar melhorias.

Benefícios da psicologia da educação

A partir da psicologia educacional, professores e alunos são auxiliados ao melhor entendimento do processo de educação. Assim, geram melhores resultados para si e para a sociedade. Entre os benefícios dos estudos nesse campo, estão os seguintes.

1. Compreender os estágios de aprendizagem

A psicologia ajuda na compreensão de que a vida humana passa por diferentes estágios de desenvolvimento até atingir a idade adulta. Cada fase implica em padrões de comportamento característicos. A identificação destes períodos ajuda os educadores na elaboração do currículo. Assim é possível determinar os métodos mais adequados de ensino para os alunos em cada um dos diferentes estágios de aprendizagem.

2. Conhecer o estudante

A criança ou o aluno é o fator chave no processo de ensino e aprendizagem. A psicologia educacional ajuda o professor a conhecer quais são seus interesses, atitudes, aptidões e outras capacidades e habilidades adquiridas ou inatas. A psicologia educacional também ajuda na compreensão sobre o estágio em que o aluno se encontra com relação ao seu desenvolvimento social, emocional, intelectual e físico. Além disso, leva em consideração o nível de aspiração e o comportamento consciente e inconsciente do aluno. Com a orientação adequada, o aluno pode formar uma atitude mais positiva com relação à vida e a si mesmo. Assim, forma uma personalidade mais integrada e solidária.

3. Desenvolver a didática de ensino

A psicologia da educação ajuda o professor a adaptar seu ensino de acordo com o nível dos alunos e seus processos de aprendizagem. Para que o conhecimento seja repassado de forma eficiente, é preciso que o professor tenha uma boa didática ligada a um ensino dinâmico, divertido e saudável. Para conseguir lidar com os alunos de forma eficaz na classe de aula, o professor precisa ter o conhecimento das várias abordagens que levam ao processo de aprendizagem, seus princípios, bem como as leis e fatores que a afetam diretamente.

4. Entender as diferenças

Os alunos diferem muito com relação aos níveis de inteligência, aptidões, gostos e desgostos, além de ter tendências e potencialidades distintas. Existe uma diferença enorme no grau de aprendizagem numa única sala de aula: há crianças superdotadas, outras com déficit de atenção, algumas com deficiências físicas e mentais. O professor deve ser capaz de reconhecê-las para que consiga proceder de maneira adequada com cada uma delas.

5. Resolver problemas em sala de aula

Existem inúmeros problemas que podem surgir numa sala de aula. Alguns deles são: o bullying, a pressão dos colegas, as colas nas provas, as tensões étnicas, etc. O psicólogo educacional auxilia o aluno a lidar melhor com estas situações. Esclarece e instrui o aluno com as mediações para superar o problema. Para tanto, ele precisa estudar as características dos problemas potenciais em sala de aula, a dinâmica do grupo, as características comportamentais do aluno e os possíveis ajustes que serão necessários.

6. Fornecer orientação e aconselhamento

Hoje em dia é importante que a criança receba orientação em todas as fases do seu desenvolvimento. Isso porque as habilidades psicológicas, interesses e aprendizagem diferem de uma pessoa para outra. O psicólogo educacional também ajuda o professor a lidar com os seus próprios problemas emocionais. Assim, consigue otimizar o seu desempenho em sala de aula.

7. Desenvolver princípios de avaliação

A avaliação é parte integrante do processo de ensino e aprendizagem. É através das técnicas de avaliação que o potencial da criança é testada e aprovada. O desenvolvimento dos diferentes tipos de testes psicológicos para a avaliação do indivíduo é uma das contribuições da psicologia da educação.

8. Incentivar uma disciplina positiva e criativa

A psicologia educacional substituiu o sistema repressivo pelo sistema preventivo. Os professores passaram a adotar uma abordagem mais cooperativa e científica, a fim de modificar o comportamento dos alunos. A ênfase é colocada sobre a autodisciplina através de atividades criativas e construtivas.

 

Referências bibliográficas:

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